1Sumário executivo.
A régua mundial da pedra natural não desapareceu. Ela se fragmentou.
A série Montani oferecia uma arquitetura única de comparação: quanto o mundo produz, quem produz mais, quem exporta mais, qual o preço médio, como a posição mudou no tempo, tudo na mesma fonte. Depois da última edição pública identificada, com dados de 2021, nenhuma instituição assumiu essa função. O levantamento mais próximo de um substituto governamental, o Mineral Commodity Summaries do U.S. Geological Survey, imprime literalmente NA na linha de produção mundial de dimension stone para 2024 e para 2025. A camada de produção mundial está vazia, e é preciso dizer isso com todas as letras.
O que existe hoje, e é muito, é comércio. O Centro Studi da Confindustria Marmomacchine tornou-se a leitura contemporânea mais útil do comércio internacional. Em 2025 a Itália exportou US$ 2.428 milhões em pedra natural, alta de 3,5%, sobre 2,097 milhões de toneladas, queda de 0,7%, a um preço médio de US$ 1.157,4 por tonelada, máximo histórico. Materiais trabalhados e semitrabalhados responderam por 77,4% da receita, US$ 1.880 milhões, contra US$ 549,2 milhões de brutos.
O Brasil exportou US$ 1.475,8 milhões em 2025, sobre 2.110,6 mil toneladas, a US$ 699 por tonelada. E aqui entra o número que a versão anterior deste estudo não tinha: as rochas processadas responderam por 75,47% do faturamento brasileiro de exportação em 2025, cerca de US$ 1,11 bilhão, e por 44,27% do volume, 934,4 mil toneladas, segundo a ABIROCHAS.
Isso obriga a reescrever a tese mais repetida do setor.
Itália, 2025: 77,4% da receita exportada em trabalhados e semitrabalhados.
Brasil, 2025: 75,47% da receita exportada em rochas processadas.
Dois pontos percentuais separam os dois países na parcela transformada da pauta. Não é ali que mora a diferença de preço médio de quase o dobro. As duas cestas são definidas por instituições diferentes e não foram certificadas como equivalentes, o que exige cautela, mas a ordem de grandeza é inequívoca: a distância entre Brasil e Itália não está principalmente em transformar ou não transformar. Está no preço unitário do que é transformado, no destino que compra e na composição da pauta dentro da faixa processada.
O Brasil tem uma linha aduaneira que prova que o teto existe. A NCM 6802.99.90, cujo principal material exportado são chapas de quartzitos maciços, registrou US$ 694,9 milhões sobre 293,2 mil toneladas em 2025, ou US$ 2.370 por tonelada, na tabela de principais NCM do Informe 12/2025 da ABIROCHAS. É um código de cesta mista, e a ressalva vem junto do número em todas as ocorrências deste estudo. No 1º semestre de 2026 a mesma linha caiu para US$ 2.240 por tonelada, com volume em alta.
Do outro lado, a única comparação deste estudo que passa nas quatro perguntas do método, mesmo código, mesmo ano, mesma unidade, mesmo perímetro, é menos lisonjeira: no heading HS 6802 em 2023, a Itália exportou a US$ 1.879 por tonelada e o Brasil a US$ 946 por tonelada. Duas vezes.
As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo, e essa é a tese:
o Brasil não precisa de um ranking para saber se está avançando. Precisa de uma régua que separe volume, valor, transformação, destino e reputação, e que permita comparar o país consigo mesmo e com os modelos internacionais que capturam mais valor da mesma tonelada.
E precisa dela agora, porque em 2026 a comparação internacional mudou por fora. Desde 22 e 24 de julho de 2026 duas ações da Seção 301 incidem sobre a rocha brasileira no maior mercado do país, com efeito assimétrico entre materiais brasileiros e entre países concorrentes. O capítulo 10 trata disso com os atos, as datas e os limites do que se pode afirmar.
2O que exatamente parou.
O fim de uma publicação não é o fim de um mercado.
O que parou foi uma conveniência metodológica: a possibilidade de abrir um único relatório internacional e encontrar uma fotografia integrada da cadeia mundial.
Isso parece um problema acadêmico até que uma empresa tenta responder a perguntas básicas. O Brasil é o quarto ou o quinto produtor mundial? É o quarto ou o quinto exportador? A Itália exporta menos toneladas e ganha mais? A China lidera por valor, por volume ou por ambos? A Turquia está à frente porque vende mais material ou porque vende outra composição de pauta? Qual país consegue maior preço médio? Qual parcela da exportação é bruta e qual é processada? Quais mercados finais pagam mais? Quem exporta bloco para outro país transformar?
Sem uma régua comum, frases corretas parecem contraditórias.
"Brasil é quarto maior produtor."
"Brasil é quinto maior produtor."
"Brasil é quarto exportador em volume."
"Brasil é quinto exportador em valor."
Todas foram verdadeiras, em anos e métricas diferentes. O erro começa quando o ordinal é publicado sem o nome da corrida.
3O último mapa integrado, com as edições nomeadas.
A versão anterior deste estudo publicava quatro posições históricas do Brasil sem dizer de qual edição do Rapporto cada uma vinha. A correção está feita, linha a linha.
| leitura | ano do dado | edição e tabela | posição e número | fonte |
|---|---|---|---|---|
| produção de lavra | 2019 | XXXI Rapporto, via ABIROCHAS Cenário Mundial | 5º produtor, 8,2 Mt, 5,3% do mundo | ABIROCHAS, Cenário Mundial, tabela 1, citando Montani, XXXI Rapporto, 2020 |
| produção de lavra | 2020 | XXXII Rapporto, tabela 7 | 4º produtor, 8,0 Mt, 5,2% do mundo | banco do Observatório, sobre o XXXII Rapporto |
| exportação em valor | 2020 | XXXII Rapporto, tabela 52 | 5º exportador, 4,8% do mundo | banco do Observatório, sobre o XXXII Rapporto |
| exportação de rochas processadas | 2020 | XXXII Rapporto, tabela 53 | 5º, US$ 741,1 milhões | banco do Observatório, sobre o XXXII Rapporto |
| exportação em volume | 2021 | XXXIII Rapporto, via Stone-ideas | 4º exportador, 2,6 Mt | Stone-ideas, Dr. Carlo Montani: 2021 statistics for stone |
A leitura de 2021 foi conferida na fonte secundária: o artigo do Stone-ideas lista, em toneladas exportadas em 2021, Índia com 15,5 Mt, Turquia com 7,76 Mt, China com 6,6 Mt, Brasil com 2,6 Mt, Itália com 2,3 Mt, Portugal com 2,1 Mt, Espanha com 1,8 Mt e Grécia com 1,0 Mt. O quarto lugar brasileiro em volume está correto e é de 2021.
A alternância entre quarto e quinto não revela instabilidade extrema. Revela proximidade entre países e métricas diferentes. Em 2019 o Irã ficou à frente do Brasil por 0,1 Mt, 8,3 contra 8,2. Em 2020 a ordem se inverteu.
Um ranking precisa de cinco campos.
- variável: produção, exportação, importação, consumo, tecnologia;
- unidade: tonelada, US$, €, m²;
- período: ano ou semestre, declarado;
- perímetro: bruto, processado, pedra natural, dimension stone, e qual cesta de códigos;
- fonte e metodologia, com data de publicação.
Sem os cinco, "quinto lugar" é decoração.
4Existe uma régua mundial pública, mas ela mede outra coisa.
A versão anterior deste estudo dizia que o Mineral Commodity Summaries 2026 do U.S. Geological Survey "resolve parcialmente a lacuna deixada por Montani" e que "a nova régua deve usar o USGS para a camada de produção mineral". Isso estava errado, e a correção é importante o bastante para ocupar um capítulo.
O MCS 2026 foi consultado na fonte primária. No capítulo Dimension Stone, na tabela World Mine Production and Reserves, a linha de produção mundial traz literalmente NA para 2024 e para 2025. O que o USGS publica com números é o mercado americano:
| indicador | 2024 | 2025 | fonte |
|---|---|---|---|
| importações americanas de rocha de cantaria | US$ 2,0 bilhões | US$ 2,0 bilhões | USGS, MCS 2026 |
| dependência de importação, em valor | 82% | 81% | USGS, MCS 2026 |
| produção americana | não destacada | 2,3 Mt e US$ 460 milhões | USGS, MCS 2026 |
| origem das importações, média de 2021 a 2024 | Brasil 21%, Itália 19%, China 17%, Índia 16%, outros 27% | USGS, MCS 2026 |
Fonte: U.S. Geological Survey, Mineral Commodity Summaries 2026, capítulo Dimension Stone. pubs.usgs.gov/periodicals/mcs2026/mcs2…ne-dimension.pdf
Conclusão que precisa ficar escrita: não existe hoje total mundial de produção de pedra natural para 2024 nem para 2025, em nenhuma fonte pública identificada pelo Observatório. Quem publicar um "total mundial" desses dois anos está estimando, e deve dizer.
Três relógios estatísticos.
Toda comparação internacional deste estudo registra três datas:
- ano do fenômeno: quando a pedra foi produzida ou exportada;
- ano da publicação: quando o dado foi divulgado;
- versão da fonte: porque relatórios são revistos.
Exemplo aplicado: o MCS 2026 foi publicado em 06 de fevereiro de 2026 e observa o ano de 2025. A leitura italiana de 2025 do Centro Studi foi divulgada em 20 de junho de 2026. A ordem mundial de exportadores de 2025 foi apresentada na assembleia da Confindustria Marmomacchine de 26 de junho de 2026 e reportada pela imprensa setorial em 11 de julho de 2026. Três publicações de 2026, três recortes distintos.
5A nova fonte de comércio: Confindustria Marmomacchine.
O Centro Studi da Confindustria Marmomacchine publica a leitura contemporânea mais útil do comércio mundial de pedra natural. Os números italianos de 2025 foram conferidos na fonte, no informe do Marmo Macchine International de 20 de junho de 2026, que atribui os dados ao Centro Studi da associação.
| indicador | 2025 | variação sobre 2024 |
|---|---|---|
| exportação italiana de pedra natural | US$ 2.428 milhões | +3,5% |
| volume | 2,097 milhões de toneladas | −0,7% |
| preço médio | US$ 1.157,4 por tonelada | máximo histórico |
| materiais brutos | US$ 549,2 milhões, 22,6% | +10,4% |
| trabalhados e semitrabalhados | US$ 1.880 milhões, 77,4% | +1,6% |
Fonte: Centro Studi Confindustria Marmomacchine, via Marmo Macchine International, 20 de junho de 2026. marmomacchineinternational.com/export-…i-24-mld-di-usd/
Nota aritmética. A soma de brutos e trabalhados dá US$ 2.429,2 milhões, contra os US$ 2.428 milhões do total publicado. A diferença de US$ 1,2 milhão, 0,05%, é arredondamento da própria fonte. Pelo mesmo motivo, o preço médio de US$ 1.157,4 por tonelada é número publicado pela fonte, não derivação deste estudo: dividir 2.428 por 2,097 dá 1.157,8. O Observatório publica o número da fonte e registra a diferença de US$ 0,4 por tonelada.
Principais destinos italianos em 2025, mesma fonte:
| destino | valor | variação | perfil |
|---|---|---|---|
| Estados Unidos | US$ 619,5 milhões | +5,8% | trabalhados |
| China | US$ 273,8 milhões | +10,7% | brutos |
| Alemanha | US$ 138,2 milhões | +12,3% | trabalhados |
| França | US$ 115,2 milhões | −8,1% | |
| Suíça | US$ 112,4 milhões | +3% | |
| Emirados Árabes Unidos | US$ 73,7 milhões | +3% | |
| Índia | US$ 59,5 milhões | +17,9% | brutos |
A mensagem estratégica do conjunto: a Itália aumentou valor com leve queda de volume. Essa é uma configuração de crescimento diferente das outras três que o setor costuma confundir.
Crescimento de volume: mais toneladas, preço semelhante.
Crescimento de preço: mesmas toneladas, composição de pauta superior.
Crescimento de transformação: mais participação de rochas processadas.
Crescimento de reputação: maior disposição a pagar por origem, desenho, execução ou nome.
A régua internacional de amano acompanha as quatro separadamente, porque as políticas que produzem cada uma são diferentes.
6O ranking de 2025 que se consegue reconstruir.
A ordem dos oito maiores exportadores mundiais de pedra natural em 2025 foi divulgada na assembleia da Confindustria Marmomacchine de 26 de junho de 2026, em Milão, e reportada em 11 de julho de 2026. Só dois valores foram publicados na mesma régua. O restante o Observatório não estima.
| posição | país | valor | moeda e ano | fonte | comparável ao mesmo perímetro? |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | China | 3.978 | US$ milhões, 2025 | Centro Studi Marmomacchine, via StoneTrades | sim |
| 2 | Itália | 2.428 | US$ milhões, 2025 | Centro Studi Marmomacchine | sim |
| 3 | Turquia | não publicado | posição divulgada, valor não | não se aplica | |
| 4 | Índia | não publicado | posição divulgada, valor não | não se aplica | |
| 5 | Brasil | 1.475,8 | US$ milhões, 2025 | ABIROCHAS, Informe 01/2026 | não, é fonte nacional com cesta de NCM própria |
| 6 | Espanha | 387,23 | € milhões, 2025 | ICEX, via Focus Piedra | não, moeda diferente |
| 7 | Portugal | 470 | € milhões, 2024 | via Stone-ideas | não, moeda e ano diferentes |
| 8 | Grécia | não publicado | posição divulgada, valor não | não se aplica |
Fonte da ordem: stonetrades.com/insights/italy-second-…ne-exporter-2026
Três observações que a versão anterior não fazia.
Primeira. Espanha e Portugal não estavam sem valor. Estavam com valor em euro, e Portugal com valor de outro ano. Publicá-los como célula vazia foi um erro na direção oposta ao da inferência: escondeu dado existente. Agora eles aparecem, com moeda e ano na mesma linha, e com a marcação de que não entram na mesma coluna de comparação.
Segunda. O valor brasileiro é fonte nacional. A ABIROCHAS apura sobre a base Comex Stat com uma cesta de NCM assinada em documento metodológico. O Centro Studi apura a Itália com outra cesta. Os dois números convivem na mesma tabela porque a ordem é da mesma fonte, mas o valor de cada um não é resultado do mesmo procedimento.
Terceira. Uma terceira série brasileira existe e não deve ser somada nem misturada às outras: o Sindirochas do Espírito Santo, com cesta de NCM ligeiramente diferente, fecha 2025 em US$ 1.484,6 milhões contra US$ 1.475,8 milhões da ABIROCHAS, diferença de 0,6%. As duas são citáveis. O Observatório usa a ABIROCHAS para série histórica.
O dado faltante é parte do dado. Uma tabela com quatro células honestamente vazias é melhor que uma tabela inteira preenchida com números incompatíveis.
7Preço médio: a comparação que incomoda, e o que ela realmente diz.
Itália, 2025: US$ 1.157,4 por tonelada.
Brasil, 2025: US$ 699 por tonelada (699,2 no informe da ABIROCHAS).
A diferença é de US$ 458 por tonelada, ou 65,6% acima do preço médio brasileiro.
Ressalva de perímetro, obrigatória: os dois números são totais nacionais de exportação divididos pelo total de toneladas, no mesmo ano, na mesma unidade. Mas as cestas de códigos são definidas por instituições diferentes, o Centro Studi de um lado e a ABIROCHAS de outro, e nenhuma das duas publicou a correspondência com a cesta da outra. A comparação é legítima como ordem de grandeza e não é uma medição sob régua única.
A leitura superficial é "a Itália agrega mais valor". A leitura útil pergunta: em qual etapa?
A resposta muda a tese do setor.
| país | parcela processada da receita exportada, 2025 | fonte |
|---|---|---|
| Itália | 77,4%, trabalhados e semitrabalhados, US$ 1.880 mi de US$ 2.428 mi | Centro Studi Confindustria Marmomacchine |
| Brasil | 75,47%, rochas processadas, cerca de US$ 1,11 bi de US$ 1.475,8 mi | ABIROCHAS, Informe 12/2025 |
A ABIROCHAS publica, no Informe 12/2025, que "as rochas processadas compuseram 75,47% do total do faturamento, representando US$ 1,1 bilhão", e 44,27% do volume físico exportado, 934,4 mil toneladas.
Ressalva de perímetro, obrigatória: "trabalhados e semitrabalhados" na definição do Centro Studi e "rochas processadas" na definição da ABIROCHAS são categorias construídas por entidades distintas, sobre nomenclaturas distintas. Ninguém publicou a tabela de equivalência. Os dois números medem a mesma ideia e não foram certificados como a mesma medida.
Ainda com essa ressalva, a conclusão sobrevive, e é forte:
Interpretação amano. A distância de preço médio entre Brasil e Itália, de quase o dobro, não é explicada pela parcela transformada da pauta, porque essa parcela é praticamente igual nos dois países. A explicação está dentro da faixa processada: qual material, para qual destino, com qual acabamento, com qual nome.
O que dá para calcular do lado brasileiro.
Cálculo amano. Insumos: receita total US$ 1.475,8 mi e volume total 2.110,6 mil t (ABIROCHAS, Informe 01/2026 e 12/2025); parcela processada 75,47% da receita e 934,4 mil t de volume (ABIROCHAS, Informe 12/2025).
- receita processada: 75,47% de 1.475,8 = US$ 1.113,8 milhões;
- preço médio das processadas: 1.113,8 dividido por 934,4 mil t = US$ 1.192 por tonelada;
- receita bruta por diferença: 1.475,8 menos 1.113,8 = US$ 362,0 milhões;
- volume bruto por diferença: 2.110,6 menos 934,4 = 1.176,2 mil t;
- preço médio das brutas: US$ 308 por tonelada;
- razão entre processada e bruta no Brasil: 3,87 vezes.
O preço médio da rocha processada brasileira em 2025, US$ 1.192 por tonelada, está acima do preço médio total italiano, US$ 1.157,4.
E aqui é preciso frear, porque essa frase é exatamente do tipo que o presente estudo existe para impedir. Ela compara a faixa processada de um país com o total do outro. Não é a mesma régua.
Lacuna nomeada. O Centro Studi publica a receita italiana dividida entre brutos e trabalhados, mas não publica a tonelagem de cada uma das duas faixas. Sem isso não é possível calcular o preço por tonelada da faixa processada italiana, que é o único número que tornaria a comparação legítima. Procurou-se no informe do Marmo Macchine International de 20/06/2026 e na página da assembleia geral de 2026 da associação, que recusou consulta automatizada por robots.txt. Enquanto a tonelagem por faixa não for publicada, a comparação processado contra processado entre Brasil e Itália não pode ser feita, e este estudo não a faz.
A NCM 6802.99.90 e os US$ 2.370 por tonelada.
Dado, com fonte e página. Na tabela "Principais NCMs das Exportações Brasileiras de Rochas", página 3 do Informe 12/2025 da ABIROCHAS, a NCM 6802.99.90 aparece com US$ 694,9 milhões, 293,2 mil toneladas e preço médio de US$ 2.370 por tonelada em 2025, tendo como principal material exportado chapas de quartzitos maciços. Os mesmos números reaparecem na tabela de quartzitos maciços, página 4.
Fonte: ABIROCHAS, Informe 12/2025, Exportações de dezembro. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…oes-Dezembro.pdf
Ressalva de cesta mista, que acompanha o número em toda ocorrência. A 6802.99.90 é uma linha residual. No Sistema Harmonizado, a subposição 6802.99 é "outras pedras de cantaria ou de construção trabalhadas, outras pedras", isto é, o que sobra depois de granito, mármore, travertino, ardósia e calcário terem suas próprias linhas. No Brasil, segundo a própria ABIROCHAS, é o código principal de exportação de chapas de quartzitos maciços e de chapas de rochas silicáticas exóticas. Portanto: o preço de US$ 2.370 por tonelada é o preço médio de uma cesta, não o preço do quartzito. Não deve ser lido como cotação de material, nem usado para precificar uma pedreira, nem comparado com o preço de um código estrangeiro sem antes verificar o que o código estrangeiro contém.
A tabela completa das principais NCM de 2025 ajuda a ver a cesta inteira:
| NCM | principal material exportado | US$ milhões | mil t | US$/t |
|---|---|---|---|---|
| 6802.99.90 | chapas de quartzitos maciços | 694,9 | 293,2 | 2.370 |
| 6802.93.90 | chapas de granitos | 272,7 | 448,6 | 608 |
| 2516.12.00 | blocos de granitos | 166,1 | 767,2 | 217 |
| 2506.20.00 | blocos de quartzitos maciços | 144,5 | 254,1 | 569 |
| 6802.91.00 | chapas de mármores | 51,5 | 37,8 | 1.363 |
| 6803.00.00 | obras de ardósias | 49,9 | 110,9 | 450 |
| 2515.12.10 | blocos de mármores | 36,1 | 98,8 | 365 |
Fonte: ABIROCHAS, Informe 12/2025, tabela de principais NCM, página 3. As sete linhas somam US$ 1.415,7 milhões, 95,9% do total exportado em 2025. Cálculo amano para a soma e a participação.
A frase que o número sustenta, e a que ele não sustenta.
Sustenta: existe uma linha aduaneira brasileira, com US$ 694,9 milhões de receita em 2025, cujo preço médio de US$ 2.370 por tonelada supera o preço médio nacional italiano de US$ 1.157,4 por tonelada em 2,05 vezes. Dentro da própria pauta brasileira há material que alcança preço unitário muito acima da média do país.
Não sustenta: que o material brasileiro supere o italiano de modo geral. A Itália também tem linhas acima da sua própria média nacional, e a abertura italiana por código aduaneiro não foi localizada em fonte pública. Comparar uma linha brasileira com uma média nacional italiana é comparar um pedaço com um todo. A frase da versão anterior, que afirmava haver material brasileiro superando amplamente a média italiana por tonelada, era verdadeira ao pé da letra e enganosa na sugestão. Foi reescrita.
Contraponto sob régua única. Quando Brasil e Itália são medidos pelo mesmo código, no mesmo ano, na mesma unidade e na mesma base, no HS 6802 de 2023, a Itália exporta a US$ 1.879 por tonelada e o Brasil a US$ 946. Duas vezes. O capítulo 8 traz a tabela. As duas leituras precisam ser publicadas juntas, sempre. Uma sem a outra é propaganda.
8Um benchmark realmente comparável: HS 6802 em 2023.
Para reduzir o problema das metodologias nacionais, o Observatório buscou uma base em que os países fossem medidos pelo mesmo heading do Sistema Harmonizado, no mesmo ano, com a mesma unidade e a mesma base declarante. O heading HS 6802, worked monumental or building stone and articles thereof, oferece essa fotografia para 2023 no World Bank WITS sobre UN Comtrade.
Os valores foram conferidos na consulta em 12 de agosto de 2026:
| país | valor exportado, US$ mil | quantidade, t | valor médio, US$/t |
|---|---|---|---|
| China | 5.063.387 | 4.999.650 | 1.013 |
| Itália | 1.727.535 | 919.373 | 1.879 |
| Turquia | 1.231.468 | 2.706.720 | 455 |
| Índia | 1.161.208 | 2.708.540 | 429 |
| Brasil | 810.779 | 857.478 | 946 |
Fonte T1: World Bank WITS sobre UN Comtrade, HS 6802, exportações de 2023, consulta de 12/08/2026. wits.worldbank.org/trade/comtrade/en/c…WLD/product/6802
Cálculo amano: valor declarado dividido por quantidade declarada. Quantidades reportadas na base em quilogramas e convertidas para toneladas.
Razões, refeitas:
- Itália sobre Brasil: 1.879 dividido por 946 = 1,99 vezes, ou 2,0;
- Itália sobre Índia: 1.879 dividido por 429 = 4,38 vezes, ou 4,4;
- Itália sobre Turquia: 1.879 dividido por 455 = 4,13 vezes, ou 4,1;
- China sobre Brasil: 1.013 dividido por 946 = 1,07, a China 7% acima.
A versão anterior publicava 4,1 vezes tanto para a Índia quanto para a Turquia. Era repetição acidental. O correto para a Índia é 4,4.
Nota de leitura obrigatória ao lado desta tabela.
A China aparece aqui com US$ 5,063 bilhões em 2023 e aparece no capítulo 6 com US$ 3,978 bilhões em 2025. Isso não é uma queda de 21%. São dois anos diferentes e dois perímetros diferentes: o HS 6802 mede apenas pedra trabalhada, um heading; o número de 2025 do Centro Studi mede a pauta de pedra natural na cesta da associação, que inclui códigos de bruto e exclui outros. Quem colocar os dois na mesma série produz uma variação que não existe.
O recorte HS 6802 não mede todo o setor. Exclui blocos e outras formas brutas. É justamente por isso que ele serve: mede um universo mais homogêneo.
Interpretação amano. "Processado" ainda contém modelos muito diferentes de captura de valor. A China combina escala enorme com valor unitário próximo ao brasileiro. A Itália combina transformação com composição de pauta, execução, tecnologia, distribuição, desenho e reputação. Transformação industrial é condição relevante, não suficiente. O capítulo 7 mostra o outro lado da mesma moeda: Brasil e Itália têm parcela transformada quase igual e preço unitário muito distinto.
9O primeiro semestre de 2026, que o corte anterior deixava de fora.
A versão anterior declarava corte de agosto de 2026 e não usava um único dado de 2026. O semestre está fechado e publicado, e num estudo sobre posição internacional ele é a notícia.
| indicador | 1º semestre de 2026 | variação sobre o 1º semestre de 2025 |
|---|---|---|
| exportação brasileira | US$ 705,0 milhões | −4,6% |
| volume | 1.037,0 mil toneladas | −0,4% |
| preço médio | US$ 680 por tonelada | contra US$ 699 no ano de 2025 |
Fonte: ABIROCHAS, Informe 07/2026, Exportações do 1º semestre. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…_Semestre-v3.pdf
Os destinos giraram.
| destino | valor | participação | variação em valor | variação em volume | preço médio |
|---|---|---|---|---|---|
| Estados Unidos | US$ 364,2 milhões | 51,66% | −14,45% | −16,83% | US$ 1,34/kg, ou 1.342/t |
| China | US$ 142,7 milhões | 20,24% | +31,04% | +16,03% | US$ 0,2829/kg, ou 283/t |
| Itália | US$ 49,9 milhões | 7,08% | −15,9% | não publicado | não publicado |
Fonte: ABIROCHAS, Informe 07/2026, tabelas por destino. Participações e conversão de US$/kg para US$/t são cálculo amano. A variação italiana vem do banco do Observatório sobre a mesma fonte.
As principais NCM no semestre.
| NCM | principal material | US$ milhões | mil t | US$/t | contra 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| 6802.99.90 | chapas de quartzitos maciços | 350,4 | 156,1 | 2.240 | preço 5,5% abaixo dos US$ 2.370 de 2025 |
| 6802.93.90 | chapas de granitos | 103,5 | 192,6 | 540 | abaixo dos US$ 608 |
| 2516.12.00 | blocos de granitos | 89,7 | 390,2 | 230 | acima dos US$ 217 |
| 2506.20.00 | blocos de quartzitos maciços | 78,1 | 141,1 | 550 | abaixo dos US$ 569 |
Fonte: ABIROCHAS, Informe 07/2026, tabela 3. Comparação com 2025 é cálculo amano sobre o Informe 12/2025.
Interpretação amano. O semestre desenha exatamente o cenário 1 do capítulo 29, "sobe em volume, não em valor", em versão reduzida: o volume brasileiro ficou praticamente estável, −0,4%, e o valor caiu 4,6%. A linha de maior preço unitário do país, a 6802.99.90, embarcou mais toneladas com preço 5,5% menor. E o país trocou dólar americano por tonelada chinesa: os Estados Unidos caíram US$ 61,5 milhões e a China subiu US$ 33,8 milhões, numa relação de preço de 1.342 contra 283 dólares por tonelada. Cada dólar recuperado na China custa 4,7 vezes mais tonelada que o dólar perdido nos Estados Unidos.
Cálculo amano da última frase: 1.342 dividido por 283 é 4,74.
10A tarifa americana, que muda a comparação internacional em 2026.
A versão anterior deste estudo tratava de concentração no mercado americano sem mencionar uma única vez as tarifas em vigor desde julho de 2026. Era a maior lacuna do texto, porque o país que compra metade da pauta brasileira mudou as regras no meio do ano.
Existem duas ações distintas da Seção 301, com bases legais, datas e alcances diferentes. Elas são descritas separadamente, e não são somadas neste texto.
Camada 1 · Seção 301 sobre o Brasil, 25%.
- Aviso final do USTR de 15 de julho de 2026.
- Vigência às 12h01 de 22 de julho de 2026.
- Heading HTSUS 9903.05.01, 25% ad valorem.
- Mais de duas mil subposições excluídas, e entre elas, no Anexo I, subdivisão (a) inciso (ii), a HTSUS 6802.99.00, que abriga o quartzito e o quartzo natural beneficiados.
- Nenhum outro código de rocha aparece na lista de exclusões. Blocos de quartzito, granito, mármore, ardósia e calcário pagam os 25%.
- Mensagem operacional da alfândega: CSMS nº 69302472.
Fonte: USTR, Notice of Action, 15/07/2026. ustr.gov/sites/default/files/files/Iss…2026%20final.pdf
Camada 2 · Seção 301 sobre trabalho forçado, 12,5% para o Brasil.
- Federal Register 2026-15181, publicado em 28 de julho de 2026, citação 91 FR 47318.
- Vigência às 12h01 de 24 de julho de 2026.
- Brasil em 12,5%. China em 12,5%. Turquia em 12,5%. Índia em 10%, por ter adotado proibição de trabalho forçado depois de junho de 2026.
- União Europeia sob regra distinta: alíquota de 10% líquida da tarifa de nação mais favorecida, isto é, quando a NMF do item for inferior a 10% a soma das duas chega a 10%, e quando for igual ou superior a 10% a alíquota da Seção 301 é zero.
- 471 mercadorias brasileiras isentas. Rochas ornamentais não estão entre elas, inclusive a 6802.99.00.
- Mensagem operacional da alfândega: CSMS nº 69326983.
Fonte: Federal Register, 2026-15181, 28/07/2026. federalregister.gov/documents/2026/07/…arious-economies
O que isso faz com cada material brasileiro.
| material | código | camada 1, 25% | camada 2, 12,5% |
|---|---|---|---|
| chapa de quartzito e quartzo natural | HTSUS 6802.99.00 | isento | sujeito |
| bloco de quartzito | HTSUS 2506.20.00 | sujeito | sujeito |
| granito, bruto e processado | 2516, 6802.93 e correlatos | sujeito | sujeito |
| mármore e travertino | 2515, 6802.21, 6802.91 | sujeito | sujeito |
| ardósia | 6803 | sujeito | sujeito |
O que não se pode afirmar.
Pendência declarada. O setor publica o cenário de 37,5% para os materiais atingidos pelas duas camadas. Até 08 de agosto de 2026 não saiu mensagem CSMS nem aviso no Federal Register dizendo explicitamente que a heading 9903.05.01 e as headings 9903.05.2x se somam sobre a mesma mercadoria. O que existe é a cláusula do aviso de 15 de julho segundo a qual as mercadorias da 9903.05.01 continuam sujeitas a outros direitos, taxas e encargos aplicáveis. A imprensa técnica americana registra a mesma pendência, nestes termos: a forma como as duas medidas serão aplicadas em conjunto "ainda aguarda orientação de implementação da CBP". Este estudo não soma alíquotas. Publica as duas camadas, com data e ato, e trata os 37,5% como cenário anunciado, não como fato apurado.
Fonte da pendência: TileLetter, 27/07/2026. tileletter.com/new-u-s-tariff-changes-…-natural-stones/
Contencioso. O Brasil pediu consultas na Organização Mundial do Comércio contra as duas medidas em 28 de julho de 2026, o que abre prazo de sessenta dias antes de eventual pedido de painel. Registro do banco do Observatório.
Por que isso é o fato que mais mexe na comparação internacional.
Três razões, todas com número.
Primeira, o peso. A NCM 6802.99.90 respondeu por 76,9% da receita brasileira nos Estados Unidos no 1º semestre de 2026, US$ 280 milhões de um total de US$ 364,2 milhões. Fonte: ABIROCHAS, via imprensa setorial, 18/07/2026. A linha isenta da camada de 25% é justamente a que carrega três quartos da pauta brasileira no maior mercado do país.
Segunda, a assimetria interna. Dentro do Brasil, a alfândega americana criou uma diferença de 25 pontos percentuais entre embarcar chapa de quartzito e embarcar qualquer outra rocha, inclusive o bloco de quartzito da mesma pedreira. É a mesma direção que o preço já apontava, de US$ 569 para US$ 2.370 por tonelada em 2025, agora reforçada por instrumento fiscal.
Terceira, a assimetria externa. Para o mesmo comprador americano, a Índia entrou em 10% e o Brasil em 12,5%. A Itália está sob a regra da União Europeia, cujo efeito prático por código não foi localizado em fonte primária. Pendência declarada: o banco do Observatório registra que a Centrorochas reporta a Itália em 0% e que o aviso de 28 de julho inclui a União Europeia entre as economias alcançadas, sob a regra de 10% líquida da NMF. As duas leituras podem coexistir, e a reconciliação por código não foi feita. Procurou-se no Federal Register 2026-15181 e no aviso do USTR de 15/07/2026. Enquanto não houver a leitura por código, este estudo não publica número de tarifa italiana.
O contexto de mercado que a tarifa encontra.
| indicador do mercado americano | 2025 | fonte |
|---|---|---|
| importações totais de rocha natural mais quartzo engenheirado | US$ 3,98 bilhões, −6,2% | USITC DataWeb, via Stone World |
| Brasil, primeiro fornecedor | US$ 787 milhões, +14,6%, 19,8% do total | idem |
| quartzito natural | US$ 609 milhões, +47,2% | idem |
| granito | US$ 571 milhões, −17,3% | idem |
| quartzo engenheirado | US$ 1,35 bilhão, −16,5% | idem |
Nota de espelho. O Brasil declarou US$ 795 milhões exportados para os Estados Unidos em 2025 (Centrorochas) e a estatística americana registra US$ 787 milhões importados do Brasil na cesta ampliada. A diferença de 1% é típica de dado espelho, com base FOB de um lado e outra composição de cesta do outro. Os dois números são citáveis. Não devem ser somados nem tratados como divergência de apuração.
Interpretação amano. O quartzito natural cresceu 47,2% no mercado americano no mesmo ano em que o quartzo engenheirado caiu 16,5%. É o argumento comercial mais forte disponível hoje para quem tem quartzito, e é também a razão pela qual a isenção da 6802.99.00 na camada de 25% importa mais do que qualquer posição em ranking mundial.
11A Itália não é apenas concorrente.
Em 2025, US$ 273,8 milhões do valor italiano exportado em materiais brutos tiveram a China como destino, cerca de metade de todo o bruto italiano, que somou US$ 549,2 milhões. A Índia comprou US$ 59,5 milhões em brutos italianos, alta de 17,9%. As duas linhas estão na mesma leitura do Centro Studi de 20 de junho de 2026, e a segunda resolve uma afirmação que a versão anterior fazia sem fonte.
No sentido inverso, a Itália é compradora do Brasil. Em 2025 o país recebeu US$ 117,7 milhões em rochas brasileiras, alta de 42,2%, terceiro destino, a um preço médio de US$ 640 por tonelada. No 1º semestre de 2026 foram US$ 49,9 milhões, queda de 15,9%.
Ressalva. A afirmação da versão anterior de que "a Itália aparece como compradora de quartzito bruto brasileiro" tem sustentação parcial e precisa de recorte mais estreito. O que está confirmado em fonte identificada:
- o preço médio de US$ 640 por tonelada da pauta brasileira para a Itália em 2025 está na faixa de bloco, muito abaixo dos US$ 1.342 por tonelada da pauta para os Estados Unidos e muito acima dos US$ 283 por tonelada da pauta para a China (banco do Observatório e Informe 07/2026);
- no Ceará, terceiro estado exportador no 1º semestre de 2026, a Itália foi o primeiro destino com US$ 21,49 milhões, num semestre em que o quartzito cearense somou US$ 40,6 milhões, alta de 48,0%, com Taj Mahal, Perla Venata, Matira, Perla Santana, Nayca e Avohai entre os materiais (CIN/FIEC, via O Povo, 21/07/2026).
Lacuna nomeada. Nenhuma fonte pública localizada abre o fluxo Brasil para Itália simultaneamente por material e por estágio, bruto ou processado. Procurou-se nos informes 12/2025 e 07/2026 da ABIROCHAS, que abrem por NCM e por destino em tabelas separadas, e no WITS sobre UN Comtrade, cuja consulta ao par Itália e HS 2506 em 2024 retornou erro de serviço em 12/08/2026. A afirmação "a Itália compra quartzito bruto brasileiro" fica registrada como leitura plausível e não confirmada, sustentada por indício de preço e por concentração estadual.
O comércio de pedra não é uma disputa em que cada país ocupa posição fixa. É uma rede:
origem, país transformador, país distribuidor, país especificador, obra final.
A unidade de análise futura precisa acompanhar a cadeia, não a bandeira.
12China: liderar não significa a mesma coisa que na Itália.
A China lidera o comércio mundial em valor na ordem divulgada para 2025, com US$ 3.978 milhões. A natureza da vantagem chinesa não é a mesma da italiana.
A China reúne capacidade industrial, escala logística, transformação, mercado doméstico, compra internacional de blocos, exportação de manufaturados, cadeia de máquinas e distribuição. Uma comparação que usa apenas dólares de exportação mistura tudo isso numa única casa decimal.
Ressalva de perímetro. O banco do Observatório registra dois números chineses para 2025: US$ 3.978 milhões de rocha natural, do Centro Studi, e US$ 4,2 bilhões sobre 7,98 milhões de toneladas, da China Stone Material Association, que inclui pedra artificial. O segundo não é comparável com o primeiro nem com os números brasileiro e italiano. O preço médio chinês de US$ 526 por tonelada que circula em algumas leituras é derivação do Observatório sobre o segundo número e carrega a pedra artificial dentro. Não deve ser colocado ao lado dos US$ 1.157,4 italianos nem dos US$ 699 brasileiros.
A nova régua separa, no mínimo: exportação de bruto, exportação de processado, preço médio, volume, saldo comercial, compra de blocos estrangeiros, tecnologia de processamento e mercado interno. A decomposição evita o erro mais recorrente do setor, que é presumir que todos os países líderes ocupam a mesma posição da cadeia.
13Índia: o mesmo país com três preços, e todos verdadeiros.
A Índia é o melhor exemplo pedagógico deste estudo, porque três números diferentes de preço unitário indiano circulam ao mesmo tempo, todos corretos, todos incomparáveis entre si.
| número | perímetro | ano | fonte |
|---|---|---|---|
| US$ 164,20 por tonelada | pauta total de exportação de pedra natural | 2024 | Centro Studi Confindustria Marmomacchine, via Marmo Macchine International, 18/04/2026 |
| US$ 429 por tonelada | apenas o heading HS 6802, pedra trabalhada | 2023 | WITS sobre UN Comtrade |
| US$ 22,90 por metro quadrado | apenas material acabado | 2024 | Centro Studi, via Marmo Macchine International, 18/04/2026 |
A versão anterior deste estudo usava os US$ 164,20 como se fossem preço médio geral comparável, colocando-os ao lado do preço médio total italiano de 2025. A auditoria retirou a comparação e a V3 passou a usar os US$ 429 do mesmo perímetro HS 6802. A decisão está mantida e agora ganha a explicação completa, com uma correção de anotação.
Correção de anotação. O banco do Observatório qualifica os US$ 164,20 como preço de "bloco bruto". A fonte localizada em 12/08/2026 não faz essa qualificação: o informe do Marmo Macchine International de 18 de abril de 2026 apresenta o valor como preço médio da pauta indiana de 2024, ao lado de exportações de US$ 1,7 bilhão, participação de 10,1% no comércio mundial, quarta posição global atrás de China, Itália e Turquia, e de uma parcela de acabados e semiacabados que subiu de 55% em 2014 para 68% em 2024. Registro para o banco: a anotação "bloco bruto" precisa ser revista ou justificada com a página de origem.
Fonte: Marmo Macchine International, Focus India, 18/04/2026. marmomacchineinternational.com/en/focu…ports-continues/
Por que os dois números convivem. Se a pauta total indiana de 2024 rende US$ 164,20 por tonelada e o heading de pedra trabalhada rendia US$ 429 por tonelada em 2023, a diferença mede o peso do volume bruto na pauta indiana, não uma contradição. Um país que exporta muita tonelada barata e alguma tonelada cara tem preço médio total baixo e preço médio de trabalhado bem maior. Publicar apenas o primeiro faz a Índia parecer irrelevante em valor. Publicar apenas o segundo faz a Índia parecer premium. Publicar os dois, com o perímetro escrito ao lado, é a única leitura honesta.
Pendência. A parcela indiana de 68% de acabados e semiacabados em 2024 não vem com a indicação de ser participação em valor ou em volume. Enquanto isso não estiver esclarecido, ela não entra na mesma coluna dos 77,4% italianos e dos 75,47% brasileiros do capítulo 7. Procurou-se no mesmo informe do Marmo Macchine International, que não faz a distinção.
No recorte homogêneo do HS 6802 de 2023, a Itália registra 4,4 vezes o valor unitário indiano e 4,1 vezes o turco. O aprendizado sobrevive à correção: transformação industrial não elimina diferenças de composição de pauta, posicionamento, canal e preço unitário.
14Brasil: o país com duas economias de pedra.
O Brasil opera, ao mesmo tempo, em duas economias distintas.
Economia mineral: jazidas, blocos, volume, logística pesada, China, Itália, Índia, preço por tonelada menor, vantagem geológica. Em 2025 essa economia foi 24,53% da receita exportada e 55,73% do volume, a um preço médio calculado de US$ 308 por tonelada.
Economia da especificação: chapas, seleção, acabamento, mostruário, marmoraria, arquiteto, projetista, residencial de alto padrão, hotelaria, Estados Unidos, preço unitário maior. Em 2025 foi 75,47% da receita e 44,27% do volume, a um preço médio calculado de US$ 1.192 por tonelada.
Cálculo amano sobre a ABIROCHAS, Informe 12/2025 e Informe 01/2026, com os insumos declarados no capítulo 7.
A geografia acompanha a divisão. Em 2025 o Espírito Santo respondeu por 78,4% do valor exportado, US$ 1.157,3 milhões sobre 1.463,9 mil toneladas, US$ 790 por tonelada, enquanto Minas Gerais exportou US$ 134,8 milhões sobre 343,2 mil toneladas, US$ 390 por tonelada. Fonte: ABIROCHAS, Informe 01/2026 para valor e Informe 12/2025 para volume.
E a produção conta a outra metade: no mesmo ano, a Bahia empatou com o Espírito Santo em produção de lavra, 2,2 milhões de toneladas cada, enquanto o Espírito Santo caía de 2,4 para 2,2 milhões. Estado que produz menos e exporta recorde é estado que beneficia e embarca pedra lavrada por outros. Os 78,4% medem capacidade industrial e portuária, não riqueza geológica. Fonte: ABIROCHAS, Informe 01/2026, estimativa de produção por estado.
A régua internacional precisa mostrar em qual das duas economias o país está crescendo. No 1º semestre de 2026, a resposta preliminar é desconfortável: o volume ficou estável, o valor caiu e a linha de maior preço unitário embarcou mais tonelada a preço menor.
15O problema do denominador mundial, com o último denominador conhecido publicado.
Uma das tentações mais frequentes em estudos de mercado é procurar um número chamado "tamanho global do mercado de pedra natural". O problema é que diferentes relatórios incluem coisas diferentes: pedra extraída, bloco, chapa, material acabado, piso, revestimento, pedra de construção, monumentos, pedra engenheirada, instalação, varejo. Dois números podem ser metodologicamente incompatíveis e ainda assim serem vendidos como o mesmo "market size".
A versão anterior discutia esse problema por um capítulo inteiro sem publicar o último total mundial conhecido, ao mesmo tempo em que publicava a parcela brasileira de 5,2% do mundo. Percentual sem denominador é meia informação. Correção feita.
O que o Rapporto de 2020 realmente diz.
O XXXII Rapporto, de Montani, edição que carrega os dados de 2020, afirma no próprio texto, em italiano:
"la produzione lorda ha raggiunto un nuovo massimo collocandosi nell'ordine dei 318 milioni di tonnellate, che al netto dei cascami di cava e di lavorazione hanno dato luogo a un volume netto pari a circa 92 milioni di tonnellate"
Ou seja, o mesmo relatório trabalha com três níveis de produção, e é obrigatório dizer qual deles está sendo usado:
| nível | 2020 | o que é |
|---|---|---|
| produção bruta de lavra | 318 milhões de toneladas | tudo o que sai da frente de lavra, resíduo incluído |
| produção comercializável, base das tabelas por país | cerca de 155 milhões de toneladas | o nível em que o Brasil aparece com 8,0 Mt e 5,2% |
| volume líquido após resíduo de lavra e de beneficiamento | cerca de 92 milhões de toneladas | o material que efetivamente vira peça |
Como se chega ao nível intermediário. O texto do Rapporto informa que a Ásia respondeu por 68% da produção mundial e que China, Índia e Turquia somaram cerca de 60%. Esses três países aparecem, na tabela por país de 2020 registrada no banco do Observatório, com 52,5, 27,5 e 11,25 milhões de toneladas, total de 91,25 milhões. Cálculo amano: 91,25 dividido por 0,60 dá 152,1 milhões de toneladas. Os dez maiores produtores somam 127,85 milhões de toneladas, o que já torna aritmeticamente impossível que a tabela por país esteja no nível de 92 milhões. O nível de referência das tabelas por país é, portanto, da ordem de 152 a 155 milhões de toneladas, e não de 92.
Como publicar a parcela brasileira, a partir de agora:
Em 2020 o Brasil foi o 4º produtor mundial de rochas ornamentais, com 8,0 milhões de toneladas, 5,2% de um total mundial da ordem de 155,0 milhões de toneladas de produção comercializável, que correspondem a 318 milhões de toneladas brutas de lavra. Fonte: Montani, XXXII Rapporto marmo e pietre nel mondo, tabela 7, para a linha do Brasil; o total mundial bruto está no texto do próprio relatório.
Confirmação lateral, com fonte que respondeu integralmente: para 2019, a ABIROCHAS publica no Cenário Mundial a tabela 1 com total mundial de 154,5 milhões de toneladas, China 50,0 Mt e 32,4%, Índia 26,5 Mt e 17,2%, Turquia 11,8 Mt e 7,6%, Irã 8,3 Mt e 5,3%, Brasil 8,2 Mt e 5,3%, Itália 5,9 Mt e 3,8%, atribuindo os dados a Montani, XXXI Rapporto, 2020. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…Mundial-2021.pdf
Pendência declarada. As tabelas do PDF do XXXII Rapporto não sobreviveram à leitura automatizada em 12/08/2026: só o texto corrido retornou. O valor de 155,0 milhões de toneladas para 2020 vem do banco do Observatório e é corroborado pela derivação acima e pelo total de 154,5 milhões de 2019 na fonte da ABIROCHAS. A confirmação célula a célula na tabela 7 exige leitura humana do PDF, e está registrada como tarefa aberta.
O tamanho do comércio, que é outra coisa.
| estimativa | valor | escopo | avaliação do Observatório |
|---|---|---|---|
| Mordor Intelligence | US$ 37,89 bi em 2025, US$ 47,63 bi em 2030 | inclui monumentos, pisos, revestimento, paisagismo e bancadas | consultoria, metodologia não verificável |
| Grand View Research | US$ 10,6 bi em 2025, US$ 16,9 bi em 2033 | escopo não detalhado | consultoria, metodologia não verificável |
| derivação do Observatório | cerca de US$ 16,8 bilhões de comércio internacional em 2024 | apenas comércio exterior de pedra natural | única ancorada em medição |
Cálculo amano da terceira linha: a Índia exportou US$ 1,7 bilhão em 2024 e isso equivale a 10,1% do comércio mundial, segundo o Centro Studi Confindustria Marmomacchine. 1,7 dividido por 0,101 dá US$ 16,83 bilhões. É regra de três sobre dois números da mesma fonte, e é a única âncora de tamanho de mercado que o Observatório aceita hoje. As duas estimativas de consultoria são irreconciliáveis entre si, uma é 3,6 vezes a outra, e o Observatório publica as três sem escolher.
Regra da casa: não existe tamanho de mercado útil sem definição de perímetro. Antes de publicar qualquer valor global, perguntar: produção ou venda? FOB ou varejo? Só pedra natural? Bruto e processado? Instalação incluída? Moeda corrente ou constante? Qual ano-base? Quais códigos do Sistema Harmonizado?
16Proposta amano · uma régua internacional de oito eixos.
Isto é proposta, não infraestrutura em operação. Nenhum dos oito eixos abaixo existe hoje como painel publicado. O que existe é a lista de variáveis que a comparação internacional precisaria ter para não depender de um ordinal.
Eixo 1, escala mineral: produção de lavra, volume exportado, reservas e recursos quando disponíveis, número de pedreiras.
Eixo 2, transformação: bruto contra processado, capacidade industrial, produtividade, tecnologia, rendimento.
Eixo 3, valor: preço médio por tonelada, preço por metro quadrado quando comparável, composição da pauta, crescimento de receita contra crescimento de volume.
Eixo 4, mercado: principais destinos, concentração, diversificação, dependência.
Eixo 5, origem: materiais reconhecíveis, indicações geográficas, denominações, rastreabilidade, nomes de material.
Eixo 6, especificação: presença em obras, arquitetos e projetistas, educação técnica, créditos de educação continuada, bibliotecas de materiais.
Eixo 7, reputação: feiras, imprensa, prêmios, obras emblemáticas, influência cultural.
Eixo 8, sustentabilidade e conformidade: declarações ambientais, declarações de saúde, certificação, origem responsável, carbono, segurança ocupacional, circularidade.
A ideia não é produzir uma nota geral arbitrária. É comparar perfis.
17Proposta amano · os sete índices, com a viabilidade de cada um declarada.
Todos os sete são propostas de amano. Nenhum está em operação. A versão anterior os apresentava em pé de igualdade, como se fossem sete instrumentos equivalentes. Não são. Um é calculável hoje com fonte pública; dois são parciais e exigem reconstrução por cesta de códigos; três não têm insumo; e um é calculável só depois de uma decisão de corte que ninguém publicou.
Cada ficha responde quatro perguntas: o que mede, qual dado exige, se esse dado existe hoje em fonte pública identificada, e o que falta.
Índice 1 · EVT, Export Value per Tonne.
valor exportado dividido por toneladas exportadas
O que mede. Captura unitária da pauta exportadora. Não é margem, não é lucro, não é preço de venda de material: é quanto de receita o país traz por tonelada embarcada.
Qual dado exige. Valor e quantidade da exportação, do mesmo perímetro, do mesmo ano.
Existe hoje? Sim, calculável. Brasil: ABIROCHAS, Informes 12/2025 e 07/2026, US$ 699,2 em 2025 e US$ 680 no 1º semestre de 2026. Itália: Centro Studi Confindustria Marmomacchine, US$ 1.157,4 em 2025. Turquia: Centro Studi, US$ 343,70 de janeiro a julho de 2025. Índia: Centro Studi, US$ 164,20 em 2024. Portugal: estatística oficial provisória com a ASSIMAGRA, € 268,94 no 1º semestre de 2025. China: US$ 526, derivação do Observatório sobre dado que inclui pedra artificial. Para qualquer outro país, o WITS sobre UN Comtrade fornece valor e quantidade.
O que falta. Não falta insumo. Falta comparabilidade. Cada uma dessas linhas tem perímetro próprio: a chinesa inclui pedra artificial, a turca cobre sete meses, a portuguesa está em euro e em semestre, a indiana é de outro ano. O EVT é calculável hoje para muitos países e não é comparável entre eles sem nota, exceto quando reconstruído sobre a mesma cesta de códigos, como no HS 6802 do capítulo 8. Publicar EVT sem a coluna de perímetro é reproduzir o erro que este estudo denuncia.
Índice 2 · TRS, Transformation Revenue Share.
receita de trabalhados e semitrabalhados dividida pela receita total exportada
O que mede. Quanto da pauta está depois da etapa bruta.
Qual dado exige. Receita exportada aberta em pelo menos duas faixas, bruto e processado, sob uma definição estável.
Existe hoje? Parcial, e melhor do que se supunha. Para a Itália, os dois termos estão publicados: US$ 549,2 milhões de brutos e US$ 1.880 milhões de trabalhados e semitrabalhados em 2025, TRS de 77,4%, Centro Studi Confindustria Marmomacchine. Para o Brasil, o dado existe e não estava sendo usado: a ABIROCHAS publica no Informe 12/2025 que as rochas processadas foram 75,47% do faturamento e 44,27% do volume de 2025, o que dá TRS de 75,47%. Para a Índia, há uma parcela de 68% de acabados e semiacabados em 2024, sem indicação de ser valor ou volume.
O que falta. Falta a tabela de equivalência entre as definições. "Trabalhados e semitrabalhados" do Centro Studi e "rochas processadas" da ABIROCHAS são construções institucionais distintas sobre nomenclaturas distintas, e ninguém publicou a correspondência. Falta também a tonelagem por faixa do lado italiano, sem a qual não se calcula o preço unitário da faixa processada e a comparação processado contra processado fica impossível. Para os demais países, o TRS só sai reconstruindo cesta de códigos no Comex Stat, no equivalente nacional ou no UN Comtrade, decidindo caso a caso o que é bruto e o que é processado. Até que a correspondência exista, o TRS é publicável por país, com a fonte ao lado, e não em ranking.
Índice 3 · HHI de destinos, concentração de mercado.
soma dos quadrados das participações de cada destino na receita exportada
O que mede. Concentração da pauta em poucos compradores. Permite distinguir crescimento saudável de dependência.
Qual dado exige. A distribuição completa de destinos, não os três ou quatro maiores.
Existe hoje? Parcial. O banco do Observatório e os informes trazem os maiores destinos brasileiros, mas não a cauda. Com o que está publicado sai apenas um piso, nunca o valor verdadeiro, porque a parcela restante só pode aumentar a soma dos quadrados.
Demonstração, com corte declarado. Cálculo amano sobre os três maiores destinos, em pontos de uma escala de 10.000:
| recorte | Estados Unidos | China | Itália | piso do HHI | cobertura |
|---|---|---|---|---|---|
| 2025 | 53,6% | 17,5% | 8,0% | 3.243 pontos | 79,1% da receita |
| 1º semestre de 2026 | 51,66% | 20,24% | 7,08% | 3.129 pontos | 78,98% da receita |
Leitura: mesmo o piso já indica concentração alta. E o piso caiu de um período para o outro, não porque a pauta tenha se diversificado por escolha, mas porque a queda de 14,45% nos Estados Unidos foi parcialmente substituída por alta de 31,04% na China, a um quinto do preço por tonelada. Diversificação medida só por HHI é cega a preço.
O que falta. A distribuição completa por destino, obtenível no Comex Stat para o Brasil e no UN Comtrade para os demais países. É trabalho de extração, não de fonte inexistente. Enquanto não for feito, publicar sempre como piso e nunca como HHI.
Índice 4 · STR, Stone-Tech Ratio.
exportação de tecnologia da pedra dividida pela exportação de pedra
O que mede. Capacidade de capturar valor fora da matéria, vendendo a máquina que outro país usa para transformar pedra.
Qual dado exige. Uma cesta de códigos definida para "tecnologia da pedra" e a série de exportação dessa cesta, no mesmo ano da série de pedra.
Existe hoje? Só para a Itália, e por fonte associativa. Em 2025 a Itália exportou US$ 1.027,2 milhões em máquinas e tecnologias para pedra, queda de 0,8%, contra US$ 2.428 milhões de pedra natural. Cálculo amano: STR de 0,42. Para cada dólar exportado em pedra natural, a Itália exportou 42 centavos em tecnologia da cadeia. A soma das duas exportações dá US$ 3.455,2 milhões. Fonte: Centro Studi Confindustria Marmomacchine, via Marmo Macchine International, 14/06/2026. marmomacchineinternational.com/en/ital…-stable-in-2025/
Correção da versão anterior. O texto anterior publicava US$ 1,037 bilhão de tecnologia, exportação combinada de US$ 3,465 bilhões e razão de 0,43. O número localizado na fonte é US$ 1.027,2 milhões. Os três valores foram recalculados: 1.027,2, 3.455,2 e 0,42. Procurou-se o valor de 1,037 na página da assembleia geral de 2026 da Confindustria Marmomacchine, que recusou consulta automatizada por robots.txt nas versões italiana e inglesa. Não localizado.
O que falta, do lado brasileiro. Tudo. Não existe cesta de códigos definida para "tecnologia da pedra" na nomenclatura brasileira, e não existe série apurada. O que existiria, se a cesta fosse definida, é a base Comex Stat para consultá-la. Proposta sem insumo até que a cesta seja definida e apurada. Até lá o STR brasileiro é uma lacuna estratégica nomeada, e não um número pendente de cálculo.
Índice 5 · ODC, Origin Documentation Coverage.
materiais prioritários com origem verificável dividido pelo total de materiais prioritários
O que mede. Que fração do portfólio nacional relevante tem proveniência que resiste a verificação.
Qual dado exige. Duas listas: a de materiais prioritários, e a de materiais com proveniência verificada até a pedreira.
Existe hoje? Não. Nem numerador nem denominador existem em fonte pública. "Material prioritário" não está definido em lugar nenhum, por nenhuma entidade. Proveniência verificada existe caso a caso no acervo do Observatório, sem cobertura sistemática.
O que falta. Antes do dado, falta uma decisão de definição: quem define material prioritário, por qual critério, com qual periodicidade de revisão. Depois disso, falta o levantamento. Proposta sem insumo, e que exige uma decisão antes de exigir uma apuração. O que existe hoje e pode ancorar o denominador é o registro oficial de indicações geográficas no INPI, que é fonte primária e cobre parte pequena do universo.
Índice 6 · SR, Specification Readiness.
parcela do portfólio com ensaio, guia de aplicação, documentação e disponibilidade declarada para especificação
O que mede. Se o material está pronto para ser especificado por um arquiteto sem que ele precise telefonar para alguém.
Qual dado exige. Levantamento primário, material a material e empresa a empresa: ensaio segundo norma, guia de aplicação, ficha técnica, documentação de origem e disponibilidade comercial.
Existe hoje? Não. Não é apurável de fonte secundária. Nenhuma associação, órgão público ou base internacional publica esse levantamento.
O que falta. Um levantamento primário, com desenho amostral declarado, e um critério publicado do que conta como ensaio válido, provavelmente ancorado nas normas ABNT NBR 15845 e nas ASTM C615, C616 e C503. Proposta sem insumo. É o índice mais caro da lista e o mais próximo do que decide uma venda.
Índice 7 · PPS, Premium Processed Share.
receita das linhas de maior valor unitário dividida pela receita processada total
O que mede. Quanto da faixa já transformada está na parte cara da faixa, e não apenas do lado processado da fronteira.
Qual dado exige. Valor e peso por código aduaneiro, para ordenar linhas por valor unitário, mais uma régua de corte publicada do que é "maior valor unitário".
Existe hoje? O insumo sim, a régua não. O Comex Stat dá valor e peso por NCM, e a ABIROCHAS já publica a tabela ordenada. O que não existe é o corte. Sem corte publicado, o índice não é reprodutível por terceiros, e um índice não reprodutível não é índice.
Demonstração, com corte declarado e arbitrário. Cálculo amano. Corte proposto: linhas processadas cujo preço unitário supere o preço médio nacional de exportação do ano, US$ 699 por tonelada em 2025. Universo: as linhas processadas da tabela de principais NCM do Informe 12/2025, que cobrem US$ 1.069,0 milhões, ou 96,0% da receita processada de US$ 1.113,8 milhões.
| linha processada | US$/t | acima do corte de 699? | US$ milhões |
|---|---|---|---|
| 6802.99.90, chapas de quartzitos | 2.370 | sim | 694,9 |
| 6802.91.00, chapas de mármores | 1.363 | sim | 51,5 |
| 6802.93.90, chapas de granitos | 608 | não | 272,7 |
| 6803.00.00, obras de ardósias | 450 | não | 49,9 |
PPS de demonstração: 746,4 dividido por 1.069,0 = 69,8%.
Isso significa que, dentro da faixa processada brasileira, cerca de sete de cada dez dólares vêm de linhas acima do preço médio nacional, e a maior parte disso vem de um único código. É concentração dentro da concentração.
O que falta. A régua de corte precisa ser decidida e publicada antes de o índice existir: se o corte é o preço médio nacional, se é um múltiplo dele, se é um valor absoluto fixo, se é atualizado por ano ou congelado. Enquanto a decisão não for publicada, o número acima é demonstração de método, não indicador. Proposta de amano.
Resumo dos sete.
| índice | viabilidade hoje | maior obstáculo |
|---|---|---|
| EVT | calculável | perímetros nacionais incompatíveis |
| TRS | parcial, dois países com dado publicado | falta a tabela de equivalência entre definições e a tonelagem italiana por faixa |
| HHI de destinos | parcial, só piso | falta a distribuição completa por destino |
| STR | só Itália | não existe cesta de códigos brasileira para tecnologia da pedra |
| ODC | sem insumo | falta antes uma decisão de definição |
| SR | sem insumo | exige levantamento primário |
| PPS | insumo sim, índice não | falta régua de corte publicada |
Os seis painéis do capítulo 27, chamados de espaços vazios de inteligência, são igualmente propostas, nenhum com insumo pronto.
18Quatro países, quatro modelos.
China, escala sistêmica. Força em escala, transformação, mercado interno e integração industrial. Lição para o Brasil: cadeia importa tanto quanto jazida.
Itália, transformação e reputação. Preço médio alto, três quartos da receita em trabalhados e semitrabalhados, tecnologia vendida separadamente, desenho e nome nacional associado à pedra. Lição: processamento vale mais quando conectado a repertório e canal. E, dado o capítulo 7, uma segunda lição: a vantagem italiana não está em transformar mais que o Brasil, está no que consegue cobrar pelo que transforma.
Índia, volume e diversidade. Grande base de produção e exportação, preço médio total baixo, parcela de acabados subindo de 55% para 68% entre 2014 e 2024. Lição: volume não é sinônimo de valor alto, e a parcela transformada pode crescer sem que o preço médio acompanhe.
Brasil, geodiversidade e ascensão do quartzito. Grande base geológica, quartzitos de alto valor unitário, forte mercado americano, transformação concentrada no Espírito Santo, parcela transformada já equivalente à italiana. Lição: o país já tem material de alto valor e já transforma; falta ampliar a proporção de valor que consegue capturar e provar.
19O que o preço por tonelada não conta.
Preço médio é indicador extraordinariamente útil e perigosamente sedutor.
Ele não conta margem, custo de energia, rendimento de lavra, seleção, espessura, acabamento, distância logística, composição de rochas, câmbio, frete, seguro, tributo, desconto comercial, estoque, custo de capital, devolução nem instalação.
Por isso a régua precisa de uma segunda camada, empresarial:
valor capturado por bloco = receita final do material, menos perdas, menos processamento, menos logística, menos custo comercial, menos custo do capital empregado.
Interpretação amano. Para uma pedreira, essa métrica é provavelmente mais importante que qualquer posição em ranking mundial.
20A tonelada e o metro quadrado.
Montani tinha a virtude de trabalhar também com preços por área. A versão anterior deste estudo dizia que "o Observatório deveria publicar ambos sempre que possível" e deixava de fora a única tabela de metro quadrado que o Observatório tem. Ela entra agora.
Preços por metro quadrado em 2020, em US$:
| país | US$/m² | país | US$/m² | |
|---|---|---|---|---|
| Itália | 73,7 | Espanha | 31,47 | |
| Alemanha | 67,1 | Portugal | 29,68 | |
| Bélgica | 61,91 | França | 26,9 | |
| China | 44,1 | Índia | 24,63 | |
| Brasil | 37,94 | México | 20,75 | |
| Grécia | 35,48 | Turquia | 19,62 | |
| média dos 12 líderes | 36,55 |
Fonte: banco do Observatório, série de preços por metro quadrado de 2020, de origem Montani. Pendência declarada: o banco não registra a edição nem a tabela de origem desses valores. A atribuição precisa ser fechada antes de a tabela ir para o HTML. Procurou-se no PDF do XXXII Rapporto em 12/08/2026, cujas tabelas não sobreviveram à leitura automatizada.
Cálculo amano. A razão Itália sobre Brasil nesta tabela é 73,7 dividido por 37,94, ou 1,94 vezes. No HS 6802 de 2023, medido em dólares por tonelada, a razão Itália sobre Brasil é 1,99 vezes. Duas unidades diferentes, dois anos diferentes, duas bases diferentes, e o mesmo resultado aproximado.
Interpretação amano. A convergência das duas razões, quase o dobro em ambas, é o indício mais robusto deste estudo de que a diferença Brasil e Itália é estrutural, e não artefato de unidade. Não é prova: são dois recortes que se apoiam, não uma medição repetida.
O metro quadrado exige os mesmos cuidados que a tonelada: espessuras diferentes, formatos diferentes, acabamento, perdas, tipos de rocha, chapa contra peça sob medida, aplicação. Nunca converter tonelada em metro quadrado automaticamente.
Tonelada responde à indústria. Metro quadrado responde ao projeto. O Observatório publica os dois sempre que a fonte permitir, e nunca converte um no outro.
21Tecnologia como indicador internacional.
A pedra italiana é inseparável da tecnologia italiana de extração e beneficiamento.
Em 2025, a indústria italiana de máquinas e tecnologias para pedra exportou US$ 1.027,2 milhões, queda de 0,8% sobre 2024. Principais mercados: Estados Unidos com US$ 129,6 milhões e queda de 12,6%, Turquia com US$ 87,1 milhões e alta de 17%, Espanha com US$ 85,4 milhões e alta de 46,7%, Alemanha com US$ 66,6 milhões e alta de 55,2%, França com US$ 52,6 milhões e queda de 11,3%. Fonte: Centro Studi Confindustria Marmomacchine, via Marmo Macchine International, 14/06/2026.
O ecossistema italiano captura valor em duas vendas: vende pedra, e vende a máquina que outros países usam para transformar pedra. Somadas, as duas exportações deram US$ 3.455,2 milhões em 2025. Cálculo amano: 2.428 mais 1.027,2.
A comparação Brasil e Itália costuma olhar apenas a primeira venda.
Um benchmark de competitividade não mede apenas pedra. Acompanha teares, politrizes, comando numérico, fio diamantado, automação, resinas, visão computacional, digitalização, tratamento de superfície e aproveitamento de resíduo.
Lacuna nomeada. Não existe série brasileira equivalente consolidada no Observatório, e não existe cesta de códigos definida para tecnologia da pedra na nomenclatura brasileira. Ver o índice 4 do capítulo 17.
22Feira também é infraestrutura de mercado.
Marmomac, Xiamen Stone Fair, Coverings, TISE, Stone+tec e as demais feiras do setor não são apenas calendário. São lugares onde materiais ganham nome, distribuidores descobrem material, máquinas são vendidas, especificadores constroem repertório, países constroem reputação e leituras de mercado são legitimadas.
A régua de reputação pode medir presença qualitativa nesses ambientes. Não basta contar estandes. Importa localização, curadoria, palestras, lançamentos, obras apresentadas, compradores presentes, imprensa e continuidade depois que a feira fecha.
Lacuna nomeada. O Observatório não tem hoje uma apuração sistemática de presença brasileira em feiras internacionais, com critério declarado. É o insumo do eixo 7 do capítulo 16 e não existe.
23O Brasil já está mudando de régua.
A divulgação comercial brasileira mostra deslocamento, e agora com fonte.
Na KBIS 2026, realizada de 17 a 19 de fevereiro de 2026 no Orange County Convention Center, em Orlando, a delegação brasileira levou uma agenda técnica com palestras qualificadas para crédito de educação continuada, entre elas:
- Brazilian Natural Stone: Inspirational Versatility, com Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas;
- Textures of the Earth: Brazil's Geodiversity as a Designer Map, sobre geologia aplicada e desenho biofílico;
- The Ultimate Specification Playbook: What to Expect from the Use of Natural Stone in Kitchens, Bathrooms, and Outdoor Areas, sobre gestão de expectativa e desempenho técnico;
- Discover the Power of Quartzite, sobre formação geológica, processo de beneficiamento e comparação com mármores e granitos.
Quatro empresas brasileiras participaram: Brothers Surfaces, Decolores, MGA e Mineral Stone. A ação é conduzida pela Centrorochas com a ApexBrasil.
Fonte: It's Natural, Brasil ampliará diálogo com arquitetos e designers na KBIS 2026, 29/01/2026. braziliannaturalstone.com/pt/brasil-am…en-la-kbis-2026/
A página equivalente da ApexBrasil não respondeu à consulta automatizada em 12/08/2026, com erro de redirecionamento; o conteúdo foi obtido na fonte da Centrorochas.
Interpretação amano. Uma agenda de quatro palestras técnicas, três delas sobre especificação, expectativa de desempenho e comparação entre materiais, é diferente de uma agenda de exposição de amostras. A indústria deixa de dizer apenas "temos pedra" e passa a dizer "sabemos onde ela funciona, como especificar, qual sua origem e por que escolhê-la". Essa passagem precisa aparecer nos indicadores, e hoje não aparece: nenhum dos índices do capítulo 17 mede agenda técnica em feira.
24O que medir em 2027.
Brasil: valor exportado, volume, preço médio, parcela processada contra bruta com as duas tonelagens, quartzito, estados de origem, estados de beneficiamento, concentração nos Estados Unidos, China, Itália, número de materiais com proveniência fechada, número de materiais com ficha técnica, presença em bibliotecas de especificação, efeito medido das duas ações tarifárias por código.
Itália: exportação total, preço por tonelada, receita e tonelagem de brutos e de trabalhados separadamente, Estados Unidos em trabalhados, China e Índia em brutos, exportação de tecnologia.
China: exportação total de rocha natural separada de pedra artificial, importação de blocos, principais origens, preço médio, transformação.
Turquia: mármore e travertino, Estados Unidos, China, processados contra brutos, câmbio, e a série de ano cheio, porque a leitura mais usada hoje cobre sete meses.
Índia: receita, volume, preço médio total e por faixa, parcela de acabados com a base declarada, China, Estados Unidos.
25Proposta amano · rankings funcionais.
Em vez de um "top 10 países", amano propõe rankings funcionais, cada um com variável, unidade, ano, perímetro e fonte declarados:
maior escala, quem extrai mais. Maior valor exportado, quem fatura mais no comércio exterior. Maior preço médio, quem captura mais valor unitário. Maior transformação, quem tem maior parcela processada. Maior diversificação, quem depende menos de um destino. Maior força de origem, quem tem materiais e denominações reconhecíveis. Maior força de especificação, quem está mais perto do projeto.
Sete corridas em vez de uma. Isso transforma comparação em aprendizado, e torna impossível a frase "o Brasil é o quarto", sem complemento.
26Interpretação amano · a régua que valeria acompanhar.
Não necessariamente ser o primeiro em toneladas.
Mas ser o país que mais converte geodiversidade em valor especificado.
Essa formulação é mais difícil de medir, e por isso é mais interessante. Ela obriga o setor a conhecer origem, portfólio, preço, obra, especificador, distribuição, técnica e reputação. É exatamente o conjunto de dados que hoje está disperso, e é a razão de existir de um observatório.
27Proposta amano · espaços vazios de inteligência.
Nenhum destes existe. Todos são propostas de amano, e nenhum tem insumo pronto.
Global Stone Benchmark: painel anual reconstruindo os principais países com metodologia transparente.
Stone Value Index: bruto contra processado contra preço médio contra parcela de alto valor unitário.
Country Transformation Ratio: parcela de processados na receita exportadora, com definições harmonizadas.
Stone Specification Index: evidência pública de presença de materiais em obras e bibliotecas.
Origin Strength Index: proveniência, indicação geográfica, nome, documentação e reconhecimento.
Stone Technology Map: máquinas, fabricantes, capacidade e investimento.
28Riscos metodológicos.
| risco | exemplo real neste estudo | tratamento adotado |
|---|---|---|
| moedas diferentes | Espanha em euro no ranking de 2025 | coluna de moeda e marcação de não comparável |
| códigos diferentes | HS 6802 contra a cesta de NCM da ABIROCHAS | publicar o código e o que ele contém |
| ano diferente | Portugal 2024 numa tabela de 2025; Índia 2024 ao lado de Itália 2025 | ano na mesma linha do número |
| perímetro diferente | China 5,063 bi em HS 6802 de 2023 contra 3,978 bi de rocha natural em 2025 | nota de leitura ao lado da tabela |
| pedra artificial dentro do total | os US$ 4,2 bilhões chineses | número excluído das comparações de preço |
| bruto e processado misturados | preço médio nacional | decompor, e publicar as duas tonelagens |
| definições institucionais distintas | 77,4% italiano contra 75,47% brasileiro | ressalva de equivalência não certificada |
| valor FOB contra CIF | US$ 795 milhões declarados pelo Brasil contra US$ 787 milhões registrados nos Estados Unidos | informar quem declara |
| volume sem espessura | chapas | não converter para metro quadrado |
| tamanho de mercado de consultoria | 37,89 contra 10,6 bilhões | exigir metodologia e publicar as duas |
| posição sem valor | ranking de 2025 | escrever "não publicado" |
| alíquotas empilhadas | 25% mais 12,5% | não somar sem orientação publicada |
29Cenários amano · posição brasileira até 2030.
Os três cenários abaixo são cenários. Não são projeção, não têm probabilidade atribuída e não trazem número inventado.
Cenário 1, sobe em volume e não em valor. O país amplia lavra e exportação bruta, e a receita cresce menos que a tonelagem. Resultado: posição de volume melhora e preço relativo piora. O 1º semestre de 2026, com volume estável e valor 4,6% menor, é a versão em miniatura desse cenário.
Cenário 2, sobe na composição da pauta. A parcela de processados de alto valor unitário cresce dentro da faixa já transformada. Resultado: receita cresce mais rápido que volume. É o cenário que a meta setorial exige: sair de US$ 1,48 bilhão em 2025 para US$ 3 bilhões em 2030, meta anunciada pela Centrorochas em sessão solene na Câmara dos Deputados em 11 de fevereiro de 2026, requer 15,2% ao ano por cinco anos consecutivos, com o principal mercado sob tarifa. Volume não entrega isso. Preço médio entrega. Cálculo amano da taxa: a razão 3.000 sobre 1.475,8 elevada a um quinto, menos um.
Cenário 3, sobe em reputação. Além de transformar, o país passa a capturar nome, origem e especificação. Resultado: materiais individuais sustentam preço e criam demanda menos substituível.
O terceiro é o mais difícil, e é o único em que a vantagem não pode ser replicada comprando uma máquina.
30Dez números do estudo.
- US$ 3.978 milhões · China, líder na ordem mundial de exportadores de pedra natural em 2025. Centro Studi Confindustria Marmomacchine, via StoneTrades.
- US$ 2.428 milhões · exportação italiana de pedra natural em 2025, alta de 3,5%. Centro Studi, via Marmo Macchine International, 20/06/2026.
- US$ 1.475,8 milhões · exportação brasileira em 2025. ABIROCHAS, Informe 01/2026.
- US$ 1.157,4 por tonelada · preço médio italiano em 2025, máximo histórico. Centro Studi.
- US$ 699 por tonelada · preço médio brasileiro em 2025. ABIROCHAS, Informe 12/2025.
- 77,4% contra 75,47% · parcela processada da receita exportada, Itália e Brasil em 2025, sob definições institucionais distintas e não certificadas como equivalentes. Centro Studi e ABIROCHAS Informe 12/2025.
- US$ 2.370 por tonelada · NCM 6802.99.90 em 2025, US$ 694,9 milhões sobre 293,2 mil toneladas, cesta mista cujo principal material são chapas de quartzitos maciços. ABIROCHAS, Informe 12/2025, tabela de principais NCM, página 3. No 1º semestre de 2026 a mesma linha ficou em US$ 2.240 por tonelada.
- US$ 1.879 contra US$ 946 por tonelada · Itália e Brasil no HS 6802 em 2023, mesma base, mesmo ano, mesma unidade, mesmo código. WITS sobre UN Comtrade.
- US$ 1.027,2 milhões · exportação italiana de máquinas e tecnologias para pedra em 2025, queda de 0,8%, razão de 0,42 sobre a exportação de pedra. Centro Studi, via Marmo Macchine International, 14/06/2026.
- US$ 364,2 milhões e queda de 14,45% · exportação brasileira para os Estados Unidos no 1º semestre de 2026, ainda 51,66% da pauta, no semestre em que as duas ações da Seção 301 entraram em vigor. ABIROCHAS, Informe 07/2026.
31Dez leituras.
- O ranking mundial ficou mais difícil de produzir, não menos necessário.
- A camada de produção mundial está vazia: o USGS imprime NA para 2024 e 2025, e o último total conhecido é de 2020.
- A Itália cresce em valor sem crescer em toneladas.
- Brasil e Itália transformam parcelas quase iguais da pauta. A diferença de preço não está aí.
- A diferença está dentro da faixa processada: qual material, para qual destino, com qual nome.
- Existe uma linha aduaneira brasileira com preço unitário acima da média nacional italiana, e existe uma medição sob régua única em que a Itália vale o dobro do Brasil. As duas precisam ser publicadas juntas.
- País exportador pode ser também transformador de pedra estrangeira, e cliente do concorrente.
- Tecnologia é a segunda venda da Itália e é lacuna medida no Brasil.
- A tarifa americana de 2026 fez a política aduaneira apontar para a mesma direção que o preço já apontava: chapa em vez de bloco.
- A vantagem competitiva disponível hoje é tornar comparável o que está fragmentado. Quem reconstruir a régua ocupa um espaço vazio.
32Gráficos sugeridos.
- Ranking de 2025 com valores publicados, moeda, ano e lacunas explícitas.
- Brasil e Itália: receita, volume, preço por tonelada e parcela processada, lado a lado, com a ressalva de perímetro impressa no gráfico.
- Brasil 2025: as sete principais NCM em barras de preço unitário, com a linha do preço médio nacional cruzando.
- Brasil: 2506.20.00 contra 6802.99.90, em 2025 e no 1º semestre de 2026, valor e preço.
- HS 6802 em 2023: cinco países, matriz de volume e valor unitário.
- Os três níveis de produção mundial de 2020: 318, 155 e 92 milhões de toneladas, em funil.
- Destinos brasileiros, 2025 contra 1º semestre de 2026, com preço por tonelada de cada destino ao lado da participação.
- As duas camadas tarifárias por código, sem soma, com a pendência marcada.
- Os sete índices, com o selo de viabilidade de cada um.
- Evolução histórica do Brasil nos rankings Montani, com a edição nomeada em cada ponto.
33Briefing visual.
Abertura. Uma régua física desenhada sobre um bloco de pedra termina abruptamente no meio. A partir dali, linhas finas se multiplicam em preço, tecnologia, projeto, origem e mercado.
Visual principal. Dois eixos: toneladas na horizontal, valor capturado na vertical. Países como pontos, sem transformar o gráfico em ranking decorativo.
Seção Itália. Bloco, máquina, chapa, arquitetura, em quatro quadros de traço fino. Ao lado, uma segunda linha de venda saindo da máquina.
Seção metodologia. Uma única régua quebrada, com cinco etiquetas pequenas: ano, unidade, perímetro, código, fonte.
Seção tarifa. Dois carimbos separados, com data em cada um, e um espaço em branco entre eles onde estaria o sinal de mais, com a palavra "pendente".
34Implicações para empresas brasileiras.
Uma empresa não precisa esperar que o setor reconstrua a régua mundial. Pode começar pela sua.
Medir, material a material: toneladas, metros quadrados vendáveis, preço médio, rendimento de bloco, custo, margem, mercado, canal, parcela processada contra bruta, obra, recorrência, nome do material, origem documentada, ficha técnica.
Depois comparar consigo mesma, ano a ano, antes de comparar com qualquer país.
A inteligência internacional só se torna útil quando encontra uma inteligência empresarial igualmente organizada.
35Conclusão.
A régua parou porque o mundo estatístico da pedra perdeu sua publicação mais integradora. O setor não ficou invisível: os dados seguem em Comtrade, aduanas, associações, institutos, empresas, portos, feiras e laboratórios. O que mudou é que agora exigem montagem.
Este estudo mostra o que a montagem revela quando é feita com disciplina. Revela que o Brasil transforma quase tanto quanto a Itália e cobra quase metade. Revela que existe uma linha aduaneira brasileira acima da média italiana e, sob régua única, uma distância de duas vezes contra o país inteiro. Revela que a camada de produção mundial está vazia desde 2021 e que o último denominador confiável tem seis anos. Revela que a decisão tarifária de um comprador, em julho de 2026, reorganizou a comparação internacional mais rápido do que qualquer relatório anual conseguiria registrar.
Quem reconstruir a régua não dirá apenas onde o Brasil está. Poderá responder à pergunta mais valiosa:
por que alguns países capturam mais valor de cada tonelada que outros?
E, a partir dela:
o que o Brasil precisa mudar para que a distância entre sua geologia extraordinária e o preço final extraordinário deixe de ser capturada em outro lugar?
36Fontes-base.
T1, oficiais e primárias.
- U.S. Geological Survey, Mineral Commodity Summaries 2026, capítulo Dimension Stone, publicado em 06/02/2026. pubs.usgs.gov/periodicals/mcs2026/mcs2…ne-dimension.pdf
- World Bank WITS sobre UN Comtrade, HS 6802, exportações de 2023, consulta de 12/08/2026. wits.worldbank.org/trade/comtrade/en/c…WLD/product/6802
- USTR, Notice of Action, Brazil, 15/07/2026. ustr.gov/sites/default/files/files/Iss…2026%20final.pdf
- Federal Register 2026-15181, 91 FR 47318, 28/07/2026. federalregister.gov/documents/2026/07/…arious-economies
- U.S. Customs and Border Protection, CSMS nº 69302472 e nº 69326983.
- Comex Stat, MDIC. comexstat.mdic.gov.br/
T2, associações setoriais e imprensa técnica.
- ABIROCHAS, Informe 12/2025, Exportações de dezembro, tabelas de principais NCM (página 3) e de quartzitos maciços (página 4). abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…oes-Dezembro.pdf
- ABIROCHAS, Informe 01/2026, Situação do setor em 2025. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…etor-em-2025.pdf
- ABIROCHAS, Informe 07/2026, Exportações do 1º semestre de 2026. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…_Semestre-v3.pdf
- ABIROCHAS, Informe 04/2023, códigos do Sistema Harmonizado e da NCM para rochas. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…-NESH-Rochas.pdf
- ABIROCHAS, Cenário Mundial, tabela 1, sobre Montani XXXI Rapporto. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…Mundial-2021.pdf
- Centro Studi Confindustria Marmomacchine, via Marmo Macchine International, Export italiano pietra naturale nel 2025, 20/06/2026. marmomacchineinternational.com/export-…i-24-mld-di-usd/
- Centro Studi Confindustria Marmomacchine, via Marmo Macchine International, Italian stone technologies: exports stable in 2025, 14/06/2026. marmomacchineinternational.com/en/ital…-stable-in-2025/
- Centro Studi Confindustria Marmomacchine, via Marmo Macchine International, Focus India, 18/04/2026. marmomacchineinternational.com/en/focu…ports-continues/
- Confindustria Marmomacchine, aviso da Assembleia Geral de 26/06/2026, Hotel Enterprise, Milão, publicado em 25/03/2026. marmomacchineinternational.com/en/save…eneral-assembly/
- StoneTrades, ordem mundial de exportadores de 2025, reportada em 11/07/2026. stonetrades.com/insights/italy-second-…ne-exporter-2026
- TileLetter, sobre as tarifas americanas e a pendência de orientação da alfândega, 27/07/2026. tileletter.com/new-u-s-tariff-changes-…-natural-stones/
- It's Natural, Centrorochas e ApexBrasil, sobre a KBIS 2026, 29/01/2026. braziliannaturalstone.com/pt/brasil-am…en-la-kbis-2026/
- Stone World, sobre USITC DataWeb, importações americanas 2024 contra 2025. stoneworld.com/articles/95771-year-ove…rts-2024-vs-2025
- Stone-ideas, Dr. Carlo Montani: 2021 statistics for stone. stone-ideas.com/96389/dr-carlo-montani…stics-for-stone/
- Stone-ideas, Dr. Carlo Montani: 56% of global stone production in Asia, estatísticas de 2019. stone-ideas.com/82698/dr-carlo-montani…statistics-2019/
- CIN/FIEC, via O Povo, exportações cearenses no 1º semestre de 2026, 21/07/2026.
- Centrorochas, destinos brasileiros de 2025 e meta de 2030, via imprensa setorial.
- Sindirochas do Espírito Santo, série mensal paralela. sindirochas.com/relatorio-exportacoes-rochas.php
Histórico.
- Carlo Montani, XXXI, XXXII e XXXIII Rapporto marmo e pietre nel mondo. XXXII disponível em abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…ling_sponsor.pdf
- Acervo do Observatório da Pedra Brasileira.
Fontes que não responderam à consulta automatizada em 12/08/2026.
- Confindustria Marmomacchine, página da Assembleia Geral 2026, versões italiana e inglesa: recusa por robots.txt. O conteúdo foi obtido no Marmo Macchine International e no banco do Observatório.
- ApexBrasil, página sobre a KBIS 2026: erro de redirecionamento. O conteúdo foi obtido no It's Natural, da Centrorochas.
- MarmoNews, extrato do XXXII Rapporto: falha de certificado no robots.txt.
- WITS, consulta de importações italianas de HS 250620 em 2024: erro de serviço do portal.
Legenda editorial.
- Dado · precisa de fonte identificada, ano e perímetro.
- Cálculo amano · fórmula e insumos explícitos sobre dados identificados.
- Interpretação amano · leitura dos dados, não fato bruto.
- Proposta amano · índice, painel, banco ou método que ainda não existe como infraestrutura em operação.
- Lacuna nomeada · variável relevante para a qual não existe hoje fonte pública identificada, com registro de onde se procurou.
- Pendência · dado publicado com ressalva, à espera de confirmação declarada.
A existência de uma seção escrita em linguagem conceitual não significa que a ferramenta descrita já esteja implementada.
Nota de método.
Durante décadas o setor de rochas naturais teve uma referência internacional simples de explicar: o Rapporto marmo e pietre nel mondo, de Carlo Montani. A série organizava produção, comércio, consumo, preços médios, posições relativas e evolução histórica dentro de uma mesma arquitetura estatística. A XXXIII edição foi publicada em 2022, com dados de 2021. Não há XXXIV edição pública identificada pelo Observatório.
A interrupção não fez os dados desaparecerem. Fez com que eles deixassem de chegar prontos na mesma régua.
Hoje a comparação internacional precisa ser remontada por camadas: comércio exterior por códigos harmonizados, estatísticas nacionais, dados de associações setoriais, produção mineral quando publicada, preço médio de exportação, parcela bruta contra processada, mercados compradores, tecnologia e capacidade industrial, evidência de especificação e nomenclaturas que não são equivalentes entre países.
A decisão editorial central deste estudo é uma só:
quando a régua não é a mesma, o relatório mostra a diferença antes de mostrar o ranking.
Na prática isso vira um teste de quatro perguntas, aplicado a toda comparação entre países publicada aqui:
- é o mesmo código?
- é o mesmo ano?
- é a mesma unidade?
- é o mesmo perímetro, isto é, a mesma cesta de mercadorias e a mesma instituição que define a cesta?
Quando as quatro respostas são sim, a comparação é publicada como comparação. Quando alguma resposta é não, a incompatibilidade é escrita ao lado do número, e a leitura fica restrita ao que os dados sustentam.
Onde as consultas foram feitas.
Todas as consultas de rede deste estudo foram feitas em 12 de agosto de 2026. As fontes que responderam estão nomeadas no corpo do texto e listadas ao final. Duas recusaram consulta automatizada e estão registradas como tal: o portal da Confindustria Marmomacchine (assomarmomacchine.com, recusa por robots.txt nas versões italiana e inglesa) e o portal da ApexBrasil na página específica da KBIS 2026 (erro de redirecionamento). Nos dois casos o conteúdo foi obtido em fonte alternativa identificada, e a substituição está declarada.
Limitações e lacunas nomeadas.
Limitações de método.
- Não existe hoje tabela pública única com todos os países e todas as variáveis de 2025.
- Parte da ordem mundial de 2025 foi divulgada em assembleia setorial sem publicação integral dos valores.
- Comparações de preço dependem da composição da pauta.
- Produção e comércio não medem a mesma coisa e não devem ser cruzados.
- País de exportação não coincide necessariamente com origem geológica.
- Conversões de moeda podem alterar posições próximas.
- O Observatório não preenche valor ausente por inferência.
Lacunas nomeadas, com o lugar em que se procurou.
| lacuna | por que importa | onde se procurou |
|---|---|---|
| tonelagem italiana separada por faixa, bruto e processado | sem ela não há comparação processado contra processado entre Brasil e Itália | informe do Marmo Macchine International de 20/06/2026 e portal da Confindustria Marmomacchine, que recusou consulta |
| tabela de equivalência entre "trabalhados e semitrabalhados" e "rochas processadas" | é o que transformaria os 77,4% e os 75,47% em medida comparável | publicações do Centro Studi e da ABIROCHAS |
| distribuição completa de destinos brasileiros | sem ela o HHI só sai como piso | informes 12/2025 e 07/2026, que publicam apenas os maiores destinos |
| cesta de códigos brasileira para tecnologia da pedra | sem ela não existe STR brasileiro | nomenclatura NCM e publicações setoriais |
| fluxo Brasil para Itália aberto por material e por estágio | sustentaria ou derrubaria a frase sobre quartzito bruto | informes da ABIROCHAS e WITS, que retornou erro |
| abertura italiana de exportação por código aduaneiro | permitiria comparar linha brasileira com linha italiana | Centro Studi e portal da associação |
| levantamento de presença brasileira em feiras, com critério | é o insumo do eixo de reputação | não existe fonte pública identificada |
| definição de "material prioritário" | é o denominador do ODC | nenhuma entidade publica |
Pendências declaradas, a fechar antes do HTML.
- Confirmar por leitura humana, no PDF do XXXII Rapporto, o total mundial de 155,0 milhões de toneladas de 2020 e a linha do Brasil na tabela 7. As tabelas do PDF não sobreviveram à leitura automatizada.
- Fechar a atribuição de edição e tabela da série de preços por metro quadrado de 2020.
- Revisar no banco a anotação "bloco bruto" para os US$ 164,20 por tonelada da Índia, que a fonte localizada apresenta como preço médio da pauta de 2024.
- Registrar no banco os quatro números italianos de 2025 agora confirmados na fonte: alta de 3,5% em valor, queda de 0,7% em volume, US$ 549,2 milhões de brutos e 77,4% de trabalhados e semitrabalhados.
- Registrar no banco a tabela HS 6802 de 2023 do WITS, com a data da consulta, porque a base é revisada.
- Substituir no banco o valor de US$ 1,037 bilhão de tecnologia italiana pelo valor localizado, US$ 1.027,2 milhões, ou documentar a origem do primeiro.
- Resolver por código o efeito da segunda ação da Seção 301 sobre a rocha italiana, hoje com duas leituras conflitantes.
- Registrar no banco a parcela processada brasileira de 2025, 75,47% da receita e 44,27% do volume, que não constava.
status editorial: versão final publicável, com oito pendências declaradas no capítulo 37.
próxima etapa: registro das pendências no banco canônico, base comparativa anual, HTML editorial e gráficos.