Em oito anos o Brasil embarcou 3,9% menos pedra e faturou 48,7% a mais.
Todo o crescimento veio do preço médio, que subiu 54,7%, de US$ 452 para US$ 699 por tonelada. Este estudo mede o tamanho do setor, reconstitui 102 meses de série mensal e separa, ano a ano, o que é preço do que é tonelada.
Recorde histórico, sobre 2,111 milhões de toneladas.
Alta de 1,1% sobre 2024.
7,87 das 10,62 milhões de toneladas produzidas.
Contra US$ 612 por tonelada em 2024.
Quanto o setor é, com a data de cada número.
Nenhum indicador aparece aqui sem dizer de onde veio e de que ano é. É a única forma de comparar duas afirmações sobre o setor sem comparar coisas diferentes.
| indicador | valor | fonte | ano |
|---|---|---|---|
| Exportação | US$ 1.475,8 milhões sobre 2,111 Mt | ABIROCHAS, Informe 12/2025 | 2025 |
| Preço médio exportado | US$ 699,2 por tonelada | ABIROCHAS, Informe 12/2025 | 2025 |
| Importação | US$ 44,68 milhões sobre 90,35 mil t | ABIROCHAS, Balanço 2025 | 2025 |
| Produção | 10,62 Mt, alta de 1,1% | ABIROCHAS, Informe 01/2026 | 2025 |
| Consumo interno | 7,87 Mt, 74% da produção | ABIROCHAS, Informe 01/2026 | 2025 |
| Consumo aparente | 89,3 milhões de m², 0,42 m² por habitante | ABIROCHAS, Informe 01/2026 | 2025 |
| Destinos | 125 países | Centrorochas, Dados do Setor | 2025 |
| Variedades comerciais | mais de 1.200 | Centrorochas, Dados do Setor | 2025 |
| Empregos diretos | 150 mil | ABIROCHAS, Informe 01/2024 | 2023 |
| Empresas na cadeia | 12 mil | ABIROCHAS, Informe 01/2024 | 2023 |
| Empresas exportadoras | pelo menos 400, para mais de 120 países | ABIROCHAS, Informe 01/2024 | 2023 |
| Transações comerciais | acima de US$ 6 bilhões, somando interno e externo | ABIROCHAS, Informe 01/2024 | 2023 |
O setor movimenta acima de US$ 6 bilhões somando mercado interno e externo, e exporta US$ 1,48 bilhão. A parte que o setor mede todo mês é a menor das duas.
Exportação e importação passam pela alfândega e por isso saem mensalmente na base Comex Stat. Consumo interno não tem registro aduaneiro: ele é obtido por balanço, produção menos exportação mais importação, e sai uma vez por ano. Os quatro indicadores de estrutura são de 2023 porque a tabela de dimensão do setor deixou de sair nos informes de 2025 e 2026.
Quem acompanha o setor pelo informe mensal está olhando um quarto do mercado com lupa e três quartos de longe. Para uma empresa que vende dentro e fora, as duas metades da conta não têm a mesma frequência nem a mesma precisão, e isso precisa entrar na hora de comparar desempenho.
O número sozinho não explica o setor. O que importa é saber se a receita cresceu porque saiu mais pedra, ou porque cada tonelada passou a valer mais.
O que é, exatamente, o número da exportação.
Antes de ler qualquer série, vale saber o que está sendo somado. O total mensal do setor é uma cesta de códigos fiscais, e a cesta é uma escolha.
O número que o setor chama de exportação de rochas é o valor FOB registrado na base Comex Stat, do MDIC, somando os códigos NCM que descrevem rocha ornamental e de revestimento. São dois grupos: o capítulo 25, que cobre a pedra em bruto ou apenas serrada, e o capítulo 68, que cobre a pedra trabalhada.
| capítulo da NCM | o que entra | exemplo de código | peso no valor de 2025 |
|---|---|---|---|
| Capítulo 25 | Rocha em bruto, desbastada ou apenas cortada à serra, em bloco ou placa | 2506.20.00, quartzito · 2516.12.00, granito | 21,0% |
| Capítulo 68 | Rocha trabalhada: chapa, ladrilho, peça acabada | 6802.99.90, quartzito · 6802.93.90, granito | 69,1% |
O capítulo 68, da pedra trabalhada, responde por 69,1% do valor exportado e por 36,9% do volume. O capítulo 25, da pedra bruta, é o inverso: 21,0% do valor e 48,4% do peso. O Brasil embarca mais tonelada de pedra bruta e mais dólar de pedra trabalhada.
Um total que sobe pode significar mais tonelada, mais preço, ou mudança de cesta entre os dois capítulos. As três causas produzem o mesmo número no topo e exigem decisões completamente diferentes. É por isso que este estudo abre a série por código.
A conversa comercial do setor cita o total. A conversa que muda margem cita o código. Uma empresa que embarca em 2516.12.00 e uma que embarca em 6802.99.90 estão em negócios diferentes, ainda que as duas digam que exportam rocha brasileira.
| primeiro semestre de 2026 | ABIROCHAS | Centrorochas |
|---|---|---|
| total do semestre | US$ 705,0 milhões, queda de 4,6% | US$ 711,1 milhões, queda de 4,2% |
| junho de 2026 | US$ 163,2 milhões | US$ 165,2 milhões, alta de 34,1% |
| Estados Unidos | US$ 364,2 milhões | US$ 363,6 a 364,3 milhões conforme a matéria |
| China | US$ 142,7 milhões | US$ 144,4 milhões em bruto, US$ 147,7 milhões no total |
A distância entre as duas leituras do semestre é de cerca de 0,9%. Neste estudo, série histórica e totais vêm da ABIROCHAS, que publica documento metodológico assinado. A abertura por material vem da Centrorochas, que é quem a publica. As duas são citáveis, e nenhuma é somada à outra.
102 meses, de janeiro de 2018 a junho de 2026.
A série mensal completa, em valor e em volume. Alternar as duas curvas é o que mostra quando o crescimento foi de preço e quando foi de tonelada.
A série inteira, sem falha.
| ano | exportação, US$ milhões | volume, mil toneladas | preço médio, US$ por tonelada | variação do valor |
|---|---|---|---|---|
| 2018 | 992,6 | 2.196,0 | 452 | ano-base |
| 2019 | 988,2 | 2.098,1 | 471 | -0,4% |
| 2020 | 987,4 | 2.157,7 | 458 | -0,1% |
| 2021 | 1.338,1 | 2.404,6 | 556 | +35,5% |
| 2022 | 1.284,8 | 2.098,0 | 612 | -4,0% |
| 2023 | 1.112,2 | 1.822,2 | 610 | -13,4% |
| 2024 | 1.255,8 | 2.051,1 | 612 | +12,9% |
| 2025 | 1.475,8 | 2.110,6 | 699 | +17,5% |
| 2026 | 705,0 | 1.037,0 | 680 | -52,2% (6 meses) |
A série tem dois movimentos distintos. Até 2020 ela é plana. De 2021 em diante o valor sobe e o volume não acompanha. O ano de 2026 aparece com seis meses e não é comparável em total, mas o preço médio dele já é: US$ 680 por tonelada contra US$ 699 em 2025.
O pior ano da série perdeu 13,4% em valor. A decomposição mostra que a perda foi inteira de volume, que caiu 13,1% e chegou ao menor patamar da série, 1.822 mil toneladas. O preço médio praticamente não se moveu: queda de 0,3%. Foi uma retração de demanda, não de preço.
O observatório não localizou, em fonte publicada, a explicação para a retração de volume de 2023. Registrar a lacuna é mais útil do que atribuir uma causa plausível: o que a série prova é o formato da queda, não o motivo dela.
Boa parte do que se lê como queda é calendário.
A média dos meses equivalentes ao longo da série mostra o ritmo natural do embarque. Sem ela, um fevereiro fraco parece crise.
Fevereiro embarca 25% abaixo da média. Outubro, 11% acima.
| mês | média, US$ milhões | sobre a média do ano |
|---|---|---|
| jan | 85,1 | -13,4% |
| fev | 73,3 | -25,5% |
| mar | 94,1 | -4,2% |
| abr | 91,1 | -7,3% |
| mai | 107,3 | +9,1% |
| jun | 107,8 | +9,6% |
| jul | 105,8 | +7,6% |
| ago | 106,0 | +7,8% |
| set | 103,2 | +5,0% |
| out | 109,2 | +11,1% |
| nov | 98,8 | +0,5% |
| dez | 97,8 | -0,5% |
O primeiro trimestre é estruturalmente fraco e o segundo semestre é estruturalmente forte. A amplitude entre o pior mês e o melhor é de 36,6 pontos percentuais, e o padrão se repete nos oito anos completos da série.
O observatório não tem fonte publicada que explique o desenho da sazonalidade. O que sustenta o uso dela não é a causa, e sim a estabilidade: um padrão que se repete em oito anos seguidos serve como fator de correção mesmo sem explicação.
Comparar um mês com o mês anterior produz leitura errada de tendência na maior parte do ano. A comparação que informa é contra o mesmo mês do ano anterior, ou contra a média histórica daquele mês. Um fevereiro 20% abaixo de janeiro é um fevereiro normal.
| mês | US$ milhões | toneladas | US$ por tonelada |
|---|---|---|---|
| jun de 2026 | 163,2 | 209.750 | 778 |
| mai de 2025 | 157,6 | 200.766 | 785 |
| out de 2021 | 151,1 | 240.593 | 628 |
| abr de 2026 | 146,9 | 209.013 | 703 |
| jun de 2022 | 146,9 | 235.250 | 624 |
Quatro dos cinco maiores meses da série estão nos últimos dois anos, e nenhum deles é um mês de volume recorde. O que os coloca no topo é preço.
O crescimento é de preço. O volume não voltou ao de 2018.
Separar as duas grandezas é a única forma de saber se o setor está vendendo mais ou vendendo melhor. São coisas diferentes, e exigem decisões diferentes.
De US$ 992,6 milhões em 2018 para US$ 1.475,8 milhões em 2025.
De 2.196,0 para 2.110,6 mil toneladas. O país embarca menos pedra hoje do que embarcava em 2018.
De US$ 452 para US$ 699 por tonelada.
As três curvas que o total esconde.
| de 2024 para 2025 | 2024 | 2025 | variação |
|---|---|---|---|
| Valor exportado, US$ milhões | 1.255,8 | 1.475,8 | +17,5% |
| Volume embarcado, mil toneladas | 2.051,0 | 2.110,7 | +2,9% |
| Preço médio, US$ por tonelada | 612,3 | 699,2 | +14,2% |
A conta fecha: preço vezes volume reproduz o crescimento do valor com precisão de quatro decimais. De cada dez pontos de crescimento em 2025, oito vieram de preço e dois de tonelada.
A única abertura por material publicada é a do primeiro semestre de 2026, pela Centrorochas: quartzito US$ 428,5 milhões com alta de 6,7%, granito US$ 199,7 milhões com queda de 18,4%, mármore US$ 35,3 milhões com queda de 26,7%. A composição está migrando para o material de maior preço por tonelada, e é isso que puxa a média para cima.
Não existe série histórica publicada da abertura por material. Sem ela, não é possível afirmar quanto do ganho de preço de 2018 a 2025 veio de mix e quanto veio de preço dentro do mesmo material. O observatório carrega essa lacuna em aberto.
2025 não é apenas o maior número da série. É a evidência de uma mudança no tipo de crescimento.
A chapa de quartzito vale 10,9 vezes o bloco de granito.
O gradiente de valor não é uma tese: está na tabela de exportação do próprio país, código a código. Bloco e chapa saem do mesmo Brasil, pelo mesmo porto, com preços de ordens diferentes.
| código NCM | produto | US$ milhões | mil toneladas | US$ por tonelada | do valor exportado |
|---|---|---|---|---|---|
| 6802.99.90 | Chapa de quartzito maciço | 694,9 | 293,2 | 2.370 | 47,1% |
| 6802.93.90 | Chapa de granito | 272,7 | 448,6 | 608 | 18,5% |
| 6802.91.00 | Chapa de mármore | 51,5 | 37,8 | 1.363 | 3,5% |
| 2506.20.00 | Bloco de quartzito maciço | 144,5 | 254,1 | 569 | 9,8% |
| 2516.12.00 | Bloco de granito | 166,1 | 767,2 | 217 | 11,3% |
Os cinco códigos somam 90,1% do valor exportado e 85,3% do volume. O bloco de granito é 36,3% do peso que sai do Brasil e 11,3% do dinheiro que entra. A chapa de quartzito é o oposto: 13,9% do peso, 47,1% do dinheiro.
Não é o material: é o estágio. Entre o bloco e a chapa entram serragem, calibragem, resinagem, polimento, classificação de lote e embalagem. Cada uma dessas etapas é uma decisão de quem embarca, não uma condição da jazida. O bloco atravessa o oceano para ser serrado do outro lado, e o valor da serragem fica lá.
Dentro do granito, a chapa vale 2,80 vezes o bloco: US$ 608 contra US$ 217 por tonelada. Se um décimo do volume de bloco de granito exportado em 2025, 76,7 mil toneladas, tivesse saído como chapa ao preço médio da própria chapa, o faturamento do setor teria sido US$ 30,0 milhões maior, 2,0% acima do realizado. É simulação sobre preços publicados, não previsão, e ignora custo de beneficiamento.
| código NCM | produto | US$ milhões | mil toneladas | US$ por tonelada |
|---|---|---|---|---|
| 6802.99.90 | Chapa de quartzito maciço | 350,4 | 156,1 | 2.240 |
| 6802.93.90 | Chapa de granito | 103,5 | 192,6 | 540 |
| 2506.20.00 | Bloco de quartzito maciço | 78,1 | 141,1 | 550 |
| 2516.12.00 | Bloco de granito | 89,7 | 390,2 | 230 |
| 6803.00.00 | Produto de ardósia | 23,5 | 49,3 | 480 |
A chapa de quartzito cai de US$ 2.370 para US$ 2.240 por tonelada e o bloco de granito sobe de US$ 217 para US$ 230. A distância diminui, mas continua sendo de quase dez vezes. A ardósia entra na lista dos cinco maiores e o mármore sai.
A queda de 4,6% no valor do semestre acontece com o volume praticamente estável, queda de 0,4%. Repete-se o padrão de 2023 ao contrário: o movimento é de preço, e desta vez para baixo. O preço médio geral recuou de US$ 699 para US$ 680 por tonelada.
Uma queda de preço com volume estável não é perda de mercado: é perda de posição dentro do mesmo mercado. Para uma empresa, a pergunta que essa distinção abre é se o recuo veio de desconto concedido ou de mudança na cesta de produtos embarcada.
Um estado responde por 78% do que o Brasil exporta.
A geografia da exportação é muito mais concentrada que a da produção, e o preço médio de cada estado diz em que ponto da cadeia ele entrega.
| estado exportador | US$ milhões | mil toneladas | US$ por tonelada | do valor exportado |
|---|---|---|---|---|
| Espírito Santo | 1.157,3 | 1.463,9 | 790 | 78,4% |
| Minas Gerais | 134,8 | 343,2 | 390 | 9,1% |
| Ceará | 109,2 | 156,3 | 700 | 7,4% |
| Bahia | 31,0 | 70,6 | 440 | 2,1% |
| Rio Grande do Norte | 15,8 | 40,8 | 390 | 1,1% |
Os cinco estados somam 98,1% do valor. O Espírito Santo exporta a US$ 790 por tonelada e Minas Gerais a US$ 390, menos da metade. Minas embarca 23,4% do volume nacional e recebe 9,1% do valor.
O Espírito Santo concentra o parque de beneficiamento do país, e por isso embarca proporcionalmente mais chapa. Os estados sem parque instalado embarcam bloco, que é o produto de menor preço por tonelada da tabela. A diferença de preço médio entre estados é, em grande parte, uma diferença de infraestrutura industrial.
Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Norte embarcam a menos de US$ 450 por tonelada. É onde a distância entre bloco e chapa tem o maior espaço absoluto para ser fechada, e é também onde a decisão não é da empresa isolada: depende de serraria, energia e logística no próprio estado.
| destino | US$ milhões | mil toneladas | US$ por tonelada | do valor exportado |
|---|---|---|---|---|
| Estados Unidos | 795,0 | 586,7 | 1.350 | 53,9% |
| China | 253,6 | 939,5 | 270 | 17,2% |
| Itália | 115,7 | 181,4 | 640 | 7,8% |
| México | 54,0 | 75,2 | 720 | 3,7% |
| Reino Unido | 28,3 | 62,5 | 450 | 1,9% |
| Espanha | 22,1 | 14,9 | 1.490 | 1,5% |
| Canadá | 22,1 | 12,2 | 1.810 | 1,5% |
| Austrália | 20,6 | 9,0 | 2.280 | 1,4% |
| Emirados Árabes Unidos | 14,4 | 9,6 | 1.510 | 1,0% |
| Polônia | 12,8 | 13,7 | 940 | 0,9% |
Os dez maiores destinos somam 90,7% do faturamento. Estados Unidos e China ocupam as duas primeiras posições em valor por caminhos opostos: a China leva 939,5 mil toneladas, 60% a mais que os Estados Unidos em peso, e paga 20% do preço por tonelada.
Não é disposição a pagar do comprador: é o produto que sai. Os destinos de preço alto compram chapa acabada; a China compra bloco para serrar lá dentro. A coluna de preço por destino é, na prática, outra forma de ler a mesma tabela de códigos do capítulo anterior.
Concentração de 53,9% do faturamento em um único destino é a exposição mais relevante da página, e ela não aparece em nenhum indicador do setor. Os cinco destinos entre US$ 1.300 e US$ 2.280 por tonelada somam US$ 872,1 milhões: é ali que o Brasil já provou saber vender caro, e é ali que o repertório de obra e a documentação de origem fazem diferença de preço.
Dez destinos, dez preços.
| destino | US$ milhões | mil toneladas | US$ por tonelada |
|---|---|---|---|
| Estados Unidos | 364,2 | 271,3 | 1.340 |
| China | 142,7 | 504,4 | 283 |
| Itália | 49,9 | 74,7 | 668 |
| México | 27,1 | 35,5 | 764 |
| Reino Unido | 14,0 | 28,7 | 488 |
| Canadá | 10,7 | 10,1 | 1.059 |
| Austrália | 10,1 | 7,9 | 1.278 |
| Polônia | 8,0 | 7,1 | 1.127 |
O semestre fecha em US$ 705,0 milhões, queda de 4,6% sobre o mesmo período de 2025, com volume praticamente estável, queda de 0,4%. Espanha e Emirados Árabes Unidos saem da lista dos oito maiores; Canadá e Austrália permanecem.
Os Estados Unidos passam de US$ 795,0 milhões no ano para US$ 364,2 milhões no semestre, ritmo praticamente igual ao de 2025. A Itália desacelera: US$ 49,9 milhões no semestre contra US$ 115,7 milhões no ano cheio anterior.
Meio ano não define tendência, e o segundo semestre é estruturalmente mais forte que o primeiro, como mostra o capítulo do ritmo do ano. A leitura correta do fechamento de 2026 só será possível em janeiro de 2027.
Três de cada quatro toneladas produzidas ficam no Brasil.
Uma leitura do setor que só olha exportação descreve um quarto do que acontece. O mercado interno é o principal, e tem geografia e mix próprios.
São Paulo responde por 44,0% do consumo nacional. Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo somam 21,9%. A região Sul, 14,0%.
Mix do consumo interno: granito 37,5%, mármore e travertino 33,9%, quartzito 15,5%.
| recorte | nível | milhões de m² | do consumo nacional |
|---|---|---|---|
| Região Sudeste | região | 58,9 | 66,0% |
| São Paulo | estado | 39,3 | 44,0% |
| Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais | três estados | 19,6 | 21,9% |
| Região Sul | região | 12,5 | 14,0% |
| Norte, Nordeste e Centro-Oeste | três regiões | 17,9 | 20,0% |
| Brasil | 89,3 | 100% |
São Paulo sozinho consome 44,0% da rocha que o Brasil aplica, e a região Sudeste inteira consome 66,0%. Dois em cada três metros quadrados assentados no país estão em quatro estados.
A fonte publica quatro linhas em quatro níveis diferentes: um estado, um grupo de três estados, uma região e um grupo de três regiões. Os valores fecham em 89,3 milhões de m², mas São Paulo aparece lado a lado com a região Sul como se fossem recortes equivalentes. O observatório manteve os números da fonte e explicitou o nível de cada linha.
Consumo e produção não moram no mesmo lugar. O Espírito Santo responde por 78,4% do valor exportado e está dentro do grupo que consome 21,9%. Quem vende para o mercado interno disputa São Paulo; quem produz, está a mil quilômetros de lá. Frete e representação pesam mais na conta do que o setor costuma admitir.
O consumo interno é medido em metros quadrados e a exportação em toneladas, porque é assim que a fonte publica cada um. Os dois recortes deste estudo não se somam.
Cada coluna é uma fatia dentro do próprio universo, e os três universos são medidos em unidades diferentes. As colunas não se somam nem se dividem entre si: o que se compara é a posição relativa do material em cada uma, e a barra de cada célula é normalizada dentro da própria coluna. O quartzito da produção soma maciço e foliado, que a fonte publica em linhas separadas. A exportação sai do recorte dos cinco códigos publicados, que cobrem 90,1% do valor, e por isso a ardósia não aparece nele em 2025.
Cada material tem uma vocação diferente, e nenhuma das duas tabelas de origem mostrava isso. O quartzito é 30,1% da produção, 15,5% do consumo interno e 56,9% do valor exportado: sai do país. O mármore e o travertino fazem o oposto, 26,4% da produção e apenas 3,5% da exportação: ficam em casa. O granito é o único equilibrado nas três colunas.
Os dois mercados compram produtos diferentes. A exportação é puxada por bancada e superfície de alto padrão, onde o quartzito brasileiro tem posição consolidada e preço de US$ 2.370 por tonelada em chapa. O consumo interno é puxado por revestimento e piso, onde granito e mármore dominam por preço e por hábito de especificação. E 3,8% do metro quadrado assentado no Brasil é material importado, sobretudo mármore e superfície de quartzo.
Quem produz quartzito e vende no mercado interno disputa uma fatia de 15,5% com um material que vale três vezes mais quando embarca. Quem produz mármore está no inverso: mercado interno grande, exportação de 3,5%, e um país que ainda importa travertino e mármore para completar a demanda. São duas decisões de portfólio opostas, e nenhuma das duas costuma estar escrita no plano comercial.
| tipo de rocha | Mt | participação |
|---|---|---|
| granito | 3,3 | 31% |
| quartzito maciço | 3,0 | 28% |
| mármore e travertino | 2,8 | 26% |
| ardósia | 0,4 | 4% |
| quartzito foliado | 0,2 | 2% |
| pedra Miracema | 0,2 | 2% |
| outras | 0,7 | 7% |
| tipo de rocha | milhões de m² | participação |
|---|---|---|
| granito | 33,5 | 37,5% |
| mármore e travertino | 30,3 | 33,9% |
| quartzito | 13,8 | 15,5% |
| ardósia | 4,5 | 5,0% |
| superfícies de quartzo importadas | 2,1 | 2,4% |
| mármore importado | 1,3 | 1,5% |
| outras | 3,8 | 4,3% |
As duas tabelas vêm da mesma fonte e do mesmo ano, mas não são lados de uma mesma conta. A da esquerda mede o que sai do chão; a da direita, o que é assentado em obra, incluindo material importado. As linhas não se correspondem: a fonte separa quartzito maciço de foliado na produção e junta os dois no consumo.
Um país com 1.200 variedades comprou US$ 44,68 milhões de rocha de fora.
Ter geologia própria não elimina a demanda por geologia estrangeira. É o argumento mais direto contra a ideia de que quem produz não importa.
| ano | US$ milhões | mil toneladas | US$ por tonelada | variação do valor |
|---|---|---|---|---|
| 2024 | 36,07 | 67,57 | 533,8 | ano-base |
| 2025 | 44,68 | 90,35 | 494,5 | +23,9% |
A importação cresceu 23,9% em valor e 33,7% em peso. Como o peso cresceu mais que o valor, o preço médio caiu, de US$ 534 para US$ 495 por tonelada. O Brasil importou mais, e mais barato. No primeiro semestre de 2026 já são US$ 19,5 milhões e 44,1 mil toneladas, com 20 estados importando.
O perfil importador é dominado por rochas carbonáticas, sobretudo travertinos e mármores, em formas brutas e processadas. É exatamente o grupo em que a produção brasileira é menor: mármore e travertino são 26% da produção nacional, contra 31% de granito e 28% de quartzito maciço.
A liderança de Rondônia entre os estados importadores, à frente de São Paulo em valor e em volume, não tem explicação em fonte publicada. É a pergunta mais interessante em aberto desta página, e o observatório a mantém registrada em vez de preencher com hipótese.
| país fornecedor | US$ mi | mil t | US$/t |
|---|---|---|---|
| Turquia | 12,3 | 30,6 | 400 |
| México | 9,8 | 20,9 | 470 |
| Itália | 5,7 | 5,0 | 1.140 |
| Espanha | 2,7 | 5,3 | 510 |
| Índia | 2,4 | 5,9 | 370 |
| Egito | 1,6 | 6,3 | 250 |
A Turquia lidera em volume. A Itália aparece com o maior preço por tonelada da lista, US$ 1.140, que é peça acabada.
| estado importador | US$ mi | mil t | US$/t |
|---|---|---|---|
| Rondônia | 16,4 | 38,7 | 420 |
| São Paulo | 11,1 | 17,8 | 630 |
| Santa Catarina | 5,4 | 11,4 | 490 |
| Espírito Santo | 3,3 | 6,4 | 520 |
| Paraná | 2,1 | 2,8 | 760 |
| Minas Gerais | 1,6 | 3,1 | 510 |
| Rio Grande do Sul | 1,1 | 2,0 | 530 |
| Goiás | 0,9 | 2,7 | 340 |
Rondônia lidera em valor e volume, à frente de São Paulo. É o achado menos intuitivo desta página.
| código NCM | produto | US$ mi | mil t | US$/t |
|---|---|---|---|---|
| 2515.12.20 | travertinos em blocos ou chapas brutas | 18,8 | 43,5 | 433 |
| 6802.21.00 | mármores e travertinos em chapas acabadas | 6,5 | 13,3 | 485 |
| 6802.91.00 | mármores e travertinos em chapas acabadas | 11,4 | 19,7 | 579 |
Um único código, o travertino em bloco ou chapa bruta, responde por US$ 18,8 milhões dos US$ 44,7 milhões importados, 42% do total. O restante é mármore e travertino em chapa acabada.
O Brasil importa travertino bruto a US$ 433 por tonelada e exporta chapa de quartzito a US$ 2.370. Compra matéria e vende produto, no mesmo ano, pelos mesmos portos. É a prova doméstica de que o valor está no estágio, não na origem da rocha.
A importação de rocha não é ameaça ao produtor brasileiro: é sinal de que a demanda por variedade supera a oferta geológica de qualquer país. O mesmo raciocínio vale ao contrário e é o que sustenta a exportação brasileira para a Itália, que produz mármore e mesmo assim comprou US$ 115,7 milhões do Brasil em 2025.
O preço médio é a única alavanca que ainda não foi puxada.
Em oito anos o volume não voltou ao patamar de 2018 e o faturamento cresceu 48,7%. Isso significa que o setor já provou que sabe subir preço. Também significa que o caminho do volume está fechado, e que o próximo ganho vem do mesmo lugar de onde veio o último.
A chapa de quartzito sai a US$ 2.370 por tonelada e o bloco de granito a US$ 217. Mesmo país, mesmo porto, mesmo ano.
O quartzito sai em bloco a US$ 569 e em chapa a US$ 2.370 por tonelada. A diferença é serragem, polimento, classificação e nome.
US$ 1.157,40 contra US$ 699,20 por tonelada, sobre volumes praticamente iguais. A Itália importa boa parte da matéria que exporta.
As três distâncias medem a mesma coisa em escalas diferentes, e nenhuma delas é geológica. Fechar qualquer uma não depende de nova jazida nem de nova máquina: depende de nome, origem documentada, ficha técnica, repertório de obra e presença no projeto do arquiteto. É trabalho de marca sobre matéria que já está extraída.
O que este estudo diz sobre a sua empresa.
O setor cresceu 17,5% em faturamento em 2025 com 2,9% de aumento de volume. Quase todo o ganho veio de preço médio. A pergunta que interessa a uma empresa não é qual foi o número do setor, e sim onde o preço médio dela está dentro dessa distribuição, e em qual código fiscal ela embarca.
A conta é feita material a material, comparando a sua série de embarques com a série do setor, e separando o que é mix de produto do que é posicionamento.
Quer a sua série de embarques comparada à do setor, mês a mês e código a código?
falar com amanoO que amano vê daqui.
Leitura independente sobre o que os 102 meses de série mostram, e sobre o que eles não conseguem mostrar.
O setor cresceu 48,7% em receita desde 2018 embarcando 3,9% menos tonelada. Todo o crescimento é preço. Isso é bom e é frágil pela mesma razão: preço se conquista mais rápido do que volume, e se perde mais rápido também.
A distância entre o Brasil e a Itália não está em transformar ou não transformar. O Informe 12/2025 publica que rocha processada foi 75,47% do faturamento brasileiro de 2025, contra 77,4% da Itália. Os dois países transformam quase na mesma proporção. A diferença está no preço unitário do que se transforma, e isso desloca a pergunta de investimento industrial para posicionamento de material.
- A série mensal está fechada e conferida: 102 meses sem falha, de janeiro de 2018 a junho de 2026, com o vão de dezembro de 2019 localizado no Sindirochas.
- A decomposição de 2024 para 2025 fecha na quarta casa: preço +14,2% vezes volume +2,9% dá exatamente os +17,5% de valor.
- O preço médio derivado de 2025, US$ 699,2 por tonelada, reproduz o publicado.
- Um único destino responde por 53,9% do faturamento, e é o mesmo que aplicou duas ações tarifárias em julho de 2026.
- A abertura por material sai de cinco códigos que cobrem 90,1% do valor. Os outros 9,9% não têm rosto.
- O mercado interno, que é três quartos da produção, é medido uma vez por ano, contra a exportação que é medida todo mês.
O setor comemora recorde de receita no mesmo ano em que embarca menos pedra do que embarcava em 2018.
- Medir o mercado interno na frequência em que ele decide Três quartos da produção ficam no país e são lidos uma vez por ano.
- Abrir o preço por material, e não só por país O preço por destino mistura cestas diferentes e esconde onde o valor está.
- Tratar código fiscal como decisão comercial A chapa e o bloco entram nos Estados Unidos sob regimes diferentes desde julho.
- Publicar a série do segundo semestre com a mesma disciplina A comparação de 2026 contra 2025 depende de fechar o ano na mesma régua.
- O efeito das duas ações tarifárias de julho de 2026 sobre o volume do segundo semestre.
- O fechamento de 2026 contra os 1.475,8 milhões de dólares de 2025.
- Se o preço médio sustenta os US$ 699 por tonelada ou se recua com o câmbio.
- Se a China volta a comprar bloco no ritmo de 2025.
- Se o país recupera o volume de 2018 sem perder o preço conquistado.
O crescimento inteiro veio de preço, e preço é uma variável que uma empresa isolada consegue mover. Volume depende de jazida, licença e capacidade instalada. Preço depende de material, nome, documentação e onde a pedra é especificada. É a única alavanca do setor que não exige capital pesado para ser puxada.
A atuação abaixo deriva das fragilidades apontadas acima nesta mesma página. Não é relação de serviços.
- Inteligência. Comparar a série de embarques de uma empresa com a do setor, mês a mês e código a código, para separar o que é mix de material do que é posicionamento.
- Estratégia de portfólio. Ler onde o preço médio da empresa está dentro da distribuição do próprio código fiscal em que ela embarca.
O preço médio é a única alavanca do setor que ainda não foi puxada de propósito.