1Sumário executivo.
Em 2025, o Brasil produziu 3,0 milhões de toneladas de quartzito maciço, equivalentes a 28% da produção nacional estimada de rochas ornamentais e de revestimento, que foi de 10,62 milhões de toneladas (ABIROCHAS, Informe 01/2026). No primeiro semestre de 2026 os quartzitos somaram US$ 428,5 milhões em exportação, e esse mesmo valor aparece nas duas metodologias setoriais em uso, por caminhos diferentes, o que é tratado no capítulo 7.
A pedra muda de valor quando muda de estado. Em 2025 a ABIROCHAS registrou preço médio de US$ 569 por tonelada para a NCM 2506.20.00, blocos de quartzito maciço, e US$ 2.370 por tonelada para a NCM 6802.99.90, chapas de quartzito maciço (Informe 12/2025). A razão é de 4,17 vezes: 2.370 dividido por 569. O diferencial não é margem, porque mistura seleção, rendimento, processamento, espessura, acabamento e logística. Ainda assim mostra onde a cadeia começa a capturar mais valor.
Em 2026 essa diferença deixou de ser apenas industrial e passou a ser fiscal. A primeira ação tarifária americana do ano taxa o bloco bruto de quartzito e exclui a chapa beneficiada. A Seção 301 sobre o Brasil, em vigor desde 22 de julho de 2026, aplica 25% adicionais e traz uma única linha de rocha na lista de exclusões: a HTSUS 6802.99.00, que abriga o quartzito beneficiado. Nenhum outro código de rocha aparece na lista, o que inclui a 2506.20.00 do bloco bruto. Uma segunda ação da Seção 301, sobre trabalho forçado, em vigor desde 24 de julho de 2026, coloca o Brasil em 12,5% e não traz rocha ornamental entre os itens isentos localizados. O resultado prático está no capítulo 20, e ele precisa ser lido ato por ato: a chapa de quartzito ficou fora da primeira ação e é alcançada pela segunda; o bloco de quartzito é alcançado pelas duas. Este estudo não soma as duas alíquotas em uma taxa única, porque a regra de cumulação entre os dois atos não foi localizada em orientação publicada.
A geografia econômica do quartzito é fragmentada. A rocha nasce em estados como Bahia, Ceará e Minas Gerais, e o Espírito Santo concentra a transformação e a saída internacional. Em 2025, dos US$ 694,9 milhões exportados pelo Brasil na NCM 6802.99.90, US$ 664,9 milhões saíram pelo Espírito Santo, 96% do valor, sobre 278,0 mil das 293,2 mil toneladas, 95% do volume (ABIROCHAS, Informe 12/2025). É um dado sobre infraestrutura industrial, não sobre origem geológica. Estado exportador não é sinônimo de estado de origem.
O mercado internacional se divide por função. Os Estados Unidos compram material processado. Em 2025 compraram US$ 795 milhões em rochas brasileiras no conjunto do setor, sobre cerca de 587 mil toneladas (Centrorochas, via imprensa setorial; valor confirmado no banco do observatório). No recorte de natural quartzite, a Stone World, a partir do USITC DataWeb, registra alta de US$ 413 milhões em 2024 para US$ 609 milhões em 2025, mais 47,2%, com o Brasil em US$ 494 milhões, alta de 53,4% sobre os US$ 322 milhões de 2024, o equivalente a 81,1% do valor importado da categoria: 494 dividido por 609.
China e Itália compram matéria bruta. Em 2024, na base WITS sobre UN Comtrade, o Brasil foi o maior exportador mundial de quartzito bruto ou apenas desbastado por valor, com US$ 102,60 milhões e 177,7 mil toneladas, à frente da Itália, com US$ 34,11 milhões, e da China, com US$ 25,02 milhões. A consulta usa a nomenclatura HS 1988/92, na qual o quartzito bruto é a subposição 250621; na nomenclatura em vigor em 2024 o mesmo material é a 2506.20.
A infraestrutura de informação da categoria continua incompleta. A ANM registra área, polígono, titularidade, substância, fase e localização de processos minerários. O mercado registra nomes como Taj Mahal, Perla Venata, Mont Blanc, Ijen Blue, Matira e Nacarado. Não existe base pública única que ligue nome comercial, jazida, empresa, processo minerário, ficha petrográfica, lote e cadeia de exportação. O elo precisa ser reconstruído material por material, e o capítulo 22 mostra o quanto dele ainda está aberto.
A tese deste estudo:
O quartzito passou a reorganizar a economia da pedra brasileira, mas o próximo ciclo de valor depende de integrar quatro camadas que ainda funcionam separadas: origem verificável, classificação técnica e fiscal, beneficiamento de alto valor e presença na especificação.
Para as empresas do setor, a oportunidade não está apenas em vender mais quartzito. Está em tornar a origem legível, o desempenho comparável, o nome governável e o material especificável.
2As perguntas que guiaram a investigação.
- Quanto quartzito o Brasil realmente produz?
- Quanto dessa produção é quartzito maciço e quanto é foliado?
- Qual é a participação do quartzito na pauta exportadora e como ela muda conforme a metodologia?
- Por que o valor de uma tonelada processada é tão superior ao de uma tonelada bruta?
- Onde o quartzito é extraído e onde ele é beneficiado?
- Quais estados concentram jazidas e quais concentram infraestrutura industrial?
- Quem controla as principais origens comerciais?
- O nome comercial consegue ser ligado a um direito minerário específico?
- Quais materiais brasileiros já têm origem tecnicamente documentada?
- Quais mercados compram bloco e quais compram chapa?
- O que Estados Unidos, China e Itália representam dentro da cadeia?
- O crescimento do quartzito natural nos Estados Unidos é estrutural ou conjuntural?
- Qual é a relação entre o recuo do engineered quartz e o avanço do quartzito natural?
- Como tarifas e classificação petrográfica afetam competitividade?
- O que muda quando o mesmo material é descrito de maneira diferente pela geologia, pelo mercado e pela alfândega?
- Que propriedades técnicas importam para especificação?
- Todo quartzito tem desempenho semelhante?
- A origem pode funcionar como ativo de marca e de confiança?
- O modelo da Denominação de Origem de São Thomé é replicável?
- Quais resíduos e materiais secundários podem gerar novas receitas?
- Quais riscos regulatórios, ambientais e de saúde precisam entrar na estratégia?
- Onde há espaços vazios de dados, serviços, certificação e tecnologia?
- O que o setor precisaria fazer para sustentar a meta de US$ 3 bilhões em exportações em 2030?
- Quais indicadores devem ser acompanhados mensalmente?
- O que uma empresa de quartzito deveria saber sobre si mesma e ainda não mede?
3Hipóteses preliminares e o que aconteceu com elas.
| hipótese inicial | status após pesquisa | leitura |
|---|---|---|
| quartzito já é a categoria central do setor exportador | fortemente sustentada | 28% da produção nacional em massa para quartzito maciço em 2025 e 60,3% a 60,8% da receita exportadora do 1º semestre de 2026, conforme a metodologia |
| o valor está principalmente no beneficiamento | sustentada, com ressalvas | preço unitário exportado de chapas é 4,17 vezes o do bloco, mas não deve ser lido como margem |
| origem e estado exportador coincidem | refutada | Espírito Santo concentra processamento e exportação de materiais extraídos em outros estados |
| existe um tamanho global de quartzito facilmente mensurável | refutada | códigos internacionais não isolam de forma consistente todos os materiais de quartzito |
| quartzito natural é uma alternativa "sem sílica" à pedra engenheirada | refutada, e com dado novo | a tabela oficial de OSHA e NIOSH de 2026 dá ao quartzito teor típico de sílica cristalina igual ou superior a 95%, o topo da faixa da pedra engenheirada |
| todo material premium já tem vínculo público claro entre nome e direito minerário | refutada | o vínculo precisa ser investigado individualmente, e sete dos vínculos publicados na v2 deste estudo não resistiram à checagem |
| "quartzito" é uma categoria tecnicamente homogênea | refutada | em amostragem cearense de 2017, apenas 30% das amostras atenderam aos limites normativos de flexão adotados |
| a meta de US$ 3 bi pode ser atingida apenas mantendo o ritmo recente | não demonstrada | exige crescimento composto de 15,2% ao ano entre 2025 e 2030 |
4Tese central.
Tese principal.
O quartzito deixou de ser uma família de pedras dentro do portfólio brasileiro e passou a funcionar como a categoria estratégica que reorganiza produção, beneficiamento, exportação e posicionamento. O próximo ciclo depende de integrar origem verificável, classificação técnica e fiscal, beneficiamento de alto valor e presença na especificação.
Teses secundárias.
- O quartzito já tem escala industrial. O quartzito maciço respondeu por 3,0 Mt em 2025, 28% da produção nacional.
- O valor está na transformação, mas também na informação. O salto de preço do bruto para o processado é de 4,17 vezes; o próximo salto passa por nome, origem, ficha, aplicação e especificação.
- A cadeia brasileira é geograficamente assimétrica. A origem está espalhada; processamento e exportação permanecem concentrados no Espírito Santo.
- Estados Unidos, China e Itália compram papéis diferentes da cadeia. Isso exige estratégias comerciais diferentes.
- A classificação virou variável de competitividade, e agora com preço. Em 2026 a diferença entre a HTSUS 6802.99.00 e a 2506.20.00 vale 25 pontos de tarifa na primeira ação da Seção 301, porque um dos dois códigos está na lista de exclusões e o outro não. As duas linhas são alcançadas pela segunda ação.
- Proveniência é um problema econômico, não apenas documental. Sem origem verificável, a empresa perde capacidade de proteger nome, comprovar exclusividade e organizar portfólio.
- Desempenho técnico precisa acompanhar desejo. "Quartzito" não é certificado de adequação a qualquer uso.
- A disputa com superfícies artificiais não pode ser simplificada. O quartzito natural cresce nos Estados Unidos e é, ao mesmo tempo, a rocha de maior teor típico de sílica cristalina na tabela oficial americana.
- Circularidade começa a sair do discurso e virar tecnologia. Há duas patentes brasileiras concedidas em 2026 transformando resíduos de quartzito em novos materiais.
- 2030 exigirá mudança de modelo. A meta setorial de US$ 3 bi demanda ritmo composto de 15,2% ao ano, o que dificilmente virá apenas de volume.
5O momento do quartzito.
A mudança de status do quartzito pode ser observada por três medidas diferentes.
A primeira é física. A ABIROCHAS estima que o Brasil produziu 10,62 milhões de toneladas de rochas ornamentais em 2025. Desse total, 3,0 milhões de toneladas eram quartzitos maciços, 28%, e 0,2 milhão de toneladas eram quartzito foliado, 2%. Para comparação, granito e similares ficaram em 3,3 Mt, 31%, e mármore e travertino em 2,8 Mt, 26%. O quartzito maciço é hoje a segunda maior família da produção brasileira.
A segunda medida é cambial. No primeiro semestre de 2026 os quartzitos somaram US$ 428,5 milhões em exportação, alta de 6,7% frente ao primeiro semestre de 2025, enquanto o total do setor recuou. A Centrorochas publica esse valor na sua abertura por material. A ABIROCHAS não publica uma linha somada de quartzito, mas publica as duas NCMs que o compõem, e elas somam o mesmo valor: US$ 78,1 milhões em blocos, NCM 2506.20.00, mais US$ 350,4 milhões em chapas, NCM 6802.99.90, resultam em US$ 428,5 milhões. O capítulo 7 trata do que essa coincidência significa e do que ela não significa.
A terceira medida é qualitativa. O quartzito aparece no centro das discussões de tarifa, enquadramento petrográfico, portfólio premium, proveniência e presença brasileira nos Estados Unidos. Em 2026 ele passou a ser a única rocha brasileira com tratamento próprio na tabela tarifária americana.
Interpretação amano: uma categoria se torna estratégica quando a sua mudança altera decisões fora dela própria. É exatamente o que ocorre agora.
6Três quartzitos diferentes convivem na mesma palavra.
6.1 O quartzito geológico.
Geologicamente, quartzito é uma rocha metamórfica predominantemente quartzosa. A composição, textura, foliação, minerais acessórios, porosidade e estruturas variam entre depósitos. A palavra não determina, sozinha, desempenho, aparência ou adequação.
O caso São Thomé é didático. A documentação usada na Denominação de Origem descreve quartzitos com 95% a 98% de quartzo e 2% a 5% de mica branca, com propriedades associadas ao território demarcado. Esses atributos não podem ser extrapolados para qualquer pedra vendida como quartzito.
6.2 O quartzito comercial.
O mercado opera por nomes. Taj Mahal, Mont Blanc, Ijen Blue, Perla Venata, Nacarado, Matira, Platino, Bellagio. O nome comercial é indispensável para diferenciação, memória e venda, mas não funciona como classificação geológica nem como título minerário.
É possível que nomes semelhantes sejam usados por diferentes agentes. É possível que uma família estética seja confundida com uma origem. É possível que uma marca sobreviva à forma como a jazida é juridicamente organizada. Por isso, nome precisa de governança.
6.3 O quartzito fiscal.
Na exportação, o estado do material importa. A ABIROCHAS destaca a NCM 2506.20.00 para blocos de quartzito maciço e a NCM 6802.99.90 para chapas de quartzito maciço, código que abriga também outras rochas silicáticas e silicosas trabalhadas.
O problema é que 6802.99.90 não é sinônimo perfeito de quartzito. A própria ABIROCHAS descreve o código como "chapas com acabamento de face de diferentes rochas silicáticas e silicosas". Usar a receita inteira do código como se fosse quartzito puro exige cautela.
Esse é um dos achados metodológicos centrais do estudo:
o tamanho aparente da categoria depende da régua escolhida.
7A régua dentro do próprio semestre.
Duas instituições setoriais publicaram números próximos, mas não idênticos, para o primeiro semestre de 2026. A v2 deste estudo publicou os dois lados sem mostrar de onde cada um vinha, e a checagem apontou o problema. Aqui está o quadro completo.
| ABIROCHAS | Centrorochas | |
|---|---|---|
| total do semestre | US$ 705,0 milhões, queda de 4,6% | US$ 711,1 milhões, queda de 4,2% |
| quartzito | US$ 428,5 milhões (soma de duas NCMs) | US$ 428,5 milhões (classificação por material) |
| participação do quartzito | 60,8% | 60,3% |
A soma da ABIROCHAS, por extenso: blocos de quartzito maciço, NCM 2506.20.00, US$ 78,1 milhões, alta de 34,2% em valor; chapas de quartzito maciço, NCM 6802.99.90, US$ 350,4 milhões, alta de 2,0% em valor. 78,1 mais 350,4 é 428,5.
As duas participações, por extenso: 428,5 dividido por 705,0 é 60,78%. 428,5 dividido por 711,1 é 60,26%.
A coincidência do numerador é verificável e não é erro de transcrição: as duas casas chegam ao mesmo valor por caminhos diferentes. O que não coincide é o denominador, e é aí que a régua aparece. A diferença de 0,9% entre os dois totais vem do escopo de NCM de cada cesta.
Interpretação amano: este exemplo ensina melhor do que o exemplo que a v2 tentou dar. A régua não muda necessariamente o tamanho do numerador. Ela muda o tamanho do universo contra o qual você mede. Um board que recebe "quartzito é 60,3% do setor" precisa receber, na linha seguinte, qual total foi usado como denominador, porque o mesmo quartzito também é 60,8%.
Para série histórica, o observatório usa ABIROCHAS, que publica documento metodológico assinado. Para abertura por material, usa Centrorochas, que é quem publica essa abertura. As duas séries são citáveis e não devem ser somadas nem misturadas.
8O tamanho brasileiro que conseguimos medir.
Produção e consumo em 2025.
| indicador | valor | fonte |
|---|---|---|
| produção brasileira de rochas ornamentais, lavra | 10,62 Mt | ABIROCHAS Informe 01/2026 |
| quartzito maciço | 3,00 Mt, 28% | ABIROCHAS Informe 01/2026 |
| quartzito foliado | 0,20 Mt, 2% | ABIROCHAS Informe 01/2026 |
| consumo interno aparente, todas as rochas | 89,3 milhões de m² equivalentes | ABIROCHAS Informe 01/2026 |
| consumo interno aparente, todas as rochas, em massa | 4,82 Mt | ABIROCHAS Informe 01/2026 |
| exportação, todas as rochas | 2,11 Mt | ABIROCHAS Informe 01/2026 |
| consumo interno de quartzito, em área | 13,8 milhões de m², 15,5% do consumo | ABIROCHAS Informe 01/2026 |
Correção em relação à v2. A versão anterior publicou "mercado interno, todas as rochas, 7,87 Mt" e "parcela interna, todas as rochas, 74%". Nenhum dos dois números está no Informe 01/2026. A fonte publica consumo interno aparente de 89,3 milhões de metros quadrados equivalentes, que ela mesma converte em 4.820,7 mil toneladas. Os dois números saíram do estudo.
Por que 4,82 mais 2,11 não dá 10,62, e por que isso não é erro. São grandezas diferentes. A produção de 10,62 Mt é lavra, bloco bruto extraído do maciço. O consumo de 4,82 Mt e a exportação de 2,11 Mt são material embarcado, já serrado ou em bloco selecionado. Entre um e outro está o rendimento de lavra e de serragem, que consome a diferença em estéril, perda de serragem e finos. Aplicar percentual de mercado interno sobre produção de lavra é somar peras e maçãs, e é por isso que o observatório não publica esse percentual.
A lacuna que permanece: a fonte não abre, no mesmo nível, quanto do quartzito produzido fica no mercado interno em massa. Sabe-se que o quartzito respondeu por 13,8 milhões de metros quadrados do consumo interno, 15,5% do total. Não se sabe a que fração da produção física de quartzito isso corresponde. Essa lacuna merece virar indicador do próprio observatório.
9O valor muda quando a pedra muda de estado.
Em 2025, a ABIROCHAS registrou, na tabela de principais NCMs das exportações brasileiras de rochas:
- NCM 2506.20.00, blocos de quartzito maciço: US$ 144,5 milhões, 254,1 mil toneladas, US$ 569 por tonelada;
- NCM 6802.99.90, chapas de quartzito maciço: US$ 694,9 milhões, 293,2 mil toneladas, US$ 2.370 por tonelada.
A razão entre os dois preços é 4,17 vezes: 2.370 dividido por 569 é 4,165.
O dado é forte, e precisa ser lido corretamente.
Ele não prova que uma empresa ganha quatro vezes mais margem processando um bloco. O material processado carrega seleção, rendimento de serragem, perda, capital industrial, energia, mão de obra, resina quando aplicável, polimento, acabamento, embalagem, estoque, crédito, frete interno e comercialização. Também pode concentrar materiais de qualidade e posicionamento diferentes daqueles presentes no fluxo bruto.
O que ele prova é outra coisa:
o mercado internacional remunera de maneira radicalmente diferente a pedra antes e depois de determinada transformação industrial.
E desde julho de 2026 há um segundo mecanismo empurrando na mesma direção, que não é industrial e sim fiscal: a primeira ação tarifária americana do ano excluiu a chapa e alcançou o bloco. Ver o capítulo 20.
10Uma inconsistência útil dentro da própria fonte.
O Informe 12/2025 da ABIROCHAS publica a NCM 2506.20.00 duas vezes, em tabelas diferentes, com valores diferentes.
| tabela | valor | volume | preço médio declarado |
|---|---|---|---|
| principais NCMs das exportações brasileiras de rochas | US$ 144,5 milhões | 254,1 mil t | US$ 569/t |
| exportações brasileiras de quartzitos maciços em 2025 | US$ 179,298 milhões | 254,110 mil t | US$ 569/t |
Qual dos dois trios fecha, por extenso. 254,1 mil toneladas multiplicadas por US$ 569 por tonelada resultam em US$ 144,58 milhões. O trio da primeira tabela fecha. O da segunda não: US$ 179,298 milhões divididos por 254,110 mil toneladas resultam em US$ 705,60 por tonelada, e não US$ 569.
Correção em relação à v2. A versão anterior escreveu que "os três números não fecham matematicamente" apontando para o cálculo 254,1 × 569 = 144,6. Esse cálculo fecha. Quem não fecha é o valor de US$ 179,298 milhões da segunda tabela. A v2 também escreveu que a segunda tabela mantinha "volume e preço médio", o que é uma frase que se contradiz: se o valor muda e o volume não, o preço médio muda por definição. As duas formulações saíram.
O que o observatório adota. Adotamos US$ 144,5 milhões quando a consistência interna é necessária, porque é o único dos dois valores que fecha com o volume e o preço médio que a própria fonte declara. Registramos a divergência em vez de escondê-la, e ela entra no anexo A como item de reconciliação a levar à ABIROCHAS.
Isso é parte da proposta editorial do observatório:
qualidade da informação inclui mostrar onde a fonte precisa de reconciliação, e mostrar a conta que revela a necessidade.
11Onde nasce: a geografia de origem.
A geografia do quartzito brasileiro é mais ampla do que a geografia dos seus portos de saída.
A ABIROCHAS publica produção de lavra por estado, e publica produção nacional por tipo de rocha, mas não cruza as duas coisas: não existe, na fonte, uma tabela de produção de quartzito por estado. Os estados de maior produção de lavra em 2025 foram Espírito Santo e Bahia, com 2,2 Mt cada, Minas Gerais com 2,0 Mt e Ceará com 1,4 Mt. Atribuir quartzito a cada um desses blocos exige outra evidência, material por material, e é o que os capítulos seguintes tentam fazer.
Correção em relação à v2. A versão anterior escreveu que "em 2025 a ABIROCHAS apontou quartzitos na matriz produtiva de Minas Gerais, Bahia, Ceará, estados do conjunto PE/AL/RN/PI e Centro-Oeste". Os agrupamentos citados são os da tabela de produção total por estado, que não abre por tipo de rocha. A frase saiu, e no lugar dela fica a declaração da lacuna.
Três territórios aparecem de forma recorrente no quartzito premium e na documentação disponível.
Ceará.
O Ceará combina geodiversidade, empresas com materiais reconhecidos e crescimento exportador recente. O capítulo 13 traz os números.
Bahia.
O Atlas de Rochas Ornamentais do Estado da Bahia, segunda edição de 2022, publicado pelo SGB/CPRM, é uma das bases territoriais mais ricas do país. O levantamento reporta, para 2019, 90 empresas, 143 pedreiras ativas contínuas ou sazonais, 72 pedreiras de quartzito e presença do setor em 78 municípios. A publicação organiza os materiais extraídos até março de 2020 em 128 pranchas, uma por material, com dados geológicos, tecnológicos e de localização fornecidos em grande parte pelos produtores.
Correção de contagem. A coleção anterior publicava 118 materiais. A conferência do documento contra a base canônica do observatório, com reconhecimento ótico de caracteres revisado, fechou em 128 pranchas. O número publicado passa a ser 128, e o 118 saiu de toda a coleção.
Esses números não são contagem de 2026. São fotografia histórica da infraestrutura baiana e precisam ser apresentados com data. O banco de referência de mercado não cobre esse dado; quem responde por ele é o próprio Atlas, conferido contra a base de jazidas do observatório.
Minas Gerais.
Minas reúne quartzito maciço e foliado, e o seu caso mais completo de identidade territorial é São Thomé, tratado no capítulo 15.
12Onde sai: Espírito Santo como infraestrutura de transformação.
O Espírito Santo não precisa ser a origem da pedra para ser protagonista da sua economia.
Em 2025, o estado exportou US$ 1.157,3 milhões em rochas ornamentais, 78,4% do total nacional de US$ 1.475,8 milhões, sobre 1.463,9 mil toneladas.
No caso específico da NCM 6802.99.90, chapas de quartzito maciço, o quadro é ainda mais concentrado:
| Brasil | Espírito Santo | participação | |
|---|---|---|---|
| valor | US$ 694,9 milhões | US$ 664,9 milhões | 96% |
| volume | 293,2 mil t | 278,0 mil t | 95% |
| preço médio | US$ 2.370/t | US$ 2.392/t |
Os quatro números do Espírito Santo são mutuamente consistentes e consistentes com o preço nacional: 664,9 dividido por 278,0 é US$ 2.392 por tonelada, contra US$ 2.370 do conjunto do país.
Nota de leitura sobre os dois percentuais. Este estudo publica 78,4% e 96% em lugares diferentes, e eles medem coisas diferentes. 78,4% é a fatia do Espírito Santo em toda a exportação brasileira de rochas. 96% é a fatia do Espírito Santo em um único código, o das chapas de quartzito maciço. Onde o percentual de 96% aparecer sozinho, ele precisa vir com o código ao lado.
A própria ABIROCHAS explica a razão da concentração: o estado concentra parque de beneficiamento e recebe materiais de Minas Gerais, Bahia, Ceará e outras origens. Em 2025 a Bahia empatou com o Espírito Santo em produção bruta de lavra, 2,2 Mt cada, e o Espírito Santo caiu de 2,4 para 2,2 Mt enquanto batia recorde de exportação. Produção caindo com exportação subindo significa uma coisa: o estado beneficia e embarca bloco lavrado por outros.
origem geológica, sede empresarial, local de beneficiamento, unidade da federação exportadora e porto de saída são cinco geografias diferentes.
Quando o observatório mapear uma pedra, esses campos precisam ficar separados.
13Ceará: de origem mineral a corredor internacional.
O Ceará merece um caso próprio porque cresce simultaneamente em lavra, identidade de material e presença internacional. A v2 deste estudo falava em "forte expansão" e "avanço significativo" sem publicar um único número. Aqui estão os números.
Ceará em 2025.
- Exportação total de rochas: US$ 109,2 milhões, 7,4% do valor nacional, sobre 156,3 mil toneladas, US$ 700 por tonelada.
- Terceiro estado exportador do país em valor, atrás de Espírito Santo e Minas Gerais.
Ceará no 1º semestre de 2026.
- Exportação total de rochas: US$ 57 milhões, alta de 45,1%.
- Quartzito: US$ 40,6 milhões, alta de 48,0%, com Taj Mahal, Perla Venata, Matira, Perla Santana, Nayca e Avohai entre os materiais.
- Compradores: Itália em primeiro, com US$ 21,49 milhões; China em segundo, com US$ 19,75 milhões e alta de 214,5%; Estados Unidos em terceiro, com US$ 12,28 milhões.
- Terceiro estado exportador do semestre, atrás do Espírito Santo, com US$ 541,15 milhões, e de Minas Gerais, com US$ 67,14 milhões.
Interpretação amano: o quartzito responde por 71,2% da pauta cearense de rochas no semestre, 40,6 dividido por 57. E o principal comprador do Ceará é a Itália, não os Estados Unidos, o inverso do padrão nacional. O Ceará é hoje o estado brasileiro mais exposto à economia do bloco bruto, e por isso é também o mais exposto aos 25% da Seção 301, que o bloco paga e a chapa não.
Correção em relação à v2. A frase "O Porto do Pecém também registrou avanço significativo na movimentação de rochas" saiu do estudo. Não foi localizada fonte com número para essa afirmação, nem no banco do observatório nem em busca pública em 12 de agosto de 2026. Ausência não vira número.
Cuidado de leitura.
Dizer "o Ceará é o maior exportador de quartzito" depende do código, do nível de processamento e da unidade da federação de despacho. Como grande parte das chapas processadas de quartzito sai pelo Espírito Santo, a frase pode ser verdadeira em determinado recorte de material bruto e falsa em outro. O caminho correto é sempre informar a régua.
Materiais e agentes observados no território.
Um estudo acadêmico permite ancorar parte dos vínculos:
SANTOS, Francisco Wylhan Pereira dos. Análise das principais rochas ornamentais produzidas no estado do Ceará de acordo com o potencial de mercado e características geológicas. Trabalho de conclusão de curso, Engenharia de Minas, Universidade Federal do Ceará, campus Crateús, 2022. Orientador: Prof. Me. Rafael Chagas Silva. Dados do período de 2014 a 2018. repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/698…cc_fwpsantos.pdf
O trabalho nomeia Vermont Mineração, Granistone, posteriormente Nissi Rochas, Vulcano Export, Quartzblue Mineração e Mineração Agreste entre as empresas relevantes do período, e associa:
- Taj Mahal à Vermont Mineração, classificado geologicamente como quartzito, com 99% de quartzo e 1% de sericita;
- Perla Venata à Quartzblue Mineração, quartzito, com 99% de quartzo e 1% de sericita;
- Perla Santana à Mineração Agreste, quartzito sillimanítico sericítico.
É um retrato histórico de 2014 a 2018, não uma participação de mercado atual.
Duas declarações de empresa complementam o quadro, e ficam identificadas como declarações:
- A Quartzblue declara em seu sítio que é, desde 2011, a única proprietária da pedreira do Perla Venata, e localiza a origem em Moraújo e Uruoca, no Ceará. quartzblue.com/bawly-modern-house/
- A Thor Natural Stones declara em sua página de jazidas operar as pedreiras de Matira e Perla Rocca, ambas quartzito e ambas no Ceará, além de Bellagio, quartzito em Minas Gerais, Platino, quartzito na Bahia, e Branco Ceará, granito no Ceará. A mesma página declara que a empresa conta com mais de 30 pedreiras e com acordos e parcerias com outras jazidas, o que significa que estar no catálogo não é o mesmo que operar a jazida. thornaturalstones.com.br/jazidas/
O processo ANM específico de cada uma dessas jazidas segue como elo a fechar. Esses vínculos têm níveis de evidência diferentes e o capítulo 22 os classifica campo a campo.
14Bahia: diversidade, atlas e a pergunta da captura local.
A Bahia oferece um contraste entre riqueza geológica e infraestrutura de transformação. Em 2025 o estado empatou com o Espírito Santo em produção de lavra, 2,2 Mt cada, e exportou US$ 31,0 milhões, 2,1% do valor nacional, sobre 70,6 mil toneladas, US$ 440 por tonelada.
O atlas estadual documenta ampla base de pedreiras, materiais e municípios. A ABIROCHAS observa que o destaque produtivo de Bahia e Minas Gerais não se reflete proporcionalmente nas exportações, em parte porque materiais são beneficiados e despachados por outros estados.
Para quartzito, isso gera uma pergunta estratégica:
quanto valor econômico de uma origem permanece no território que a produz?
A resposta exige dados que hoje não estão consolidados material por material: CFEM, produção, empregos, beneficiamento local, frete, serviços, exportação e impostos.
Essa é uma oportunidade de pesquisa proprietária: construir uma Conta Territorial da Pedra, comparando valor mineral, valor industrial e valor exportado. É proposta de agenda, não achado.
15São Thomé: quando a origem vira método.
A Região Pedra São Thomé teve o registro de Denominação de Origem do INPI publicado na Revista da Propriedade Industrial em 9 de julho de 2024, para quartzito plaqueado e foliado usado prioritariamente como material de ornamentação e revestimento. O requerente é a AMIST, associação que reúne micro e pequenas empresas mineradoras, de beneficiamento, comércio, prestação de serviços, transporte e exportação de quartzito e sílicas da região de São Thomé das Letras. A área demarcada é delimitada entre o rio do Peixe, a sudoeste, e o rio do Cervo, a nordeste.
Não é a primeira indicação geográfica de pedra do Brasil. A mesma fonte registra que, antes da Pedra São Thomé, o INPI já havia concedido registro às pedras Carijó, Cinza e Madeira, todas do Rio de Janeiro, e ao mármore de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. São Thomé é a primeira de Minas Gerais e a primeira de quartzito. A consulta ao registro oficial do INPI fecha o quadro com número de processo, espécie e data:
| indicação geográfica | espécie | processo | data |
|---|---|---|---|
| Pedra Carijó Rio de Janeiro | denominação de origem | IG201004 | 22 de maio de 2012 |
| Pedra Madeira Rio de Janeiro | denominação de origem | IG201005 | 22 de maio de 2012 |
| Pedra Cinza Rio de Janeiro | denominação de origem | IG201006 | 22 de maio de 2012 |
| Mármore de Cachoeiro de Itapemirim | indicação de procedência | IG201007 | 29 de maio de 2012 |
| Região Pedra São Thomé | denominação de origem | BR412018050005-0 | 9 de julho de 2024 |
Duas observações de leitura. A primeira: as quatro anteriores não são todas denominações de origem. Cachoeiro de Itapemirim é indicação de procedência, que é outra espécie de registro, com outro requisito de prova. Quem escreve "cinco denominações de origem de pedra no Brasil" está errando a contagem por uma. A segunda: a base interna de origem do observatório diverge desse quadro em parte dos campos. A divergência se resolve atualizando a base contra o registro oficial, e não retirando a fonte primária do texto.
O interesse do caso vai além do selo. A documentação técnica articula fator locacional, histórico, tecnológico, geológico, institucional e mercadológico. A rocha é caracterizada por composição predominantemente quartzosa, 95% a 98% de quartzo e 2% a 5% de mica branca, com propriedades físicas e mecânicas e áreas de extração delimitadas. O nome passa a ter relação formal com território e atributos.
Isso cria um parâmetro para o quartzito premium brasileiro:
nome mais área mais geologia mais técnica mais governança mais regras de uso.
Não significa que Taj Mahal, Mont Blanc ou outros materiais devam buscar uma indicação geográfica. Em muitos casos, marca privada, segredo comercial, jazida exclusiva ou estrutura societária pedem outro modelo. O que São Thomé ensina é a disciplina de provar o nexo entre o que a empresa diz e o que a origem sustenta.
16Para onde vai: três mercados, três funções.
Estados Unidos: valor processado e especificação.
Os Estados Unidos continuam sendo o maior mercado brasileiro em valor para rochas naturais. Em 2025 compraram US$ 795 milhões em rochas brasileiras, sobre cerca de 587 mil toneladas, 53,6% do valor exportado pelo Brasil. No primeiro semestre de 2026 compraram US$ 364,2 milhões, 51,66% do total, com queda de 14,45% em valor.
Uma nota de precisão que a v2 não trazia: US$ 795 milhões é o número da Centrorochas. O USITC, na sua cesta ampliada, que inclui quartzo engenheirado, atribui ao Brasil US$ 787 milhões no mesmo ano. Os dois números medem cestas diferentes e não devem ser trocados um pelo outro.
No recorte de natural quartzite das importações americanas, a análise da Stone World com dados do USITC DataWeb mostra:
| 2024 | 2025 | variação | |
|---|---|---|---|
| natural quartzite, total importado pelos EUA | US$ 413 mi | US$ 609 mi | +47,2% |
| parcela brasileira | US$ 322 mi | US$ 494 mi | +53,4% |
O Brasil respondeu por 81,1% do valor importado da categoria em 2025: 494 dividido por 609. A publicação descreve isso como "roughly 81 cents of every quartzite dollar".
China: escala física e matéria-prima.
A China é mercado de grande peso em volume. No primeiro semestre de 2026 as exportações brasileiras de rochas para a China somaram US$ 142,7 milhões, 20,24% do total, com alta de 31,04% em valor, no recorte da ABIROCHAS.
No código de quartzito bruto, em 2024, o Brasil declarou exportação de US$ 49,51 milhões e 91,44 mil toneladas para a China. A China, como importadora, reportou US$ 63,6 milhões de origem brasileira. A diferença entre dados espelho não é erro exclusivo do quartzito: comércio internacional diverge por FOB contra CIF, momento do registro, reexportação e classificação.
Itália: transformação, seleção e legitimação.
Aqui a v2 publicou um percentual que a própria aritmética desmentia. A checagem localizou os dois espelhos, e o quadro correto é este.
| lado que declara | valor | volume | preço implícito |
|---|---|---|---|
| Brasil, exportação para a Itália | US$ 44,55 mi | 69,07 mil t | US$ 645/t, base FOB |
| Itália, importação de origem brasileira | US$ 52,14 mi | 66,33 mil t | US$ 786/t, base CIF |
| Itália, importação total do código, todas as origens | US$ 54,35 mi | 70,70 mil t | US$ 769/t, base CIF |
A parcela brasileira no mercado italiano é de 95,9% em valor, pelo espelho italiano: 52,144 dividido por 54,351. Em volume são 93,8%: 66,33 dividido por 70,70. Esse é o cálculo que sustenta o "cerca de 96%" que a v2 publicou sem mostrar a conta, e a própria base o resume como aproximadamente 96%.
Correção em relação à v2, e nota de perímetro que não deve ser desfeita. A versão anterior escreveu que "as importações totais da categoria foram US$ 52,6 milhões e o Brasil respondeu por aproximadamente 96% do valor", ao lado de um valor brasileiro de US$ 44,6 milhões. Os dois números não fecham entre si: 44,6 dividido por 52,6 é 84,8%.
O 84,8% não é a correção do erro; é um segundo erro, e ele não entra neste estudo. Ele divide o valor que o Brasil declara ter exportado, em base FOB, pelo valor que a Itália declara ter importado, em base CIF. São dois espelhos diferentes, com bases de preço diferentes. Uma fração cujo numerador vem de uma declaração e cujo denominador vem de outra não mede participação de mercado: mede a razão entre dois registros administrativos distintos, e subestima a parcela brasileira exatamente na medida em que o CIF é maior que o FOB.
A conta correta fica inteira dentro do espelho italiano: origem brasileira sobre importação total do mesmo código, no mesmo ano, na mesma base CIF, na mesma consulta. Dá 95,9%. Se alguém quiser fazer a conta pelo espelho brasileiro, precisa de um denominador brasileiro, que é a exportação total do Brasil no código, US$ 102,60 milhões, e aí o que se mede é outra coisa: o peso da Itália na pauta brasileira, 43,4%.
Atenção para não confundir dois percentuais de 96% neste estudo. Este, de 95,9%, é a fatia brasileira nas importações italianas de quartzito bruto em 2024, apurada no WITS sobre UN Comtrade. O outro, do capítulo 12, é a fatia do Espírito Santo no valor brasileiro exportado na NCM 6802.99.90 em 2025, apurada na ABIROCHAS. São medidas diferentes, de anos diferentes, de fontes diferentes, e nenhuma das duas corrige a outra.
Interpretação amano: este é o melhor exemplo de dado espelho que o estudo tem. Sobre o mesmo fluxo, a Itália declara 17,0% mais valor e 4,0% menos volume do que o Brasil, e o preço por tonelada salta de US$ 645 para US$ 786. A diferença de valor é compatível com FOB contra CIF, que inclui frete e seguro. A diferença de volume não é explicada por isso, e fica registrada como pendência no capítulo 50.
A Itália não é apenas concorrente do Brasil. É também compradora de matéria brasileira e infraestrutura internacional de transformação, distribuição e legitimação. E, desde julho de 2026, é uma concorrente cuja pedra entra nos Estados Unidos sob condições tarifárias diferentes das brasileiras, o que é tratado no capítulo 20.
17Brasil no fluxo global de quartzito bruto.
Nota de nomenclatura, antes dos números. A consulta ao WITS sobre UN Comtrade para este código retorna a série na nomenclatura HS 1988/92, identificada pela própria base como H0, na qual o quartzito bruto ou apenas desbastado é a subposição 250621. Na nomenclatura do Sistema Harmonizado em vigor em 2024, a posição 2506 tem apenas duas subposições, 2506.10 para quartzo e 2506.20 para quartzito, e a 250621 não existe mais. As duas se referem ao mesmo material; o código difere porque a base mantém séries longas em nomenclatura antiga. Esta é exatamente a recomendação operacional que o capítulo 20 faz: declarar sempre a versão da nomenclatura consultada.
Na base WITS sobre UN Comtrade, em 2024, o Brasil foi o maior exportador mundial de quartzito bruto ou apenas desbastado por valor:
| exportador | valor 2024 |
|---|---|
| Brasil | US$ 102,60 mi |
| Itália | US$ 34,11 mi |
| China | US$ 25,02 mi |
| União Europeia | US$ 23,94 mi |
| Canadá | US$ 14,64 mi |
O Brasil embarcou 177,7 mil toneladas, a US$ 577 por tonelada de média.
Principais destinos declarados pelo Brasil:
| destino | valor 2024 | volume | preço implícito |
|---|---|---|---|
| China | US$ 49,51 mi | 91,44 mil t | US$ 541/t |
| Itália | US$ 44,55 mi | 69,07 mil t | US$ 645/t |
| Índia | US$ 2,01 mi | 3,25 mil t | US$ 619/t |
| Estados Unidos | US$ 1,35 mi | 0,94 mil t | US$ 1.428/t |
As quatro linhas somam US$ 97,41 milhões dos US$ 102,60 milhões, 94,9% do valor, e 164,70 mil das 177,70 mil toneladas, 92,7% do volume. A sobra é compatível com destinos não listados.
Anotação sobre o preço americano. US$ 1.428 por tonelada é 2,5 vezes a média brasileira do próprio código, US$ 577. Para material declarado como bruto ou apenas desbastado, esse preço sugere mistura de material, bloco de seleção muito alta ou volume mal capturado sobre uma base pequena, de 942 toneladas no ano inteiro. O observatório publica o número e registra a anotação; ele não muda nenhuma conclusão do estudo.
A fotografia é quase o inverso do mercado de chapas premium nos Estados Unidos. O bruto segue principalmente para grandes polos de transformação. O processado de maior valor encontra mercado final em destinos como Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Interpretação amano: o Brasil participa de duas economias ao mesmo tempo. Uma vende origem mineral. A outra vende superfície pronta para especificação. Em 2026 os Estados Unidos passaram a cobrar preços tarifários diferentes por cada uma delas.
18Estados Unidos: quartzito cresce enquanto engineered quartz recua.
Em 2025, segundo análise da Stone World a partir do USITC DataWeb:
| categoria | 2024 | 2025 | variação |
|---|---|---|---|
| natural stone, total | US$ 2,63 bi | US$ 2,63 bi | +0,03% |
| engineered quartz | US$ 1,61 bi | US$ 1,35 bi | -16,5% |
| natural quartzite | US$ 413 mi | US$ 609 mi | +47,2% |
| granito | US$ 690 mi | US$ 571 mi | -17,3% |
| mármore e travertino | US$ 1,18 bi | US$ 1,15 bi | -2,9% |
A participação do natural quartzite dentro das importações de pedra natural passou de 15,7% para 23,1%: 413 dividido por 2.630 é 15,70%; 609 dividido por 2.630 é 23,16%.
O movimento é relevante, e é preciso resistir à tentação de explicar uma série pela outra. Há fatores simultâneos: desaceleração de determinados materiais, tarifas, remodelação residencial, preferência estética, disponibilidade, regulação de sílica, deslocamento de capacidade produtiva de pedra engenheirada e força específica do quartzito brasileiro.
Portanto:
fato: natural quartzite cresceu 47,2% e engineered quartz recuou 16,5% no mesmo ano.
hipótese plausível: parte dos compradores migrou para materiais naturais.
não comprovado: o recuo do engineered quartz causou, sozinho, a alta do quartzito.
O observatório acompanha as duas séries em paralelo.
19A armadilha da narrativa "natural igual a sem sílica".
Esta é uma das descobertas não óbvias mais importantes do estudo, e a checagem a tornou mais forte, não mais fraca.
O que a tabela oficial americana diz.
Em 5 de março de 2026, OSHA e NIOSH publicaram a atualização do alerta conjunto Worker Exposure to Silica during Countertop Manufacturing, Finishing, and Installation, identificado como DHHS (NIOSH) Publication No. 2026-101 e OSHA DTSEM HA-3768-2026. O alerta cobre explicitamente fabricação, acabamento e instalação de bancadas de pedra natural e pedra engenheirada, e traz uma tabela de teor típico de sílica cristalina por material:
| material | teor típico de sílica cristalina |
|---|---|
| quartzito | ≥ 95% |
| pedra engenheirada | < 0,2% a 95% |
| granito | 10% a 50% |
| mármore | < 5% |
Leia a tabela outra vez. Na tabela oficial que o governo americano usa para orientar controle de exposição ocupacional, o quartzito é o material de maior teor típico de sílica cristalina, acima do topo da faixa da pedra engenheirada. A pedra engenheirada tem a faixa mais larga, de menos de 0,2% a 95%, porque hoje existem formulações de baixa sílica no mercado. O quartzito não tem faixa: tem piso.
Correção em relação à v2. A versão anterior escreveu que "NIOSH informa que esses materiais normalmente têm mais de 90% de sílica cristalina respirável na composição", referindo-se à pedra engenheirada, e datou o alerta em fevereiro de 2026. Duas coisas saíram. A data correta é 5 de março de 2026. E a formulação confundia composição do material com fração respirável gerada no corte, que são coisas diferentes: sílica cristalina é o que está na rocha; sílica cristalina respirável é o que a ferramenta lança no ar.
O que isso significa para o quartzito brasileiro.
Quartzito é, por definição, uma rocha rica em quartzo. São Thomé tem 95% a 98% de quartzo na documentação da Denominação de Origem. O trabalho da UFC de 2022 classifica Taj Mahal e Perla Venata com 99% de quartzo e 1% de sericita.
Portanto, a resposta estratégica de uma empresa brasileira não pode ser usar segurança ocupacional como argumento contra superfícies artificiais. O argumento se volta contra quem o usa: pela tabela americana, o quartzito é a rocha de maior teor. A resposta é fazer melhor:
- fornecer ficha petrográfica com teor de sílica declarado;
- informar composição por material, não por categoria;
- orientar processamento seguro na cadeia de destino;
- exigir métodos úmidos e exaustão;
- treinar parceiros de corte e instalação;
- tratar saúde ocupacional como parte da qualidade do material.
O quadro regulatório em 12 de agosto de 2026.
| jurisdição | ato | data | escopo | pedra natural incluída? |
|---|---|---|---|---|
| Austrália | proibição de fabricação, fornecimento, processamento e instalação de pedra engenheirada | 1º de julho de 2024 | pedra engenheirada | não |
| Austrália | proibição de importação de pedra engenheirada | 1º de janeiro de 2025 | pedra engenheirada | não |
| Brasil | Portaria MTE nº 105, que altera a NR-22 e aprova o Anexo V, sobre exposição a poeiras minerais | 29 de janeiro de 2026 | mineração | sim |
| Estados Unidos, federal | alerta conjunto OSHA e NIOSH, orientação e não proibição | 5 de março de 2026 | bancadas | sim, explicitamente |
| Reino Unido | HSE declara inaceitável o corte a seco de pedra engenheirada e anuncia programa de inspeção | 11 de maio de 2026 | pedra engenheirada | não |
| Califórnia | Standards Board vota, por unanimidade, conceder a petição que inicia o processo de proibir fabricação e instalação de pedra artificial acima de 1% de sílica cristalina | votação em 21 de maio de 2026, divulgação em 22 de maio de 2026 | pedra artificial | não no escopo da proibição proposta; sim no escopo da norma emergencial de dezembro de 2023, que alcança pedra natural acima de 10% de sílica cristalina |
| Reino Unido | HSE emite as primeiras quatro notificações de proibição a marmorarias reprovadas em inspeção, dentro de programa de mais de mil inspeções em 2026 e 2027 | 25 de junho de 2026 | pedra engenheirada | não |
Interpretação amano: existe uma assimetria regulatória favorável ao quartzito e ela é real, mas ela é uma assimetria de material, não de risco, e é mais estreita do que a leitura corrente sugere. As proibições em vigor ou em curso atingem a pedra engenheirada e artificial e deixam a pedra natural de fora da proibição. Deixar de fora da proibição não é deixar de fora da regulação: na Califórnia, a norma emergencial de dezembro de 2023 alcança pedra artificial e também pedra natural com mais de 10% de sílica cristalina, faixa em que o quartzito está inteiro. Ao mesmo tempo, o único documento que compara teores lado a lado coloca o quartzito no topo. A leitura comercial honesta é: o quartzito ganha mercado por decisão regulatória sobre outro material, e não por ser um material de baixo risco nem por estar fora do alcance do regulador. Uma empresa que confundir as três coisas está construindo argumento sobre areia.
Os números da Califórnia, e o número da petição.
Mais de 560 trabalhadores de pedra na Califórnia contraíram silicose, com 31 mortes e 58 transplantes de pulmão entre trabalhadores de pedra engenheirada desde 2019. Cerca de 75% dos casos foram confirmados nos últimos três anos. A regra ainda precisa de segunda votação depois que a Cal/OSHA desenvolver o texto, e o conselho pediu que a agência prepare as constatações de emergência que sustentem rito acelerado.
A divergência do número da petição está resolvida, e ela era um problema de ano, não de fonte. As duas revisões anteriores hesitaram entre 597 e 609 porque fontes secundárias citavam números diferentes. Os dois números existem e são petições distintas, ambas da Western Occupational and Environmental Medicine Association:
- petição 597, de julho de 2023, pediu norma emergencial sobre exposição ocupacional a sílica cristalina respirável na fabricação de pedra engenheirada. É a que antecede a norma emergencial de dezembro de 2023;
- petição 609, de 2026, pede a proibição de toda tarefa de fabricação e instalação de pedra engenheirada com mais de 1% de sílica cristalina. É a que o conselho decidiu conceder em 21 de maio de 2026.
O observatório publica 609 para o ato de 2026 e registra que o banco interno guarda o 597, o que precisa ser corrigido na base e não no registro público.
Aprofundamento · composição, exposição e responsabilidade são três coisas diferentes.
A discussão de sílica fica mais rigorosa quando se separam três níveis.
1. Composição do material.
É o que a tabela de OSHA e NIOSH mede. Quartzito, igual ou acima de 95% de sílica cristalina. É uma propriedade da rocha e não muda com o processo.
2. Geração de poeira respirável.
A existência de sílica cristalina no material não equivale à exposição do trabalhador. O risco aparece quando corte, desbaste, furação e polimento geram partículas na faixa respirável. É aqui que o método de trabalho entra.
3. Exposição ocupacional efetiva.
Depende de processo, método úmido, exaustão, isolamento, limpeza, equipamento de proteção, tempo e concentração no ambiente. É o que a regulação mede e o que gera passivo.
A narrativa correta não é "natural não tem sílica". É:
pedra natural deve entrar em uma cadeia tecnicamente responsável de fabricação, com composição conhecida, documentação, controle de poeira e treinamento.
Essa postura reduz risco de reputação e antecipa exigências que tendem a migrar de saúde ocupacional para compras e especificação.
20Tarifa: quando petrografia vira comércio.
Este capítulo foi reescrito por inteiro. A versão anterior publicava a isenção do quartzito e não mencionava a segunda ação tarifária americana, o que levava o leitor a concluir que a chapa de quartzito entra nos Estados Unidos sem sobretaxa da Seção 301. Isso é falso.
O quadro completo, com data de cada ato.
Duas ações distintas da Seção 301 incidem hoje sobre a rocha brasileira.
Camada 1 · Seção 301 sobre o Brasil, 25%.
- Ato: aviso final do USTR, Notice of Action: Brazil's Acts, Policies, and Practices, de 15 de julho de 2026, resultado de investigação aberta em julho de 2025 sobre comércio digital, meios de pagamento, tarifas preferenciais, aplicação de normas anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O processo recebeu mais de 360 manifestações e teve audiências públicas em 6 e 7 de julho de 2026.
- Vigência: 22 de julho de 2026, às 12h01, horário do leste dos Estados Unidos, para mercadorias declaradas para consumo ou retiradas de entreposto a partir desse momento. Mercadorias em trânsito antes da data e declaradas até 29 de julho de 2026 ficaram fora.
- Heading: 9903.05.01, com as exceções nas headings 9903.05.02 a 9903.05.09.
- Alíquota: 25% ad valorem, adicionais.
- Exclusões: anexo com mais de 1.600 subposições da HTSUS. Entre todos os códigos de rocha, apenas a HTSUS 6802.99.00 aparece na lista, no Anexo I, subdivisão (a)(ii) da nota americana 50. É o código que abriga quartzito e quartzo natural beneficiados, e é o principal item da pauta brasileira de rochas para os Estados Unidos.
- Cláusula relevante: o aviso registra que as mercadorias da heading 9903.05.01 "shall continue to be subject to antidumping, countervailing, or other duties, taxes, fees, exactions and charges that apply to such products".
Camada 2 · Seção 301 sobre trabalho forçado, 12,5%.
- Ato: ação final do USTR contra 60 economias por falha em proibir e fazer cumprir a proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado, publicada no Federal Register em 28 de julho de 2026, documento 2026-15181, 91 FR 47318.
- Vigência: 24 de julho de 2026, às 12h01, horário do leste. Mercadorias em trânsito antes da data e declaradas até 28 de julho de 2026 ficaram fora.
- Headings: 9903.05.20 a 9903.06.21. A mensagem da alfândega atribui ao Brasil a heading específica 9903.05.27.
- Alíquota para o Brasil: 12,5%, a mesma faixa de China, Turquia, Rússia, Vietnã e Arábia Saudita, entre outros. A Índia ficou na faixa de 10%, por medidas adotadas durante a investigação. Estados membros da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Suíça e Taiwan têm alíquota condicionada à tarifa de nação mais favorecida de cada mercadoria, pela subdivisão (j) da nota americana 52.
- Exclusões: 471 mercadorias brasileiras no Anexo I e no Anexo II, Parte A. Nem a 6802.99.00 nem a 2506.20.00 foram localizadas nessa lista, em duas conferências independentes. O texto escreve "não localizadas" e não "ausentes por certeza documental", porque a verificação foi feita por busca das linhas dentro dos anexos, e não por índice oficial de isentos por país.
O que cada material paga hoje, ato por ato.
Esta tabela é lida por coluna, e não por soma de linha. O estudo não publica uma alíquota única somada, e o motivo está na seção seguinte.
| material e código | Seção 301 Brasil, 25%, desde 22/07/2026 | Seção 301 trabalho forçado, 12,5%, desde 24/07/2026 | efeito combinado |
|---|---|---|---|
| quartzito e quartzo natural beneficiados · HTSUS 6802.99.00 | excluído pelo anexo | alcançado, sem isenção localizada | uma ação incide: 12,5% |
| quartzito bruto ou apenas desbastado · HTSUS 2506.20.00 | alcançado | alcançado, sem isenção localizada | duas ações incidem; a regra de cumulação entre elas não foi localizada em orientação publicada |
| mármore, granito, ardósia e demais rochas | alcançado | alcançado, sem isenção localizada | duas ações incidem; mesma pendência de cumulação |
Além dessas duas ações, permanece a tarifa geral do próprio código, tratada no aprofundamento, e permanecem os demais direitos, taxas e encargos que o aviso de 15 de julho declara continuar aplicáveis. Este estudo descreve atos públicos de comércio exterior. Ele não substitui classificação aduaneira nem parecer jurídico, e o efeito total sobre uma importação concreta depende da classificação HTSUS declarada, da data de entrada, das regras de cumulação e de eventuais exclusões específicas.
O achado comercial mais forte do estudo.
O bloco bruto de quartzito é alcançado pela primeira ação e a chapa beneficiada de quartzito foi excluída dela.
A lista de exclusões do aviso de 15 de julho de 2026 traz um único código de rocha, a 6802.99.00. Não constam dela 2506.20.00, 2514, 2515, 2516, 6801, 6802.21, 6802.23, 6802.29, 6802.91, 6802.93 nem 6803. A cobertura setorial confirma a leitura pelo lado do material: a Stone World, a Stone Update e a Centrorochas registram que mármore, granito, ardósia e demais rochas continuam sujeitos à tarifa adicional, e que apenas a classificação que abriga os quartzitos brasileiros ficou de fora.
Por que isso importa. Estados Unidos, historicamente, taxam mais o material processado do que a matéria-prima, para proteger a indústria local de transformação. Aqui acontece o inverso: a alfândega americana criou, sem dizer que era esse o objetivo, um incentivo de 25 pontos percentuais para que o Brasil embarque chapa em vez de bloco. É a mesma direção que o preço já apontava, de US$ 569 para US$ 2.370 por tonelada, agora reforçada por um instrumento fiscal.
A ressalva de tamanho, para não exagerar o achado. O fluxo brasileiro de bloco bruto de quartzito para os Estados Unidos é pequeno: US$ 1,35 milhão e 942 toneladas em 2024, contra US$ 49,51 milhões para a China e US$ 44,55 milhões para a Itália. O efeito imediato da tarifa sobre esse fluxo é marginal. O que não é marginal é o sinal: um comprador americano que hoje pense em importar bloco brasileiro para serrar nos Estados Unidos passou a ter 25 pontos de desvantagem contra comprar a chapa já pronta no Brasil. Isso é uma alteração de estrutura de cadeia, não uma alteração de preço.
Contraponto direto ao movimento de blocos. O capítulo 33 registra que os blocos de quartzito cresceram 34,2% em valor no primeiro semestre de 2026. Esse crescimento é dirigido a China e Itália, não aos Estados Unidos, e a tarifa americana o empurra ainda mais para longe do mercado de maior preço.
Quanto pesa o código excluído da primeira ação.
A NCM 6802.99.90, que corresponde à HTSUS 6802.99.00 em parte relevante do fluxo, respondeu por 76,9% da receita brasileira nos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026: US$ 280 milhões de um total de US$ 364,2 milhões. A v2 deste estudo escrevia "concentra parcela muito alta da receita brasileira" sem quantificar. Aqui está o número, e ele vem do próprio informe da entidade.
O que ainda não está resolvido.
A soma das duas alíquotas não está confirmada, e por isso este estudo não a publica como número próprio. O setor brasileiro já divulga 37,5% como se fosse a tarifa da rocha não excluída. Esse valor é a soma aritmética de 25 com 12,5, e não uma alíquota estabelecida por ato publicado.
O que a conferência encontrou, na fonte primária, em 12 de agosto de 2026:
- a mensagem CSMS nº 69302472, da primeira ação, cria a heading 9903.05.01 com 25% adicionais a partir de 22 de julho e registra que as mercadorias dessa heading "continuam sujeitas a direitos antidumping, compensatórios ou outros direitos";
- a mensagem CSMS nº 69326983, da segunda ação, atribui ao Brasil a heading 9903.05.27 com 12,5% adicionais a partir de 24 de julho e não contém uma única frase sobre a relação entre essa alíquota e a da primeira ação. Não diz que somam, não diz que se substituem, não diz qual prevalece;
- nenhum aviso no Federal Register localizado até esta data estabelece a regra de cumulação entre as duas headings sobre a mesma mercadoria.
Consequência editorial, e ela é uma regra da casa e não uma cautela retórica: o observatório descreve cada ação com a sua data, a sua heading e o seu efeito, e não soma alíquotas de atos distintos em texto editorial sem regra de cumulação e de entrada específica verificada. Onde o número 37,5% aparecer, ele deve vir identificado como a soma que o setor divulga, com a pendência ao lado. Quem precisa do valor devido em uma importação concreta não deve tirá-lo deste estudo: deve tirá-lo da classificação declarada e de parecer aduaneiro.
A posição relativa da concorrência mudou de lado, e uma parte dela está suspensa. A Índia entrou na faixa de 10% da segunda ação. Para os países da União Europeia, incluída a Itália, a segunda ação estabelece regra condicionada à tarifa de nação mais favorecida de cada mercadoria, o que o observatório ainda não conseguiu resolver linha a linha para os códigos de rocha. A afirmação anterior de que a Itália teria ficado inteiramente fora da segunda tarifa está suspensa e não é publicada.
Contencioso em curso. O Brasil protocolou pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio contra as duas medidas, disputa WT/DS646, circulada em 30 de julho de 2026. O pedido de consultas é a primeira etapa obrigatória do sistema de solução de controvérsias e precede eventual pedido de painel.
A consequência prática.
a petrografia deixou de ser apenas documento técnico de especificação e passou a interferir em risco alfandegário, margem e competitividade, com preço definido: 25 pontos percentuais.
O que existe, com documento, sobre classificação fiscal de rocha. A ABIROCHAS publica o Informe 04/2023, Códigos do Sistema Harmonizado, baseados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), de interesse para o setor de rochas ornamentais e de revestimento, de Cid Chiodi Filho e Denize Kistemann Chiodi, de 28 de junho de 2023. É o documento setorial que organiza o enquadramento por estado de processamento, e é ele que atribui o quartzito bruto ou desbastado à 2506.20.00, no capítulo 25, e os materiais acabados de rochas silicosas, incluídos os quartzitos maciços, à 6802.99.90, no capítulo 68.
O que não foi localizado, e fica como lacuna nomeada. As duas revisões anteriores atribuíam à ABIROCHAS a recomendação de laudo petrográfico emitido por laboratório acreditado para sustentar o enquadramento de rochas silicáticas que não são granitos geológicos verdadeiros. Nenhuma das duas identificou o documento. A busca desta edição consultou o Informe 04/2023, que trata exatamente de classificação e não contém essa recomendação, e localizou cobertura setorial de 18 de julho de 2026 que remete a um "Informe ABIROCHAS 06/2025" como a orientação de classificação diante da tarifa. Esse informe não foi localizado no sítio da entidade em 12 de agosto de 2026. A recomendação sai do texto como afirmação atribuída e entra no anexo A como pedido à entidade: identificar o documento, o número e a data. Enquanto isso, o que o estudo afirma é mais modesto e é sustentável: o enquadramento depende de caracterização petrográfica, e a diferença entre dois códigos vale 25 pontos na primeira ação.
Para empresas exportadoras, cadastro fiscal sem biblioteca petrográfica robusta passou a ser risco quantificável.
Aprofundamento · o que a classificação americana permite enxergar.
A versão 2026 do Harmonized Tariff Schedule dos Estados Unidos traz granularidade útil para o quartzito. Dentro de HTSUS 6802.99.00, "Other stone", o sistema estatístico americano separa:
- 6802.99.00.30, monuments, bases and markers;
- 6802.99.00.50, quartzite: slabs;
- 6802.99.00.70, quartzite: other;
- 6802.99.00.90, other.
Do lado americano é possível isolar o fluxo de chapas de quartzito com mais precisão do que na NCM brasileira 6802.99.90, que agrega chapas de diferentes rochas silicáticas e silicosas e cuja leitura setorial precisa ser feita por composição predominante, não por equivalência perfeita.
Tarifa geral do código. A HTSUS 6802.99.00 tem tarifa geral, coluna 1 general, de 6,5%. O valor está em duas bases tarifárias comerciais independentes, que declaram revisões diferentes da mesma tabela: uma declara a HTSUS Revision 29, de 2025, e a outra declara a revisão 15 de 2026, de 3 de agosto de 2026. As duas coincidem no mesmo 6,5%. A consulta direta ao hts.usitc.gov foi tentada outra vez na consolidação desta versão e o arquivo do capítulo 68 voltou em formato binário, sem tabela legível. A pendência diminuiu de tamanho, mas continua de pé: o número tem duas fontes secundárias convergentes e nenhuma fonte primária aberta. A v2 publicava esse número a seco.
Esta tarifa geral é a terceira camada de custo aduaneiro do código, ao lado das duas ações da Seção 301, e ela não é uma sobretaxa de 2026: é a alíquota normal do item. O estudo a registra separada exatamente para que ninguém a some às outras duas.
Essa diferença de nomenclatura produz uma recomendação operacional:
o observatório deve construir uma tabela de correspondência NCM para HTSUS para HS, armazenando também o sufixo estatístico do país importador quando ele isolar melhor o material, e sempre a versão da nomenclatura.
Consequência para o banco de mercado.
Para cada fluxo, guardar:
- classificação brasileira na exportação;
- classificação do país importador;
- descrição textual;
- nível de agregação;
- se o código é "quartzito puro", "predominantemente quartzito" ou "cesta mista";
- fonte, versão da nomenclatura e data da consulta;
- situação tarifária corrente, com data do ato.
Essa arquitetura evita que uma mudança de classificação pareça uma mudança real de mercado, e evita repetir o problema do capítulo 17, onde uma consulta em nomenclatura de 1992 foi publicada como se fosse a classificação vigente.
O que o processo americano registrou sobre pedra.
O aviso final registra que participantes da consulta pública apontaram "the unique nature of the products sourced from Brazil, particularly colors and patterns not available in the United States", e que a tarifa sobre pedra poderia ser repassada em aumento de preço de moradia.
Portanto, o argumento "o quartzito brasileiro é complementar à indústria americana" deixou de ser apenas narrativa de venda e apareceu dentro do processo formal de consulta comercial dos Estados Unidos. Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas, declarou que "a decisão preserva parcela significativa das exportações brasileiras de pedra natural para os Estados Unidos, particularmente os quartzitos".
Importante: a exceção é específica ao código listado e à ação Seção 301 sobre o Brasil de 2026. Ela não significa ausência de tarifa normal, não significa imunidade à segunda ação, e não significa imunidade a mudanças futuras.
21Nome, origem e processo minerário.
A ANM possui infraestrutura pública relevante:
- área e polígono;
- titularidade;
- substância;
- localização;
- fase do processo;
- arrendamentos e outros atributos em bases complementares.
O SIGMINE disponibiliza poligonais de processos ativos e inativos em dados abertos. O Cadastro Mineiro permite pesquisa por município, estado, substância, CPF ou CNPJ e número do processo.
O que essa base não faz é organizar o mercado pelo nome que o arquiteto ou o comprador conhece.
Não existe, na ANM, um campo nativo "Taj Mahal igual a processo X" desenhado para o comércio. O Atlas da Proveniência precisa fazer essa ligação por triangulação:
nome comercial, empresa, razão social e CNPJ, município, substância, processo, polígono, licenciamento, evidência de que aquele processo corresponde àquele material.
Encontrar "um processo de quartzito da empresa" não fecha o elo. A empresa pode ter vários processos, em vários municípios, com várias substâncias. E, como o capítulo 22 mostra, uma empresa pode listar em catálogo material cuja jazida é operada por outra.
23Técnica: quartzito não é uma especificação.
Um nome bonito e uma composição rica em quartzo não respondem automaticamente:
- qual a absorção de água?
- qual a resistência à flexão?
- como reage a ciclos térmicos?
- como se comporta em áreas molhadas?
- qual a abrasão?
- há minerais acessórios suscetíveis a alteração cromática?
- a superfície escolhida muda escorregamento?
- a chapa é adequada à espessura e ao vão do projeto?
O dado que responde à pergunta "todo quartzito serve?".
Um trabalho da Universidade Federal do Ceará analisou 20 tipos de quartzito de 11 localidades do estado do Ceará, com ensaios de porosidade, densidade, absorção de água e resistências. A resistência à flexão média foi de 7,11 MPa, e o trabalho registra que somente 30% das amostras atendem aos limites estabelecidos pelas normas ABNT NBR 15845:2015 e ASTM C615-11 adotadas na comparação, recomendando evitar uso em locais externos expostos a vento.
SANTOS, Luzia Suerlange Araújo dos; SOARES, Wollker Cunha; MOURA, Roney Sérgio Marinho de; GOMES, Davi Aland Ferreira; NOGUEIRA NETO, José de Araújo; QUEIROZ, Leonardo Corecco de. Caracterização tecnológica dos quartzitos do estado do Ceará. Revista de Geologia, v. 30, n. 2, 2017. periodicos.ufc.br/geologia/article/view/20155 · registro no repositório: repositorio.ufc.br/handle/riufc/39394
É base histórica, de 2017, e a mensagem permanece: categoria geológica não substitui ensaio do material.
As normas que organizam o assunto.
A especificação de material aplicável ao quartzito é a ASTM C616/C616M-22, Standard Specification for Quartz-Based Dimension Stone, atualizada em 9 de setembro de 2022. Ela separa três classes: I, arenito; II, arenito quartzítico; III, quartzito, por teor de sílica livre, e define requisitos de absorção por peso, densidade, resistência à compressão, módulo de ruptura e resistência à abrasão. É a contraparte técnica da separação fiscal que colocou o quartzito beneficiado na lista de exclusões americana.
O Natural Stone Institute lista, entre as normas de ensaio aplicáveis a pedra natural: C97, absorção e densidade aparente; C170, resistência à compressão; C880, resistência à flexão; C99, módulo de ruptura; C1353, resistência à abrasão; C1354, ancoragem; C666 e C1645, durabilidade a ciclos de congelamento e degelo; C1352, módulo de elasticidade em flexão; e C1721, petrografia.
No conjunto brasileiro, as partes 1 a 8 da ABNT NBR 15845 cobrem análise petrográfica, densidade e absorção, dilatação térmica, congelamento e degelo, compressão uniaxial, módulo de ruptura, flexão em quatro pontos e impacto de corpo duro, e a ABNT NBR 15012 define a terminologia. O ano de vigência de cada parte precisa ser conferido no catálogo oficial da ABNT, que é a única fonte que informa se a norma está em vigor, cancelada ou substituída, e que não respondeu à consulta na checagem.
A recomendação geral é ensaiar o material quando os dados não estão disponíveis e relacionar propriedades ao uso. Para o observatório, isso sugere um Passaporte Técnico da Pedra por material.
24Do catálogo estético ao passaporte técnico.
Uma ficha competitiva de quartzito deveria integrar, no mínimo:
Identidade.
- nome canônico;
- nomes alternativos em uso;
- empresa e marca;
- família visual;
- situação do registro de marca.
Origem.
- estado;
- município;
- polígono;
- jazida;
- titular;
- operador;
- processo ANM;
- licença ambiental;
- nível de evidência de cada um destes campos.
Geologia.
- classificação petrográfica;
- minerais principais e acessórios;
- teor de sílica cristalina declarado;
- idade geológica quando conhecida;
- estruturas relevantes.
Tecnologia.
- densidade;
- porosidade;
- absorção;
- compressão;
- flexão;
- abrasão;
- impacto;
- choque térmico;
- comportamento cromático;
- norma e laboratório de cada ensaio.
Material acabado.
- espessuras;
- acabamentos;
- formatos;
- variação de lote;
- instruções de aplicação e manutenção.
Comércio.
- NCM e HTSUS aplicáveis, com versão da nomenclatura;
- situação tarifária corrente por mercado, com data do ato;
- principais mercados;
- forma de exportação;
- documentação técnica.
Prova.
- fonte de cada afirmação;
- data;
- laboratório;
- versão do laudo.
Esse é o nível em que informação vira infraestrutura comercial.
25Especificação: o último elo antes do desejo.
O Estudo 03 aprofundará o Atlas da Especificação, e o tema precisa aparecer aqui porque explica por que processamento, nome e técnica têm valor.
No mercado americano, o estudo histórico da ApexBrasil e Euromonitor de 2018 já mostrava uma cadeia com distribuidores, marmoristas e instaladores, e venda direta. Materiais cortados sob medida e de alto padrão tendiam a ter canais diferentes das chapas mais padronizadas. A estrutura evoluiu desde 2018 e a lógica permanece útil: quem escolhe, quem corta, quem instala e quem garante a aplicação são agentes econômicos distintos. O estudo é usado apenas como estrutura histórica de canais, não como retrato atual, e não fornece números a este documento.
Para quartzito, isso significa que a empresa pode vencer a venda e perder a especificação. Pode entrar no showroom e sair do projeto. Pode ter nome reconhecido e ficha insuficiente. Pode ter beleza e não ter detalhe técnico disponível no idioma do mercado.
O próximo estágio competitivo é transformar "pedra desejada" em "pedra fácil de especificar corretamente".
26Agentes: não existe apenas um tipo de empresa.
O mapa competitivo precisa separar funções.
Originadores e mineradores com materiais próprios.
Empresas cuja diferenciação depende de acesso à jazida e controle do material.
Grupos verticalizados.
Extração, beneficiamento, comercialização e exportação.
Beneficiadores e exportadores.
Podem não controlar a jazida de origem, e capturam valor industrial e comercial.
Distribuidores internacionais.
Transformam disponibilidade local em presença de mercado.
Marmoristas e instaladores.
Controlam etapa crítica de acabamento final, recomendação e risco técnico. São também onde está concentrado o risco de sílica na cadeia de destino.
Especificadores.
Arquitetos, designers, consultores de pedra, incorporadores e projeto de hotelaria.
Infraestrutura institucional.
ABIROCHAS, Centrorochas, Sindirochas, CETEM, SGB, ANM, INPI, universidades, laboratórios e órgãos ambientais.
Uma estratégia de quartzito precisa saber em qual camada a empresa compete e em qual camada depende de terceiros. O caso do Azul Macaúbas no capítulo 22 mostra por quê: catálogo e jazida são camadas diferentes, e o mercado costuma lê-las como se fossem a mesma.
27Circularidade: o resíduo começa a ganhar uma segunda vida.
Duas patentes brasileiras foram concedidas ao CETEM em 2026.
Patente BR 102019018155-9, anunciada em 20 de fevereiro de 2026: compósito de matriz polimérica utilizando resíduos da extração e do beneficiamento de quartzito como carga mineral particulada, com resina de poliuretano vegetal como matriz, e método de obtenção. Aplicação prevista em revestimentos como bancadas, pisos, balcões e superfícies similares. Inventores: Mônica Castoldi Borlini Gadioli, Carlos Paulino Agrizzi, Francisco Wilson Hollanda Vidal, Carlos Maurício Fontes Vieira e Elaine Aparecida Santos Carvalho Costa.
Patente BR 102021013304-0, anunciada em 15 de janeiro de 2026: tampas de bueiro com poliuretano, resíduos de quartzito, fibras de coco e antioxidante.
São sinais pequenos em relação ao tamanho da indústria, e relevantes porque demonstram que o resíduo pode deixar de ser passivo operacional e se tornar matéria-prima, material vendável, redução de descarte, projeto de inovação, ativo de propriedade intelectual e narrativa de circularidade.
Sinal emergente, não movimento consolidado: ainda é cedo para afirmar escala industrial dessas soluções.
Anotação de coerência. Um compósito de matriz polimérica com carga de quartzito é, do ponto de vista do capítulo 19, um material engenheirado com carga de alto teor de sílica. Qualquer piloto industrial dessas patentes precisa nascer com o protocolo de controle de poeira já dimensionado, porque é exatamente a categoria de material que Austrália, Reino Unido e Califórnia estão restringindo. Isso não é objeção à tecnologia. É requisito de projeto.
Aprofundamento · circularidade em quatro níveis de maturidade.
Nível 1 · prova laboratorial e propriedade intelectual.
Existe formulação tecnicamente demonstrada e patenteada.
Nível 2 · piloto.
A tecnologia precisa provar repetibilidade, custo, desempenho e disponibilidade de resíduo.
Nível 3 · material comercial.
É necessário fabricante, especificação, certificação, canal e demanda.
Nível 4 · cadeia circular.
Resíduo passa a ser classificado, segregado, precificado, vendido e reinserido em escala.
O setor brasileiro está no nível 1 e criando condições para pilotos. Não há evidência suficiente, nas fontes consultadas, para afirmar que compósitos de resíduo de quartzito já formam cadeia comercial relevante.
A oportunidade empresarial não é apenas licenciar uma patente. É mapear qual resíduo, em qual granulometria, com qual constância e em qual raio logístico pode alimentar uma aplicação economicamente viável.
28Sustentabilidade que merece ser medida.
Para quartzito, o observatório deveria acompanhar indicadores concretos.
Lavra.
- recuperação do maciço;
- volume de estéril e rejeito;
- consumo de água;
- energia;
- reabilitação progressiva;
- área afetada.
Beneficiamento.
- rendimento de bloco para chapa;
- lama e finos;
- recirculação de água;
- energia por metro quadrado;
- resina e demais insumos;
- reaproveitamento de quebrados.
Logística.
- distância da jazida à fábrica;
- da fábrica ao porto;
- modal;
- ocupação de contêiner.
Material.
- vida útil;
- reparabilidade;
- manutenção;
- possibilidade de reuso;
- composição química de tratamentos.
Trabalho.
- teor de sílica cristalina do material, declarado;
- exposição a sílica respirável medida;
- controles úmidos;
- exaustão;
- monitoramento ocupacional;
- treinamento da cadeia de destino.
Sem essas medidas, "pedra natural é sustentável" permanece uma frase de venda, não uma evidência.
29O que o mercado acredita contra o que os dados mostram.
| crença | classificação | evidência |
|---|---|---|
| "quartzito já é mais da metade da exportação" | verdadeiro nas duas metodologias em uso | 60,3% pela Centrorochas e 60,8% pela ABIROCHAS no 1º semestre de 2026 |
| "todo o código 6802.99.90 é quartzito" | falso | a NCM abriga chapas de diferentes rochas silicáticas e silicosas, segundo a própria ABIROCHAS |
| "Espírito Santo é a principal origem do quartzito brasileiro" | falso como afirmação geológica | em 2025 o estado empatou com a Bahia em produção de lavra e caiu de 2,4 para 2,2 Mt enquanto batia recorde de exportação; é polo de beneficiamento |
| "processado vale muito mais que bruto" | verdadeiro em preço unitário aduaneiro | US$ 2.370/t contra US$ 569/t em 2025, razão de 4,17 |
| "esse diferencial é a margem da indústria" | falso | preço unitário não desconta custos, perdas e composição de carteira |
| "natural quartzite está crescendo nos EUA" | verdadeiro | mais 47,2% em valor de importação em 2025 |
| "engineered quartz caiu porque todo comprador migrou para natural" | não comprovado | há correlação, não causalidade fechada |
| "quartzito natural não tem problema de sílica" | falso, e o oposto é o caso | na tabela oficial de OSHA e NIOSH de 2026, o quartzito tem teor típico igual ou superior a 95%, o maior entre os materiais comparados |
| "o quartzito brasileiro está isento da tarifa americana" | falso | a chapa foi excluída apenas da primeira ação, a Seção 301 sobre o Brasil; é alcançada pela Seção 301 sobre trabalho forçado, 12,5%, em vigor desde 24 de julho de 2026, e continua sujeita à tarifa geral do código |
| "o bloco bruto também foi excluído" | falso | a lista de exclusões da primeira ação traz um único código de rocha, a HTSUS 6802.99.00, que é o da chapa beneficiada |
| "nome comercial prova origem" | falso | exige documentação, e o capítulo 22 mostra dois agentes declarando coisas diferentes sobre o mesmo material |
| "processo da empresa prova processo da pedra" | falso | é necessário ligar processo, município, substância e jazida |
| "São Thomé é a primeira indicação geográfica de pedra do Brasil" | falso | é a primeira de Minas Gerais e a primeira de quartzito; o INPI já havia registrado Carijó, Madeira e Cinza como denominações de origem em 22/05/2012 e o mármore de Cachoeiro de Itapemirim como indicação de procedência em 29/05/2012 |
| "existem cinco denominações de origem de pedra no Brasil" | falso | são quatro denominações de origem e uma indicação de procedência, que é outra espécie de registro, com outro requisito de prova |
| "o Brasil tem 84,8% das importações italianas de quartzito bruto" | falso, e o erro é de perímetro | 84,8% divide o valor que o Brasil declara em FOB pelo total que a Itália declara em CIF, misturando dois espelhos. Dentro do espelho italiano a parcela é 95,9% |
| "não existe dado para melhorar o setor" | falso | existem muitas bases; o problema é integração e normalização |
30O que não esperávamos encontrar.
30.1 A primeira ação tarifária americana de 2026 alcança o bloco e exclui a chapa.
É o inverso do padrão histórico de proteção industrial, e é o achado comercial mais forte do estudo.
30.2 O quartzito é a rocha de maior teor de sílica na tabela oficial americana.
Igual ou superior a 95%, acima do topo da faixa da pedra engenheirada. O quartzito ganha mercado por decisão regulatória sobre outro material, não por ser material de baixo risco.
30.3 As duas metodologias setoriais chegam ao mesmo numerador por caminhos diferentes.
US$ 428,5 milhões pelos dois lados. O que muda é o denominador, e por isso a participação é 60,3% ou 60,8%.
30.4 O maior polo exportador não é o maior território de origem.
Isso muda como se lê qualquer ordenação estadual.
30.5 A categoria é grande e não tem denominador global confiável.
Há mais dado sobre fluxos específicos do que sobre o "mercado global de quartzito". É oportunidade de inteligência proprietária.
30.6 O setor possui muitos atlas e pouca interoperabilidade.
Bahia, São Thomé, ANM, empresas, Comex e laboratórios possuem pedaços diferentes da verdade, e nenhum deles conversa com o outro.
30.7 A proveniência premium brasileira vive quase inteira no nível E2.
A declaração da própria empresa é, hoje, a evidência dominante do mercado, e ela não resolve conflito entre dois declarantes.
31Espaços vazios.
1. Passaporte da Pedra brasileiro.
Integra origem, processo, geologia, ensaio, material acabado e documentação.
atratividade: muito alta
competição atual: baixa a média
barreira: integração de dados mais confiança empresarial.
2. Auditoria de proveniência.
Auditoria material por material para marcas com jazida ou narrativa de exclusividade.
3. Índice Técnico do Quartzito.
Base comparativa de absorção, flexão, compressão, abrasão, acabamento, teor de sílica e aplicação.
4. Governança de nomes.
Mapa de nomes, variantes, registros, homônimos e uso por mercado.
5. Rastreabilidade da jazida ao projeto.
Ligação entre bloco, lote, chapa, distribuidor e obra.
6. Otimizador de composição de carteira.
Ferramenta para decidir quanto vender bruto, quanto processar e para qual destino, usando preço, capacidade, risco e tarifa por código.
7. Mercado de resíduos e materiais secundários.
Base de resíduos por região e possíveis compradores e tecnologias.
8. Inteligência de especificação.
Acompanhamento de materiais em bibliotecas, showrooms, projetos, distribuidores e repertório profissional.
9. Observatório tarifário por código.
Monitoramento contínuo de HTSUS, headings 9903, exclusões e orientação alfandegária publicada, por material brasileiro. O capítulo 20 mostra que quinze dias de defasagem produzem uma conclusão invertida.
32Matriz de oportunidades.
Leitura de amano. Esta tabela não é dado. É juízo qualitativo de amano sobre nove oportunidades, construído a partir das evidências reunidas neste estudo. As colunas usam escala verbal sem critério numérico declarado, e a coluna de prioridade é uma ordenação de amano, não resultado de método reproduzível. Ela está em forma de tabela porque tabela organiza, e não porque os valores sejam medidos. Nenhuma linha desta tabela deve ser citada como achado do observatório.
| oportunidade | tamanho potencial | urgência | competição | dificuldade | aderência ao setor | ordem de prioridade amano |
|---|---|---|---|---|---|---|
| passaporte de proveniência | alta | muito alta | baixa | alta | muito alta | 1 |
| biblioteca petrográfica e fiscal | alta | muito alta | baixa | média | muito alta | 2 |
| inteligência de especificação | alta | alta | média | alta | muito alta | 3 |
| governança de nomes | média-alta | alta | baixa | média | muito alta | 4 |
| verticalização seletiva | muito alta | alta | alta | muito alta | alta | 5 |
| circularidade de resíduos | média-alta | média-alta | média | alta | alta | 6 |
| visita técnica de jazida entre empresas | média | média | baixa | média | alta | 7 |
| comparativo técnico de referência | alta | alta | baixa | alta | muito alta | 8 |
| plataforma de dados territoriais | alta | média-alta | baixa | muito alta | alta | 9 |
33Radar de movimentos por horizonte.
Agora, 2026 e 2027.
O quartzito domina a pauta premium brasileira.
evidência: US$ 428,5 milhões no 1º semestre de 2026, 60,3% pela Centrorochas e 60,8% pela ABIROCHAS.
impacto: decisões de investimento passam a depender da categoria.
A documentação petrográfica ganha valor comercial mensurável.
evidência: a diferença entre HTSUS 6802.99.00 e 2506.20.00 vale 25 pontos percentuais de tarifa desde 22 de julho de 2026.
impacto: laboratório e cadastro fiscal deixam de ser retaguarda.
Os blocos voltam a ganhar peso, e para os mercados errados.
evidência: NCM 2506.20.00, blocos de quartzito maciço, US$ 78,1 milhões e 141,1 mil toneladas no 1º semestre de 2026, alta de 34,2% em valor e 38,0% em volume, com preço médio de US$ 550 por tonelada, queda de 2,7%. No mesmo período as chapas subiram 2,0% em valor e 8,2% em volume, com preço médio de US$ 2.240 por tonelada, queda de 5,7%.
risco: compressão do valor capturado no Brasil, agravada pelo fato de que o bloco paga a tarifa americana e a chapa não.
A tarifa americana vira variável de composição de carteira.
evidência: duas ações da Seção 301, 25% e 12,5%, com um único código de rocha excluído da primeira e nenhum excluído da segunda.
impacto: a decisão entre bloco e chapa deixa de ser só industrial.
Dois a três anos.
Proveniência entra no premium.
Sinais: indicações geográficas, declarações de jazida única, demanda por transparência, rastreabilidade de materiais. E, agora, disputa declarada entre dois agentes sobre o mesmo material, como no caso do Azul Macaúbas.
Ficha técnica vira material de venda.
O material que chega ao especificador com ensaio, aplicação, teor de sílica e documentação reduz fricção de escolha.
A China ganha papel mais importante na composição da pauta.
O crescimento recente sugere aumento de importância, ainda predominantemente associado a volume e matéria bruta. No Ceará, a China cresceu 214,5% no primeiro semestre de 2026.
Até 2030.
Concentração em marcas de origem.
Materiais com nome reconhecível e origem protegida ou governada tendem a capturar mais reputação.
Integração de dado, lote e projeto.
O Passaporte da Pedra pode migrar de material institucional para infraestrutura digital.
Resíduo vira portfólio.
Tecnologias hoje pontuais podem abrir materiais e cadeias paralelas.
34Três cenários até 2030.
A meta setorial anunciada pela Centrorochas é chegar a US$ 3 bilhões em exportações brasileiras de rochas naturais em 2030. A meta foi apresentada pela entidade, na presidência de Tales Machado, em sessão solene na Câmara dos Deputados, em 11 de fevereiro de 2026, acompanhada de pleitos: agilidade no licenciamento mineral e ambiental, que hoje leva 8,5 anos, infraestrutura logística, modernização da regulamentação de transporte de rochas e inclusão do Sul do Espírito Santo na área da Sudene. A entidade declara reunir mais de 470 empresas, 76% no Sudeste e 17% no Nordeste.
Partindo dos US$ 1.475,8 milhões de 2025, a meta exige crescimento composto de 15,2% ao ano por cinco anos consecutivos. Por extenso: 3.000 dividido por 1.475,8 é 2,0328; a raiz quinta de 2,0328 é 1,1525; portanto 15,25%, que o observatório publica arredondado para 15,2%.
Cenário conservador: crescimento sem mudança estrutural.
premissa: setor cresce 5% ao ano.
exportação 2030: US$ 1,88 bilhão. Por extenso: 1.475,8 vezes 1,05 elevado a 5 é 1.883,5.
hipótese de participação do quartzito: 58%, sem lastro em fonte.
quartzito no cenário: US$ 1,09 bilhão. Por extenso: 1.883,5 vezes 0,58 é 1.092,4.
O setor cresce e permanece concentrado em mercados atuais, continuando a enviar parcela relevante de blocos.
vencedores: empresas eficientes, de baixo custo, com distribuição já consolidada.
risco: crescimento de volume sem avanço equivalente de preço.
Cenário provável: quartzito sustenta novo ciclo de valor.
premissa: setor cresce 10% ao ano.
exportação 2030: US$ 2,38 bilhões. Por extenso: 1.475,8 vezes 1,10 elevado a 5 é 2.376,8.
hipótese de participação do quartzito: 62%, sem lastro em fonte.
quartzito no cenário: US$ 1,47 bilhão. Por extenso: 2.376,8 vezes 0,62 é 1.473,6.
Mais beneficiamento, mercados premium, documentação, especificação e diversificação.
vencedores: originadores com controle de jazida, grupos com transformação e marcas com presença internacional.
Cenário de ruptura: a meta de US$ 3 bi é atingida.
premissa: meta setorial cumprida.
exportação 2030: US$ 3,00 bilhões.
hipótese de participação do quartzito: 65%, sem lastro em fonte.
quartzito no cenário: US$ 1,95 bilhão. Por extenso: 3.000 vezes 0,65 é 1.950.
Isso exige mais do que demanda. Exige capacidade industrial, logística, mercado, material, inteligência e disciplina de marca.
indicadores antecedentes:
- preço médio das chapas;
- participação de processados;
- mercados fora dos Estados Unidos;
- situação das duas camadas tarifárias americanas;
- número de materiais com ficha técnica completa;
- investimentos em beneficiamento;
- prazo portuário;
- especificação internacional;
- contratos de distribuição;
- novas declarações de origem documentadas.
Importante: esses cenários são construções amano, não projeções de terceiros. As três participações do quartzito, 58%, 62% e 65%, são premissas de amano e não têm lastro em fonte. A leitura do banco do observatório sobre a meta é direta: volume não entrega 15,2% ao ano com o principal mercado sob tarifa; preço médio entrega. A meta oficial do setor é, na prática, uma meta de valor agregado.
35Mapa de riscos.
Leitura de amano. Esta tabela não é dado. As colunas de probabilidade e impacto usam escala verbal sem critério declarado e sem série que as sustente. Elas expressam o juízo de amano sobre a exposição do setor, construído a partir das evidências deste estudo. Onde a linha tiver evidência quantificada, a evidência aparece na coluna de observação, e é ela, não a escala, que deve ser citada.
| risco | probabilidade | impacto | observação, com evidência quando houver |
|---|---|---|---|
| tarifa de 12,5% sobre a chapa de quartzito nos Estados Unidos | em vigor | alta | não é risco, é fato desde 24/07/2026; 76,9% da receita americana está no código atingido |
| cumulação das duas ações da Seção 301 sobre a mesma mercadoria | alta | muito alta | as duas ações alcançam a mesma linha de rocha; a regra de cumulação não foi localizada em ato publicado até 12/08/2026, e o setor já divulga a soma como se fosse alíquota vigente |
| queda de preço unitário por aumento de blocos | alta | alta | blocos mais 34,2% em valor e mais 38,0% em volume no 1º sem. 2026, com preço médio menos 2,7% |
| concentração nos Estados Unidos | alta | alta | 51,66% do valor exportado no 1º sem. 2026, com queda de 14,45% no período |
| classificação fiscal incorreta | média | muito alta | a diferença entre dois códigos vale 25 pontos de tarifa |
| nome comercial sem governança | alta | média-alta | risco de homônimo e de diluição |
| origem não documentada | alta | média-alta | a maior parte do mapa de proveniência está em nível E2 |
| exposição ocupacional à sílica na cadeia de destino | média | muito alta | quartzito com teor igual ou superior a 95% na tabela de OSHA e NIOSH |
| licenciamento e conflito territorial | média | muito alta | licenciamento mineral leva 8,5 anos, segundo a Centrorochas |
| perda de rendimento industrial | média | alta | afeta custo por metro quadrado |
| alteração cromática e desempenho | média | média-alta | apenas 30% das amostras cearenses de 2017 atenderam aos limites de flexão adotados |
| logística portuária | média | alta | categoria pesada, baixo valor por quilo no bruto |
| padronização do nome | média-alta | alta | materiais visualmente próximos |
| desaceleração de construção e reforma nos Estados Unidos | média | alta | afeta demanda final |
36Implicações por tipo de empresa.
Mineradoras e originadoras.
- Fechar a documentação da jazida antes de ampliar declarações de exclusividade. O caso do Azul Macaúbas mostra o custo de não fazer isso.
- Separar nome comercial de classificação geológica.
- Criar biblioteca de processo, município, polígono, licenciamento e ensaio.
- Medir rendimento econômico por bloco e por seleção.
- Definir estratégia de marca para a origem.
Grupos verticalizados.
- Calcular contribuição marginal de bruto contra processado por material e por mercado, incluindo a tarifa de cada código.
- Ligar rastreabilidade do bloco à chapa.
- Integrar laboratório, fiscal e comercial.
- Criar política de nomes e variantes por país.
- Investir em especificação e não apenas em distribuição.
Beneficiadores.
- Tornar capacidade industrial visível como competência.
- Medir rendimento, qualidade e prazo de entrega.
- Criar protocolos de segurança para sílica e oferecê-los à cadeia de destino.
- Participar da construção do passaporte técnico.
- Desenvolver acabamentos e aplicações proprietárias.
Exportadores.
- Revisar NCM e HTSUS com laudo petrográfico, declarando versão de nomenclatura.
- Verificar, código a código, qual das duas camadas tarifárias americanas incide, e não assumir isenção.
- Reduzir dependência de um único mercado.
- Separar estratégia de Estados Unidos, China e Itália.
- Medir preço por tonelada, metro quadrado equivalente, espessura e composição de carteira.
- Registrar o destino final da mercadoria sempre que possível, e não apenas o país de desembarque, porque reexportação é uma das causas conhecidas de divergência entre espelhos.
Marcas e distribuidores internacionais.
- Pedir origem e ficha técnica comparável.
- Não transformar nome comercial em categoria genérica.
- Documentar lotes.
- Treinar marmoristas e instaladores em controle de poeira.
- Usar origem como prova, não apenas como narrativa.
37Casos selecionados.
Caso 1 · Taj Mahal.
o que ensina: um nome brasileiro pode virar categoria internacional antes de existir infraestrutura pública integrada de proveniência.
questão estratégica: como proteger identidade quando o nome passa a circular além do produtor?
Caso 2 · Pedra São Thomé.
o que ensina: origem pode ser demonstrada por nexo geográfico, histórico, tecnológico e institucional, e o INPI já registrou quatro pedras brasileiras antes dela.
questão estratégica: quais partes do método são transferíveis para materiais de jazida privada?
Caso 3 · Espírito Santo.
o que ensina: infraestrutura industrial pode capturar valor de materiais cuja origem está em outros territórios; 96% de um código nacional saindo por um estado que não é a origem geológica.
questão estratégica: quais estados devem verticalizar e quais devem se especializar?
Caso 4 · Bahia.
o que ensina: atlas territorial cria memória e envelhece se não houver atualização contínua; a contagem disponível é de 2019.
questão estratégica: como transformar publicação estática em base viva?
Caso 5 · Estados Unidos, 2025 e 2026.
o que ensina: o quartzito natural pode crescer 47,2% em um mercado geral de superfícies pressionado, e no ano seguinte descobrir que a sua vantagem depende de duas linhas de uma tabela tarifária.
questão estratégica: o Brasil transforma esse momento em preferência de longo prazo ou apenas em pico de demanda?
Caso 6 · Azul Macaúbas.
o que ensina: dois agentes podem declarar publicamente coisas incompatíveis sobre o mesmo material, e nenhum documento público resolve a disputa.
questão estratégica: quem arbitra proveniência em um mercado onde a evidência dominante é a declaração da própria empresa?
Caso 7 · Cetem e resíduos de quartzito.
o que ensina: inovação pode criar material a partir de passivo, e cria junto um passivo ocupacional que precisa ser dimensionado desde o piloto.
questão estratégica: como licenciar, escalar e encontrar mercado para tecnologias de circularidade sem repetir o problema da pedra engenheirada?
38Dez leituras estratégicas.
- O quartzito virou infraestrutura econômica do setor.
Evidência: 3,0 Mt em 2025 e US$ 428,5 milhões, 60,3% a 60,8% da receita do 1º semestre de 2026.
Implicação: decisões de investimento setorial precisam ter tese específica de quartzito.
- O preço é função do estado em que a pedra chega ao mercado, e agora a tarifa também.
Evidência: US$ 569/t bruto contra US$ 2.370/t processado em 2025, e 25 pontos de tarifa separando os dois códigos nos Estados Unidos desde julho de 2026.
Implicação: capacidade industrial e composição de carteira são estratégia, não operação.
- O Espírito Santo captura valor que nasce em outras geologias.
Evidência: US$ 664,9 milhões de US$ 694,9 milhões na NCM 6802.99.90 em 2025, 96%.
Implicação: mapas de origem e mapas de exportação não podem ser os mesmos.
- O maior ativo invisível do quartzito é a documentação.
Evidência: nome, ANM, petrográfico, NCM e origem vivem em bases separadas, e a proveniência premium está em nível E2.
Implicação: quem integrar primeiro reduz fricção e ganha autoridade.
- O mercado americano premia o quartzito brasileiro e aumenta a exigência técnica.
Evidência: Brasil com 81,1% do natural quartzite importado pelos Estados Unidos em valor em 2025.
Implicação: qualidade, segurança, logística e disponibilidade precisam acompanhar reputação.
- China e Itália mostram que bruto ainda é rota econômica relevante, e é a rota taxada.
Evidência: US$ 49,51 milhões e US$ 44,55 milhões respectivamente no código de bloco em 2024, contra US$ 1,35 milhão para os Estados Unidos.
Implicação: não existe resposta universal "bloco é ruim"; existe decisão de composição de carteira por mercado e por código.
- Petrografia virou instrumento comercial com preço.
Evidência: enquadramento tarifário americano, 25 pontos percentuais.
Implicação: laboratório deveria integrar a estratégia de exportação.
- Natural não significa risco ocupacional zero, e no caso do quartzito significa o contrário.
Evidência: teor típico igual ou superior a 95% de sílica cristalina na tabela de OSHA e NIOSH de 2026, o maior entre os materiais comparados.
Implicação: segurança pode virar vantagem de qualidade se tratada seriamente, e vira passivo se tratada como argumento de venda.
- A origem premium precisa de governança de nome.
Evidência: distância entre nomes comerciais e registros públicos, e declarações incompatíveis entre agentes sobre o mesmo material.
Implicação: marcas de materiais deveriam administrar nome como propriedade estratégica.
- A meta de 2030 exige inovação de valor, não apenas mais tonelada.
Evidência: crescimento composto necessário de 15,2% ao ano, com o principal mercado sob tarifa.
Implicação: processar, especificar, diversificar e documentar são alavancas complementares.
39Os números que explicam a categoria.
| número | o que explica | fonte |
|---|---|---|
| 3,0 Mt | produção estimada de quartzito maciço no Brasil em 2025 | ABIROCHAS Informe 01/2026, confere com o banco do observatório |
| 28% | participação do quartzito maciço na produção de rochas em 2025 | ABIROCHAS Informe 01/2026, confere com o banco |
| US$ 428,5 mi | quartzitos nas exportações do 1º semestre de 2026, nas duas metodologias | Centrorochas, via banco do observatório; ABIROCHAS Informe 07/2026, soma de 78,1 mais 350,4 |
| 60,3% e 60,8% | participação do quartzito conforme o denominador: 711,1 da Centrorochas ou 705,0 da ABIROCHAS | cálculo amano sobre as duas fontes |
| US$ 2.370/t | preço médio da NCM 6802.99.90 em 2025 | ABIROCHAS Informe 12/2025 |
| US$ 569/t | preço médio da NCM 2506.20.00 em 2025 | ABIROCHAS Informe 12/2025 |
| 4,17 vezes | razão entre os dois preços | cálculo amano: 2.370 dividido por 569 |
| 96% | participação do Espírito Santo na NCM 6802.99.90 em 2025, US$ 664,9 mi de US$ 694,9 mi | ABIROCHAS Informe 12/2025 |
| US$ 609 mi | natural quartzite importado pelos Estados Unidos em 2025, alta de 47,2% | Stone World, a partir do USITC DataWeb, 29/07/2026 |
| US$ 494 mi | parcela brasileira dessas importações, 81,1% do total | Stone World, a partir do USITC DataWeb, 29/07/2026 |
| US$ 102,60 mi | exportação brasileira de quartzito bruto em 2024, a maior do mundo | WITS sobre UN Comtrade, nomenclatura HS 1988/92, subposição 250621 |
| 25 pontos | diferença que a primeira ação da Seção 301 criou entre o bloco de quartzito e a chapa de quartzito desde 22/07/2026 | USTR, aviso final de 15/07/2026 |
| 12,5% | sobretaxa da Seção 301 que alcança a chapa de quartzito brasileira desde 24/07/2026, além da tarifa geral do código | Federal Register 2026-15181, de 28/07/2026 · CBP, CSMS nº 69326983, heading 9903.05.27 |
| 95,9% | parcela brasileira nas importações italianas de quartzito bruto em 2024, no espelho italiano, US$ 52,14 mi de US$ 54,35 mi, base CIF | WITS sobre UN Comtrade, subposição 250621 |
| 76,9% | peso da NCM 6802.99.90 na receita brasileira nos Estados Unidos no 1º semestre de 2026, US$ 280 mi de US$ 364,2 mi | ABIROCHAS Informe 07/2026 |
| ≥ 95% | teor típico de sílica cristalina do quartzito na tabela oficial americana, o maior entre os materiais comparados | OSHA e NIOSH, DHHS (NIOSH) 2026-101, 05/03/2026 |
| 15,2% ao ano | crescimento necessário para US$ 1.475,8 mi virar US$ 3 bi em 2030 | cálculo amano sobre a meta da Centrorochas de 11/02/2026 |
40Indicadores a acompanhar daqui para frente.
Mensal.
- exportação total;
- NCM 6802.99.90, valor, volume e preço;
- NCM 2506.20.00, valor, volume e preço;
- razão de preço entre as duas;
- Estados Unidos, China e Itália;
- participação de blocos e de processados;
- qualquer nova mensagem CSMS ou aviso no Federal Register sobre as headings 9903.05.01 e 9903.05.2x.
Trimestral.
- importação americana de natural quartzite;
- participação brasileira nos Estados Unidos;
- engineered quartz importado pelos Estados Unidos;
- prazo logístico;
- novos distribuidores;
- capacidade industrial anunciada;
- andamento da disputa WT/DS646 na OMC.
Anual.
- produção brasileira de quartzito;
- consumo interno específico da categoria, quando disponível;
- número de jazidas ativas por estado;
- processos ANM;
- CFEM por território;
- materiais com ensaio completo;
- materiais com origem documentalmente fechada e o nível de evidência de cada campo;
- resíduos reaproveitados;
- exposição ocupacional quando houver base.
41Mapa de dados que ainda falta construir.
- produção de quartzito por estado e município em série anual;
- consumo interno específico da categoria, em massa;
- preço por nome comercial, não apenas por NCM;
- volume por material;
- capacidade instalada de beneficiamento de quartzito;
- rendimento de bloco para chapa por material;
- número de jazidas ativas atualizado para 2026;
- mapeamento de nome comercial para processo ANM;
- licenciamento ambiental por jazida;
- CFEM por origem de quartzito;
- lista nacional de laboratórios e laudos por material;
- inventário de obras que especificam quartzito brasileiro por nome;
- preços de distribuição por mercado;
- incidência de homônimos;
- registro de marcas no INPI, USPTO, EUIPO e WIPO;
- geração e destino de resíduos específicos do quartzito;
- teor de sílica cristalina medido por material brasileiro, contra o valor genérico de 95% da tabela americana;
- correspondência NCM para HTSUS para HS com versão de nomenclatura e situação tarifária corrente.
Essas lacunas não diminuem o estudo. Elas formam a agenda proprietária do observatório.
42Recomendação estratégica para empresas do setor.
A empresa de quartzito que quiser capturar o próximo ciclo deveria ser capaz de responder, em poucos minutos, a vinte e duas perguntas:
- Qual é o nome canônico de cada material?
- Que outros nomes são usados?
- Qual a classificação petrográfica?
- Onde fica a jazida?
- Qual o município?
- Qual o processo ANM?
- Quem é o titular?
- Quem opera?
- Qual licença ambiental?
- Qual composição mineral?
- Qual o teor de sílica cristalina?
- Quais ensaios existem?
- Qual é a variação de lote?
- Qual rendimento industrial?
- Qual NCM e qual HTSUS?
- Qual tarifa cada código paga em cada mercado, hoje?
- Qual preço médio por mercado?
- Qual a composição entre bloco e chapa?
- Quem distribui?
- Quem especifica?
- Em quais obras aparece?
- Qual é a prova documental de cada resposta, e em que nível de evidência?
Se metade dessas respostas depende da memória de uma pessoa dentro da empresa, existe um ativo de conhecimento ainda não estruturado.
43Desdobramentos comerciais possíveis para amano.
Ofício.
- arquitetura de portfólio de quartzitos;
- governança de nomes;
- estratégia de origem;
- reposicionamento de materiais;
- narrativa técnica e comercial.
Essência.
- criação de coleção;
- sistema de nomes;
- linguagem de origem;
- identidade de material;
- lançamento internacional.
Conexões.
- programas com arquitetos e especificadores;
- visita técnica de jazida;
- encontros com distribuidores e marmoristas;
- ponte com hotelaria e incorporação.
Journal.
- série editorial "uma pedra, uma origem";
- "o que o código fiscal não conta";
- "por que o Espírito Santo exporta a pedra da Bahia";
- "natural não significa sem sílica";
- "da jazida ao nome".
Viver e Falar.
- fóruns de materiais;
- conversas sobre origem;
- programas de formação de especificadores;
- agenda de mercado internacional.
44Sugestões de gráficos e visualizações.
- Produção brasileira por tipo de rocha em 2025.
Barra horizontal. Destaque para quartzito maciço, 28%.
- Bruto contra processado, preço médio de 2025.
Duas barras: US$ 569/t e US$ 2.370/t.
- A incidência invertida.
Não é um gráfico de barras de alíquota total, porque a alíquota total não está estabelecida. É uma matriz de incidência: duas linhas de material, bloco 2506.20.00 e chapa 6802.99.00, contra duas colunas de ato, a Seção 301 sobre o Brasil e a Seção 301 sobre trabalho forçado, com marcação de alcançado ou excluído em cada célula e uma nota de que a regra de cumulação não foi localizada.
- Cadeia territorial.
Mapa de origem, Bahia, Ceará e Minas Gerais, para beneficiamento no Espírito Santo, para destinos Estados Unidos, China e Itália.
- Quartzito no faturamento do 1º semestre de 2026.
Uma barra e dois denominadores: 60,3% e 60,8%, com nota metodológica.
- Quartzito nos Estados Unidos, 2024 e 2025.
US$ 413 mi para US$ 609 mi; Brasil US$ 322 mi para US$ 494 mi.
- Natural quartzite contra engineered quartz nos Estados Unidos.
Índices com 2024 igual a 100, para evitar comparação enganosa de tamanhos.
- Teor típico de sílica cristalina por material.
Faixas horizontais: mármore menos de 5%, granito 10% a 50%, pedra engenheirada menos de 0,2% a 95%, quartzito igual ou superior a 95%. Fonte OSHA e NIOSH, 2026.
- Bahia, infraestrutura histórica de 2019.
143 pedreiras, 72 de quartzito, 78 municípios.
- Mapa de evidência da proveniência.
Material por precisão territorial por nível E0 a E5, com a maior parte da amostra em E2.
- A régua fiscal.
Geologia, nome comercial, NCM, HTSUS, com a versão de nomenclatura ao lado.
- Espelho Brasil e Itália no mesmo fluxo de 2024.
US$ 44,55 mi contra US$ 52,14 mi; 69,07 mil t contra 66,33 mil t.
- Cenários 2030.
US$ 1,88 bi, US$ 2,38 bi e US$ 3,00 bi com participação hipotética do quartzito, rotulados como premissa de amano.
- Funil documental.
Materiais conhecidos, origem conhecida, município, processo, laudo, lote, obra.
- Radar de capacidade empresarial.
Sete eixos: origem, técnica, indústria, mercado, especificação, marca e circularidade. Rotulado como leitura de amano, porque a escala é qualitativa.
45Briefing de imagens e ilustrações.
A direção visual segue o Amano Observatories Design System.
Hero.
conceito: um maciço natural em primeiro plano se transforma, sem ruptura literal, em uma grande chapa vertical apresentada em ambiente de arquitetura contemporânea. Uma única linha bronze conecta origem e superfície.
estilo: ilustração editorial fina, preta, fundo #F6F3E9, uma intervenção #734F2F.
sem texto dentro da imagem.
Seção produção.
Vista topográfica abstrata de camadas de rocha, com um plano destacado em bronze.
Seção geografia.
Mapa editorial do Brasil com três áreas de origem e uma rede de circulação para o Espírito Santo e o mundo.
Seção valor.
Bloco bruto, chapa serrada, superfície instalada. Três estados da mesma matéria em sequência.
Seção tarifa.
O mesmo bloco e a mesma chapa, com duas linhas bronze de espessuras diferentes representando as duas tarifas. Sem números dentro da imagem.
Seção proveniência.
Um bloco com linhas documentais conectando polígono, ficha técnica e chapa, sem ícones de software.
Seção técnica.
Corte petrográfico interpretado graficamente, com poucos grãos e uma zona bronze.
Seção Estados Unidos.
Uma chapa em ambiente de cozinha ou hotelaria de alto padrão, sem virar fotografia de banco de imagens.
Seção circularidade.
Fragmentos e finos reorganizados em uma nova placa, sem ferramentas ou oficina.
Regra do conjunto.
A ilustração interpreta. O gráfico prova. O mapa localiza. A tabela documenta.
46Pauta derivada para Journal.
- duas tarifas, dois códigos: por que o bloco entrou nas duas ações americanas e a chapa só em uma
- o quartzito já é o centro econômico da pedra brasileira?
- US$ 569 contra US$ 2.370: o que acontece entre o bloco e a chapa
- por que a pedra da Bahia sai pelo Espírito Santo
- Taj Mahal é um nome, uma pedra ou uma origem?
- o que São Thomé ensina sobre denominação de origem, e por que ela não foi a primeira
- a China compra a matéria; os Estados Unidos compram a superfície
- o quartzito é a rocha com mais sílica na tabela americana, e isso não é um problema de comunicação
- quando duas empresas declaram a mesma jazida
- o processo da empresa não é o processo da pedra
- o que falta para existir um passaporte da pedra brasileira
- resíduo de quartzito pode virar material?
47Recortes para redes e apresentação.
Carrossel 01.
3,0 milhões de toneladas
o quartzito maciço já é 28% da produção brasileira.
Carrossel 02.
US$ 569/t para US$ 2.370/t
a pedra muda de valor quando muda de estado.
Carrossel 03.
25 pontos
é a diferença que a primeira ação tarifária americana criou entre o bloco de quartzito e a chapa de quartzito desde julho de 2026. A segunda ação alcança os dois.
Carrossel 04.
96%
do valor brasileiro da NCM 6802.99.90, chapas de quartzito maciço, saiu pelo Espírito Santo em 2025: US$ 664,9 milhões de US$ 694,9 milhões.
Carrossel 05.
60,3% ou 60,8%
o mesmo quartzito, dois denominadores. A régua muda o número.
Carrossel 06.
≥ 95%
é o teor típico de sílica cristalina do quartzito na tabela oficial de OSHA e NIOSH. O maior da lista.
Carrossel 07.
o nome viaja. a origem nem sempre acompanha.
48Estrutura recomendada para a futura página Html.
- abertura de impacto: 3,0 Mt, 60,3% e os 25 pontos de tarifa;
- tese: a categoria que reorganiza o setor;
- "três quartzitos na mesma palavra";
- produção nacional;
- bruto contra processado;
- classificação e tarifa;
- geografia de origem contra geografia de exportação;
- Ceará;
- Bahia;
- Minas Gerais e São Thomé;
- Estados Unidos;
- China e Itália;
- proveniência e a escala de evidência;
- técnica e especificação;
- sílica e responsabilidade;
- circularidade;
- agentes e cadeia;
- crenças e dados;
- espaços vazios;
- cenários 2030;
- dez leituras;
- metodologia e fontes;
- fechamento.
A página deve usar o design system editorial dos Observatórios, com capítulos claros e escuros, gráficos discretos, ilustrações de linha, fontes visíveis e nenhuma estética de painel de controle.
49Metodologia e hierarquia de fontes.
T1 · primárias e institucionais fortes.
ABIROCHAS
- Informe 01/2026 · O setor brasileiro de rochas ornamentais e de revestimento em números, 2025. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…etor-em-2025.pdf
- Informe 12/2025 · Balanço das exportações e importações brasileiras de janeiro a dezembro de 2025. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…oes-Dezembro.pdf
- Informe 07/2026 · Exportações e importações brasileiras no 1º semestre de 2026, Cid Chiodi Filho e Denize Kistemann Chiodi, julho de 2026. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…_Semestre-v3.pdf
- Informe 07/2024 · Quartzito São Thomé e indicação geográfica. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…to-Sao-Thome.pdf
- Informe 04/2023 · Códigos do Sistema Harmonizado, baseados na NCM, de interesse para o setor de rochas ornamentais e de revestimento, Cid Chiodi Filho e Denize Kistemann Chiodi, 28 de junho de 2023. abirochas.com.br/wp-content/uploads/20…-NESH-Rochas.pdf
- Informe 06/2025 · citado pela imprensa setorial em 18 de julho de 2026 como a orientação de classificação diante da tarifa americana. Não localizado no sítio da entidade em 12 de agosto de 2026.
ANM
- Cadastro Mineiro. gov.br/anm/pt-br/acesso-a-informacao/p…cadastro-mineiro
- SIGMINE. dadosabertos.anm.gov.br/SIGMINE/
- Bases de dados abertos. gov.br/anm/pt-br/acesso-a-informacao/d…s/bases-de-dados
INPI
- Diretório de indicações geográficas. gov.br/inpi/pt-br/projetos-estrategico…igs/lista-de-igs
- Registros de pedra confirmados na conferência: Pedra Carijó Rio de Janeiro, denominação de origem, IG201004, 22/05/2012; Pedra Madeira Rio de Janeiro, denominação de origem, IG201005, 22/05/2012; Pedra Cinza Rio de Janeiro, denominação de origem, IG201006, 22/05/2012; Mármore de Cachoeiro de Itapemirim, indicação de procedência, IG201007, 29/05/2012; Região Pedra São Thomé, denominação de origem, BR412018050005-0, 09/07/2024.
- A consulta direta à página de notícia do INPI sobre o reconhecimento da IG da Região Pedra São Thomé exigiu autenticação e não retornou conteúdo em 12 de agosto de 2026. Os dados de registro usados neste estudo vêm do Informe 07/2024 da ABIROCHAS, que os reproduz.
SGB / CPRM
- Atlas de Rochas Ornamentais do Estado da Bahia, 2ª edição, 2022.
CETEM
- gov.br/cetem/pt-br/assuntos/noticias/i…cial-sustentavel
- gov.br/cetem/pt-br/assuntos/noticias/c…e-fibras-de-coco
USTR e CBP
- USTR · Notice of Action: Brazil's Acts, Policies, and Practices · 15 de julho de 2026. ustr.gov/sites/default/files/files/Iss…2026%20final.pdf
- Federal Register 2026-15181 · Notice of Actions in Section 301 Investigations, trabalho forçado · 28 de julho de 2026, 91 FR 47318. federalregister.gov/documents/2026/07/…arious-economies
- CBP · CSMS nº 69302472, Seção 301 Brasil. content.govdelivery.com/accounts/USDHS…ulletins/42178c8
- CBP · CSMS nº 69326983, Seção 301 trabalho forçado. content.govdelivery.com/accounts/USDHS…ulletins/421d887
USITC
- Harmonized Tariff Schedule 2026, heading 6802.99.00, sufixos estatísticos .30, .50, .70 e .90. hts.usitc.gov/ · a consulta automatizada não retornou a tabela em 12 de agosto de 2026, nas duas revisões e na consolidação desta versão. O arquivo do capítulo 68 volta em formato binário. A tarifa geral de 6,5% permanece sem fonte primária aberta.
- Bases tarifárias comerciais usadas como fonte secundária convergente para a tarifa geral, com a revisão declarada por cada uma: unisco.com/hts/68029900 e htshub.com/us-hs/detail/68029900
OSHA e NIOSH
- Worker Exposure to Silica during Countertop Manufacturing, Finishing, and Installation · DHHS (NIOSH) 2026-101 e OSHA HA-3768-2026 · 5 de março de 2026. osha.gov/sites/default/files/publications/OSHA3768.pdf e cdc.gov/niosh/docs/2026-101/default.html
Cal/OSHA, HSE e governo australiano
- California Department of Industrial Relations, comunicado 2026-45, Standards Board Advances Efforts to Protect Workers from Silicosis, de 22 de maio de 2026, sobre a votação unânime de 21 de maio de 2026. dir.ca.gov/DIRNews/2026/2026-45.html
- Cal/OSHA Standards Board, petição 609, da Western Occupational and Environmental Medicine Association, sobre proibir fabricação e instalação de pedra engenheirada acima de 1% de sílica cristalina. dir.ca.gov/oshsb/petition-609.html
- Cal/OSHA Standards Board, petição 597, da mesma associação, de julho de 2023, que antecede a norma emergencial de dezembro de 2023. dir.ca.gov/oshsb/petition-597.html
- KQED sobre os números de silicose na Califórnia, 22 de maio de 2026. kqed.org/news/12084910/california-step…-silicosis-surge
- HSE, 11 de maio de 2026. press.hse.gov.uk/2026/05/11/hse-says-n…ction-crackdown/
- HSE, 25 de junho de 2026. press.hse.gov.uk/2026/06/25/businesses…ety-inspections/
- Governo australiano, proibição da pedra engenheirada. dewr.gov.au/engineeredstone
- Safe Work Australia, proibição da pedra engenheirada. safeworkaustralia.gov.au/safety-topic/…neered-stone-ban
Ministério do Trabalho e Emprego
- Portaria MTE nº 105, de 29 de janeiro de 2026, que altera a NR-22 e aprova o Anexo V sobre exposição a poeiras minerais. normaslegais.com.br/legislacao/portaria-mte-105-2026.htm
Organização Mundial do Comércio
- WT/DS646/1 · pedido de consultas do Brasil contra os Estados Unidos · circulado em 30 de julho de 2026.
World Bank WITS sobre UN Comtrade
- Exportações brasileiras, subposição 250621, nomenclatura HS 1988/92, ano de 2024. wits.worldbank.org/trade/comtrade/en/c…L/product/250621
- Importações italianas, mesma subposição e ano. wits.worldbank.org/trade/comtrade/en/c…L/product/250621
- Exportadores mundiais, mesma subposição e ano. wits.worldbank.org/trade/comtrade/en/c…D/product/250621
Universidade Federal do Ceará
- SANTOS, L. S. A. et al. Caracterização tecnológica dos quartzitos do estado do Ceará. Revista de Geologia, v. 30, n. 2, 2017. periodicos.ufc.br/geologia/article/view/20155
- SANTOS, F. W. P. Análise das principais rochas ornamentais produzidas no estado do Ceará de acordo com o potencial de mercado e características geológicas. Trabalho de conclusão de curso, Engenharia de Minas, campus Crateús, 2022. repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/698…cc_fwpsantos.pdf
ASTM e Natural Stone Institute
- ASTM C616/C616M-22, Standard Specification for Quartz-Based Dimension Stone. store.astm.org/c0616_c0616m-22.html
- Natural Stone Institute, normas de ensaio. naturalstoneinstitute.org/resources/na…esting-services/
T2 · associações e inteligência setorial.
Centrorochas
- Abertura por material do 1º semestre de 2026, via imprensa setorial, conforme registrado no banco do observatório.
- Meta de US$ 3 bilhões, sessão solene na Câmara dos Deputados, 11 de fevereiro de 2026. agenciacongresso.com.br/apos-recorde-s…tacoes-ate-2030/
CIN / FIEC
- Estudos Setorial em Comex e Ceará in Comex, via O Povo, 21 de julho de 2026. mais.opovo.com.br/jornal/economia/2026…ior-em-2026.html
ApexBrasil e Euromonitor
- Estados Unidos: Rochas Ornamentais na Construção Comercial, 2018. Usado apenas como estrutura histórica de canais, não como retrato atual, e sem número neste estudo.
T3 · imprensa especializada.
Stone World
- Year-over-Year Stone Imports 2024 vs. 2025, 29 de julho de 2026. stoneworld.com/articles/95771-year-ove…rts-2024-vs-2025
- U.S. Maintains Part of Brazilian Natural Stone Exports Outside New 25% Tariff. stoneworld.com/articles/95752-us-maint…ffect-the-sector
Stone Update
- New Tariff Hits Brazilian Stone. stoneupdate.com/new-tariff-hits-brazilan-stone/
TileLetter
- U.S. preserves tariff exemption for the classification covering Brazilian quartzites. tileletter.com/u-s-preserves-tariff-ex…lian-quartzites/
- New U.S. tariff changes the competitive landscape for Brazilian natural stones. tileletter.com/new-u-s-tariff-changes-…-natural-stones/
T4 · declarações de empresa.
Usadas apenas com identificação explícita de que são declarações da própria empresa, no nível E2 da escala do capítulo 22, e sempre com endereço e data de consulta. Todas consultadas em 12 de agosto de 2026.
- Thor Natural Stones. thornaturalstones.com.br/jazidas/
- MSG Stones. msgstones.com.br/jazidas
- GM Granitos e Mármores, Azul Macaúbas. bluemacaubas.com/por/jazidas/
- Quartzblue. quartzblue.com/bawly-modern-house/
- Gramazini. gramazini.com.br/nacarado/ e gramazini.com.br/madreperola/
- Decolores. decolores.com.br/
51Conclusão.
O quartzito brasileiro já não precisa provar que existe mercado.
A questão agora é outra.
O Brasil consegue extrair. Consegue beneficiar. Consegue exportar. Alguns nomes já circulam pelo mundo com uma força que poucas matérias brasileiras conquistaram. O que ainda não está integrado é o sistema que transforma essa força em patrimônio de longo prazo.
Origem está em uma base. Direito minerário, em outra. Composição, em um laudo. Nome, no catálogo. Preço, na alfândega. Obra, na memória do arquiteto. O setor criou valor apesar dessa fragmentação.
Em julho de 2026 a fragmentação passou a ter preço. Duas linhas de uma tabela tarifária americana separaram o bloco da chapa por 25 pontos percentuais na primeira das duas ações do mês, e a diferença entre elas é uma classificação petrográfica. Meses antes, a tabela oficial de saúde ocupacional dos Estados Unidos colocou o quartzito no topo do teor de sílica cristalina, acima da pedra engenheirada. Nos dois casos, a posição comercial do quartzito brasileiro depende de um documento técnico que a maior parte das empresas ainda não tem organizado.
O próximo ciclo pode ser diferente.
Se origem, técnica, nome, material, mercado e especificação passarem a falar a mesma língua, o quartzito deixa de ser apenas a pedra que mais cresce. Torna-se uma plataforma brasileira de valor material.
É essa a régua que o observatório propõe construir.
Anexos operacionais.
A. Checklist de revisão factual antes da publicação.
- [ ] atualizar números do mês mais recente da ABIROCHAS e da Centrorochas;
- [ ] confirmar as duas ações tarifárias americanas e verificar se saiu ato estabelecendo a regra de cumulação entre a heading 9903.05.01 e a 9903.05.27;
- [ ] confirmar a tarifa geral de 6,5% da HTSUS 6802.99.00 em fonte primária;
- [ ] resolver a situação da União Europeia na segunda ação, código a código;
- [ ] guardar a consulta primária ao USITC DataWeb;
- [ ] levar à ABIROCHAS a divergência interna da NCM 2506.20.00 no Informe 12/2025, US$ 144,5 mi contra US$ 179,298 mi;
- [ ] pedir à ABIROCHAS o Informe 06/2025, citado pela imprensa setorial e não localizado no sítio da entidade, e perguntar qual documento contém a recomendação de laudo petrográfico;
- [ ] atualizar a base de origem do observatório com os cinco registros de indicação geográfica de pedra conforme o INPI, respeitando a diferença entre denominação de origem e indicação de procedência;
- [ ] corrigir na base o número da petição do Cal/OSHA de 2026, de 597 para 609;
- [ ] substituir 118 por 128 pranchas do Atlas da Bahia em toda a coleção;
- [ ] investigar a divergência de volume entre os espelhos brasileiro e italiano de 2024;
- [ ] acompanhar a segunda votação do Cal/OSHA Standards Board sobre a petição 609, ainda sem data;
- [ ] checar vínculos ANM dos materiais nominados e subir os que puderem sair de E2;
- [ ] confirmar datas e escopo de cada atlas estadual;
- [ ] revisar nomes comerciais e grafias oficiais;
- [ ] revisar endereços e datas de consulta;
- [ ] validar todos os cálculos publicados por extenso;
- [ ] diferenciar claramente dado, cálculo, interpretação, hipótese e cenário;
- [ ] confirmar que nenhuma tabela de juízo qualitativo está sem o rótulo de leitura de amano.
B. Próximos levantamentos proprietários.
- microdados da ANM para quartzito;
- CFEM por município;
- licenciamento ambiental por jazida;
- marcas no INPI, USPTO, EUIPO e WIPO;
- série mensal das NCM 6802.99.90 e 2506.20.00;
- consulta ao USITC por categoria e por sufixo estatístico;
- tabela viva de correspondência NCM, HTSUS, HS e situação tarifária;
- teor de sílica cristalina medido por material brasileiro;
- entrevistas com 15 empresas brasileiras;
- entrevistas com 10 distribuidores e marmoristas americanos;
- entrevistas com 20 especificadores;
- atualização nacional de atlas e catálogos.
C. Perguntas para entrevistas com empresas.
- Qual material mais cresceu em receita nos últimos 24 meses?
- Quanto do portfólio é vendido bruto e quanto processado?
- Como a tarifa americana de julho de 2026 mudou essa decisão?
- O nome comercial é registrado?
- O processo ANM está associado internamente ao material?
- Existe ficha petrográfica atualizada?
- O teor de sílica cristalina de cada material está medido e declarado?
- Existe ensaio por lote ou por material?
- Como a empresa escolhe nomes?
- Quem decide acabamento?
- Que mercado paga melhor?
- Que mercado compra maior volume?
- O que mais gera reclamação?
- Quanto do bloco vira chapa vendável?
- Onde o resíduo vai?
- Como é feito o controle de sílica, e ele chega ao cliente final?
- Como a empresa mede especificação?
- A jazida recebe arquitetos?
- Quais distribuidores constroem a marca?
- Quais nomes sofrem homonímia?
- Qual dado a empresa gostaria de ter e não tem?
- O que precisa acontecer para dobrar receita até 2030?
status editorial: versão final, resultado da fusão das duas revisões independentes de 12 de agosto de 2026, pronta para revisão editorial final e consolidação da base.
próxima etapa após aprovação: versão HTML publicável, gráficos, ilustrações e pacote técnico do estudo.
documento de reconciliação entre as duas revisões: estudo-01-RECONCILIACAO.md, no mesmo diretório.
diário da revisão com busca de fonte primária: estudo-01-DIARIO.md, em 06_REESCRITO.
quatro números que não devem ser reintroduzidos por engano em nenhuma etapa seguinte: 84,8% para a parcela brasileira nas importações italianas, que mistura FOB com CIF; 118 pranchas do Atlas da Bahia, que virou 128; 7,87 Mt e 74% de mercado interno, que não estão na fonte; e 37,5% como alíquota americana estabelecida, que é soma aritmética sem regra de cumulação publicada.
Nota de método.
Este documento separa fato, dado, cálculo, interpretação, hipótese e cenário.
Fato ou dado: afirmação sustentada por fonte identificada, com nome, documento, ano e endereço quando existir.
Cálculo amano: operação feita sobre dados publicados, com a operação visível no texto.
Interpretação amano: leitura construída a partir de mais de uma evidência.
Hipótese: explicação possível que ainda exige investigação adicional.
Cenário: construção futura baseada em premissas explícitas.
Seis regras adicionais foram aplicadas nesta versão:
- Onde o banco do observatório cobre o dado, o banco manda, e a linha de fonte diz isso.
- Onde a fonte primária não foi localizada depois de busca, o texto escreve "não localizado" e diz onde se procurou. Ausência não vira número.
- Toda operação aritmética publicada aparece por extenso, para que o leitor refaça a conta.
- Comparação só entre números do mesmo perímetro. Valor declarado pelo exportador e valor declarado pelo importador são dois espelhos distintos, e um não é o denominador do outro. Onde os dois existirem, os dois aparecem, com a base FOB ou CIF ao lado.
- Alíquotas de atos tarifários diferentes não são somadas no texto. Cada ato é descrito com a sua data, o seu código e o seu efeito. A soma depende de regra de cumulação e de data de entrada específica, e essa regra não foi localizada em orientação publicada até a data desta edição.
- Cada afirmação publicada responde a cinco perguntas: é fato, interpretação ou proposta; qual é a fonte e o ano; qual é o estado do vínculo; qual é o perímetro e a unidade; e se existe conflito com o banco canônico.
Esta versão nasce da fusão de duas revisões feitas em paralelo sobre o mesmo texto de 11 de agosto de 2026. Onde as duas divergiram, prevaleceu a que cita fonte primária com endereço, a que compara o mesmo perímetro e, quando o dado é coberto pelo banco, o banco. O documento de reconciliação registra item por item qual das duas prevaleceu e por quê.
Há uma decisão metodológica que vem da v2 e permanece: não usamos estimativas comerciais genéricas de "tamanho do mercado global de quartzito". Não foi localizada base pública que isole, de ponta a ponta, quartzito bruto, chapas e materiais acabados sob uma única classificação internacional. Publicar um número global único criaria uma precisão que a nomenclatura não sustenta.
Limitações desta versão.
- A produção nacional de quartzito é estimativa setorial, não censo físico por jazida.
- O consumo interno de quartzito é publicado em área, 13,8 milhões de metros quadrados, e não em massa; não é possível calcular a fração da produção física de quartzito que fica no país.
- A NCM 6802.99.90 não contém apenas quartzitos.
- Não há denominador global público e consistente para "mercado mundial de quartzito" processado mais bruto.
- O Atlas da Bahia é excelente e sua contagem de pedreiras é fotografia de 2019. A contagem de 128 pranchas vem da conferência do documento contra a base canônica do observatório, com reconhecimento ótico revisado, e substitui as 118 que a coleção publicava.
- A maior parte dos vínculos entre nome comercial e origem está em nível E2 e em estado apenas declarado, e há pelo menos um caso contestado, com declarações incompatíveis entre dois agentes sobre o mesmo material.
- Os dados americanos de natural quartzite vêm de publicação especializada que declara usar o USITC DataWeb; a consulta primária ao USITC deve ser incorporada à base viva.
- Os cenários 2030 são premissas de amano, e as três participações do quartzito não têm lastro em fonte.
- Participações e preços médios aduaneiros não equivalem a margem empresarial.
- A tarifa geral de 6,5% da HTSUS 6802.99.00 tem duas fontes secundárias convergentes, uma delas declarando a revisão de 3 de agosto de 2026, e nenhuma fonte primária aberta. A consulta ao hts.usitc.gov foi tentada duas vezes e retornou arquivo binário.
- A regra de cumulação entre as duas ações americanas da Seção 301 não foi localizada em ato publicado até 12 de agosto de 2026. A mensagem CSMS da segunda ação, conferida diretamente, não trata da relação com a heading da primeira. O estudo não publica alíquota somada, e os 37,5% que circulam no setor são soma aritmética, não alíquota estabelecida.
- A situação da Itália e dos demais países da União Europeia na segunda ação tarifária depende de regra condicionada à tarifa de nação mais favorecida por mercadoria, e não foi resolvida linha a linha para os códigos de rocha.
- A diferença de volume entre o espelho brasileiro e o espelho italiano no mesmo fluxo de 2024, 69,07 mil t contra 66,33 mil t, não foi explicada.
- A divergência interna do Informe 12/2025 da ABIROCHAS na NCM 2506.20.00 não foi resolvida com a entidade; o observatório adotou o valor que fecha e registrou o outro.
- Não foi localizado documento da ABIROCHAS que contenha a recomendação de laudo petrográfico de laboratório acreditado. O Informe 04/2023, que é o documento setorial de classificação por NCM, foi lido e não a contém. A cobertura setorial de 18 de julho de 2026 remete a um Informe 06/2025 que não foi localizado no sítio da entidade. A afirmação saiu do texto.
- A divergência do número da petição do Cal/OSHA foi resolvida em fonte primária: a petição de 2026 é a 609 e a de 2023 é a 597, ambas da mesma associação. Resta corrigir a base interna do observatório, que guarda o 597 para o ato de 2026. Fica pendente também a data da segunda votação do conselho, que ainda não foi marcada.
- A base interna de indicações geográficas do observatório diverge do registro oficial do INPI em parte dos campos. O texto publica o registro oficial, e a base é que precisa ser atualizada.
- A verificação de que a 6802.99.00 e a 2506.20.00 não constam da lista de isentos da segunda ação foi feita por busca das linhas dentro dos anexos, e não por índice oficial de isentos por país. O estudo escreve "não localizadas".
- A versão publicável deve passar por última checagem de data, código fiscal e mudanças tarifárias imediatamente antes de ir ao ar. O capítulo 20 é a prova de que quinze dias bastam para inverter uma conclusão.