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estudo 01 · prioridade A

A Geografia do Móvel Brasileiro

Onde o Brasil produz, emprega, exporta, desenha e captura valor?

versão 1.0dados estruturais até 2025 · comércio exterior parcial 2026 (jan-mai)pacote consolidado 09/09/2026

Fonte primária: ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025 · abimovel.com/capa/dados-do-setor. Fonte estrutural: Master do Observatório do Mobiliário amano, v1.1.

1. Pergunta central

A pergunta que organiza este estudo é a mesma registrada na Agenda de Estudos Proprietários e no Plano Mestre do Observatório: onde o Brasil produz, emprega, exporta, desenha e captura valor no mobiliário?

Essa pergunta única se decompõe em cinco perguntas de segunda ordem, cada uma amarrada a uma camada de dado diferente do modelo do Observatório:

  1. Onde o Brasil produz? Camada de escala industrial (empresas ativas, produção física, faturamento), hoje disponível apenas em nível nacional e, para exportação, em nível de UF. Não há, neste pacote, produção física ou faturamento desagregados por município ou por polo.
  2. Onde o Brasil emprega? Camada de trabalho (RAIS/CAGED), prevista no modelo de dados (Fato_Emprego) mas ainda não ingerida nas séries brutas do Observatório. A série nacional de empregos existe (ABIMÓVEL/IEMI, 2017-2025); a distribuição territorial do emprego, que permitiria calcular o quociente locacional por município, ainda não.
  3. Onde o Brasil exporta? Camada de comércio exterior, a mais madura neste pacote: existe recorte por UF (2023-2025) e por destino (2025) para o universo de móveis e colchões prontos publicado pela ABIMÓVEL/IEMI.
  4. Onde o Brasil desenha? Camada de design como dado (INPI/BADEPI, Classe 06 de Locarno), prevista como indicador experimental (DESIGN_DENS) mas ainda não calculada: o cruzamento entre desenho industrial e território/empresas está listado como lacuna aberta (GAP-DESIGN-001).
  5. Onde o Brasil captura valor? Não existe, no pacote atual, um indicador direto de captura de valor por território. O que existe são proxies parciais (valor exportado por UF, faturamento nominal nacional) que só se tornam informativos quando confrontados com escala de produção e emprego local, o que ainda depende da ingestão de CEMPRE/RAIS. Esta é, deliberadamente, a pergunta mais aberta do estudo, e é o objeto do estudo dedicado da Agenda, "Produzir não é capturar valor".

Este estudo não é um ranking de estados, municípios ou empresas. É uma primeira leitura territorial consolidada, construída para (a) estabelecer a linha de base factual que os estudos 2, 3 e 4 da Agenda vão aprofundar, e (b) declarar com precisão o que ainda não pode ser respondido com os dados hoje disponíveis, para que nenhuma lacuna seja preenchida por estimativa não verificada.


2. Por que agora

Quatro motivos tornam este o momento correto para a primeira versão do estudo:

O ano-base de 2025 está fechado. A ABIMÓVEL publicou a série completa de 2025 (empresas ativas, produção física, faturamento, empregos e exportações), permitindo tratar 2025 como ano de referência estável em vez de dado preliminar. Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025 · https://abimovel.com/capa/dados-do-setor/.

O comércio exterior de 2026 já mostra sinal de desaceleração que precisa de leitura territorial. Entre janeiro e maio de 2026, as exportações de móveis e colchões prontos somaram US$ 284,8 milhões, 6,9% abaixo do mesmo período de 2025. Antes de qualquer leitura de causa, é preciso saber onde essa queda se concentra geograficamente, o que ainda não está disponível neste pacote em recorte 2026 por UF (ver Seção 9). Fonte: ABIMÓVEL · https://abimovel.com/exportacoes-de-moveis-recuam-enquanto-suprimentos-produtivos-avancam-no-acumulado-do-ano/.

Paraná está em movimento antes do estudo dedicado. O estado é, entre os quatro maiores exportadores, o que mais cresceu tanto no comparativo 2024-2025 (+10,1%) quanto na taxa composta 2023-2025 (CAGR de 10,1% ao ano). Isso justifica que a leitura territorial geral (este estudo) preceda o aprofundamento monográfico já previsto na Agenda ("Paraná: nova potência exportadora?").

O Observatório está em transição de fase de projeto para fase de operação. O Master registra as fases 0 a 6 como concluídas ou em operação estrutural, a fase 7 (arquitetura editorial) como protótipo funcional, e a fase 10 (estudos) como "Concluída v1, agenda inicial priorizada". Publicar o primeiro estudo completo é o passo que transforma a agenda priorizada em produto editorial real, testando o método antes de replicá-lo nos estudos seguintes. Fonte: Master do Observatório, aba 01_STATUS_FASES.

A Movelsul Brasil 2026 ocorreu entre 17 e 20 de agosto de 2026, com mais de 200 marcas em cinco pavilhões, e o Observatório preparou uma lista de campo com 50 alvos prioritários. Até o fechamento desta versão, a coleta de campo (21_MOVELSUL_ALVOS) permanece com status "Não iniciado" em todas as entradas verificadas no master, portanto nenhum dado de campo do evento foi incorporado a este estudo. Fonte: Movelsul Brasil · https://www.movelsul.com.br/imprensa/noticias/o-que-aguarda-visitantes-na-movelsul-brasil/.


3. Metodologia

3.1 Perímetro do objeto

O Observatório separa três perímetros, e este estudo trabalha apenas com o Perímetro A:

Perímetro Nome Entra no KPI núcleo? Uso
A Núcleo estatístico da indústria do mobiliário (CNAE Divisão 31) Sim KPIs setoriais
B Cadeia ampliada de suprimentos Não Ecossistema e comercial
C Design brasileiro (INPI/Locarno + curadoria) Não Editorial, inovação e design

Fonte: Master do Observatório, aba 03_ESCOPO_TAXONOMIA.

O núcleo estatístico (Perímetro A) é formado por quatro classes da CNAE Divisão 31: fabricação de móveis com predominância de madeira (31.01-2), de metal (31.02-1), de outros materiais exceto madeira e metal (31.03-9), e fabricação de colchões (31.04-7). Mobiliário médico/odontológico (NCM 9402) fica explicitamente fora do núcleo, tratado como benchmark adjacente.

3.2 A ponte entre produto, indústria e comércio exterior

A Prodlist-Indústria 2025 do IBGE/CONCLA contém 40 códigos operacionais na Divisão 31, que o Observatório classifica em 29 bens acabados, sete partes/componentes e quatro serviços. Essa tabela ("Rosetta Stone" no Master) é o que conecta a atividade industrial (CNAE), o produto físico (Prodlist) e o comércio exterior (NCM), e é a base pela qual qualquer leitura de exportação por produto neste estudo deve ser rastreada. Fonte: Master do Observatório, aba 04_PRODLIST31, a partir de IBGE/CONCLA, Prodlist-Indústria 2025.

3.3 Unidades territoriais: três conceitos que não são intercambiáveis

Por regra do Observatório, mantida integralmente neste estudo:

  • Município é a unidade estatística objetiva (a que aparece em CEMPRE, RAIS e Comex Stat municipal).
  • Polo é um agrupamento documentado por uma entidade territorial (sindicato, federação, instituto), com perímetro institucional próprio, que pode ou não coincidir com limites municipais ou com a CNAE 31 em sentido estrito.
  • UF produtora (onde a fábrica está registrada) e município fiscal do exportador (de onde sai o registro de exportação no Comex) são conceitos distintos entre si e distintos de polo e de município produtor. O Comex municipal não é usado, no Observatório, como proxy automático de município produtor.

Essas três distinções significam que, quando este estudo cita "Minas Gerais" como UF exportadora, isso não equivale a dizer "Ubá exportou X", e quando cita o polo "Bento Gonçalves / Serra", isso não equivale ao município de Bento Gonçalves isoladamente. Fonte: Master do Observatório, aba 09_MODELO_DADOS, e Manual Mestre de Observatórios Setoriais da AMANO, v1.0, agosto de 2026.

3.4 Catálogo de indicadores usados (e não usados) neste estudo

KPI Definição Status no pacote Uso neste estudo
EMPRESAS_ATIVAS Empresas ativas no universo setorial Ativo Sim, série nacional 2017-2025
PROD_PECAS Peças produzidas Ativo Sim, série nacional
FAT_NOMINAL Faturamento nominal Ativo Sim, série nacional, sem deflacionamento
EMPREGOS Vínculos/empregos Ativo Sim, série nacional, com ressalva de comparabilidade em 2021
EXP_FOB Valor exportado (FOB) Em construção Sim, recorte estadual 2023-2025 e por destino 2025
IMP_FOB Valor importado (FOB) Em construção Não usado (série 2025 não publicada na fonte-síntese consultada)
FOB_KG Valor médio aparente por kg Em construção Não calculado neste estudo
DEST_HHI Concentração de destinos (índice de Herfindahl-Hirschman) Planejado Não calculado; requer série completa por país no Comex Stat
TOP1_DEP Dependência do maior destino Planejado Não calculado no sentido formal; discutido qualitativamente na Seção 4
QL_MOB Quociente locacional municipal Planejado Não calculado; requer RAIS/CEMPRE por município, ainda não ingeridas
DESIGN_DENS Densidade de desenho industrial (Locarno) por 100 empresas Experimental Não calculado; requer integração BADEPI, listada como lacuna aberta

Fonte: Master do Observatório, aba 06_KPIS.

3.5 O radar de empresas não é amostra

O Observatório mantém uma lista seed de 117 empresas, marcas e grupos (12_EMPRESAS_RADAR), construída a partir de polos, entidades, feiras e relevância aparente, não como amostra probabilística do universo de 22.843 empresas ativas. Neste estudo, a distribuição geográfica dessa lista é usada apenas como leitura descritiva complementar, e não como evidência independente de concentração territorial, precisamente porque os polos prioritários que orientaram a curadoria da lista são os mesmos que este estudo está descrevendo (ver Seção 5, sobre esse risco de circularidade).

3.6 Fontes canônicas mobilizadas

Fonte Papel Cobertura usada Status/corte
ABIMÓVEL, Dados do Setor Canônica síntese Série nacional 2017-2025, exportação por UF 2023-2025, destinos 2025 2025
ABIMÓVEL, "Desaceleração no 2º semestre..." Corroborativa Tabela de exportação por UF 2025
ABIMÓVEL, "Exportações de móveis recuam..." Corroborativa Jan-mai 2026 mai/2026
MDIC/SECEX, Comex Stat Canônica oficial Não ingerida em série própria neste estudo; citada como fonte futura jul/2026
IBGE/CONCLA, Prodlist-Indústria 2025 Canônica de taxonomia Ponte CNAE/Prodlist/NCM 2025
IBGE, CEMPRE/SIDRA Canônica oficial Não ingerida neste estudo 2024
MTE, RAIS/CAGED Canônica oficial Não ingerida neste estudo 2025/2026
INPI, BADEPI Canônica de PI Não ingerida neste estudo 2000-2024
SIMA, Sindmóveis, Sindusmobil, Intersind, Sindimol Fontes territoriais institucionais Definição dos seis territórios prioritários Ver Seção 4.5

Fonte: Master do Observatório, aba 05_FONTES.


4. O que os dados mostram

4.1 Escala e trajetória nacional, 2017-2025

Ano Empresas Produção (mi peças) Faturamento (R$ bi) Exportações (US$ mi) Empregos (mil)
2017 19.568 431,8 62,18 553,3 268,8
2018 18.967 435,8 67,02 633,5 268,2
2019 18.592 437,5 69,61 644,0 270,3
2020 18.088 431,6 71,45 628,1 266,2
2021 17.954 443,2 79,76 937,9 275,3*
2022 19.300 402,6 76,90 830,7 268,6
2023 21.700 405,0 81,70 735,4 270,0
2024 22.300 439,9 91,60 763,0 282,7
2025 22.843 434,7 92,10 769,3 287,2

* O próprio Master sinaliza que o emprego de 2021 é "rotulado de forma potencialmente não comparável" na página histórica da ABIMÓVEL e não deve ser usado sem QA adicional. Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor · https://abimovel.com/capa/dados-do-setor/ (Master, aba 22_SERIE_BRASIL).

Lidos de ponta a ponta (2017 a 2025), os cinco indicadores não se movem juntos: empresas ativas cresceram 16,7%, faturamento nominal cresceu 48,1%, exportações cresceram 39,0%, empregos cresceram 6,8% e a produção física cresceu apenas 0,7%, praticamente estável em oito anos. Isso significa que o setor hoje tem mais empresas ativas e mais faturamento nominal do que em 2017, produzindo essencialmente a mesma quantidade física de peças. O número de empresas ativas também não é monotônico: caiu de 19.568 (2017) para um piso de 17.954 (2021) e depois subiu 27,2% até 2025, um movimento de reconfiguração setorial que, com os dados disponíveis, não pode ser atribuído a uma causa única.

4.2 A divergência entre faturamento e produção física

No recorte mais recente, 2024 para 2025, a produção física recuou 1,2% (de 439,9 para 434,7 milhões de peças) enquanto o faturamento nominal avançou 0,5% (de R$ 91,6 para R$ 92,1 bilhões). Como já registrado no Panorama Executivo, esse contraste não deve ser lido como ganho de produtividade ou de valor agregado sem decomposição de preço, mix de produto e estrutura de custos, decomposição que este pacote não contém (ver Seção 5 e Seção 9). Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025.

4.3 Comércio exterior: concentração e corrida estadual, 2023-2025

UF 2023 (US$ mil) 2024 (US$ mil) 2025 (US$ mil) Variação 24→25 Participação 2025 CAGR 23→25
Santa Catarina 250.376 248.903 255.084 +2,5% 33,2% +0,9%
Rio Grande do Sul 229.798 250.065 242.865 -2,9% 31,6% +2,8%
Paraná 118.700 130.601 143.804 +10,1% 18,7% +10,1%
São Paulo 102.614 103.777 102.796 -0,9% 13,4% +0,1%
Minas Gerais 15.870 14.563 10.915 -25,0% 1,4% -17,1%
Espírito Santo 3.324 3.070 3.312 +7,9% 0,4% -0,2%
Pernambuco 3.030 3.071 3.198 +4,1% 0,4% +2,7%
Bahia 3.604 2.922 2.420 -17,2% 0,3% -18,1%
Rio de Janeiro 2.744 3.417 2.295 -32,8% 0,3% -8,5%
Pará 2.063 825 438 -46,9% 0,1% -53,9%
Outros 3.254 1.837 2.189 +19,2% 0,3% -18,0%
Total 735.376 763.052 769.317 +0,8% 100% +2,3%

Fonte: ABIMÓVEL/IEMI · https://abimovel.com/desaceleracao-no-2o-semestre-marcou-fechamento-de-2025-na-cadeia-de-moveis/ (Master, aba 07_EXPORT_ESTADOS). Recorte: móveis e colchões prontos; partes e assentos de aeronaves/automóveis excluídos.

Três leituras decorrem diretamente da tabela, sem inferência adicional:

  • A concentração geográfica é extrema e estável no topo: Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná somam 83,4% do valor exportado em 2025; com São Paulo, a concentração chega a 96,8%. Os sete estados restantes com dado individual publicado somam, juntos, 2,9% do total.
  • Dentro desse topo estável, a composição interna está em movimento acentuado: o Paraná é o único estado, entre os quatro maiores, com crescimento tanto no ano (2024→2025) quanto na taxa composta do período (2023-2025), enquanto Rio Grande do Sul e São Paulo recuaram no último ano e Santa Catarina cresceu de forma marginal.
  • Fora do topo, a trajetória é de queda acentuada e, em alguns casos, de colapso: Pará caiu 78,8% entre 2023 (US$ 2,06 milhões) e 2025 (US$ 438 mil), Minas Gerais perdeu um quarto do valor exportado em um único ano, e Rio de Janeiro caiu 32,8% no mesmo intervalo.

4.4 Destinos internacionais, 2025

Destino Participação 2025 Grupo Leitura publicada
Estados Unidos 23,5% América do Norte Maior destino; concentração relevante
Uruguai 12,1% América do Sul Segundo maior destino
Chile 7,4% América do Sul Terceiro maior destino
Argentina 5,9% América do Sul Top 5 em 2025
Paraguai 5,7% América do Sul Top 5 em 2025

Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025 · https://abimovel.com/capa/dados-do-setor/ (Master, aba 08_DESTINOS).

Somados, os quatro destinos sul-americanos do Top 5 (Uruguai, Chile, Argentina, Paraguai) já representam 31,1% do valor exportado em 2025, mais do que a participação isolada dos Estados Unidos (23,5%). Isso é compatível com a hipótese em teste no Observatório de uma internacionalização mais latino-americana do móvel brasileiro, mas não a confirma: a tabela publicada cobre apenas os cinco maiores destinos de um único ano (2025), que juntos somam 54,6% do valor total exportado, deixando 45,4% do valor em destinos não detalhados nesta base. Não há, neste pacote, uma série por país para 2023 e 2024 que permita afirmar que a participação sul-americana está crescendo ao longo do tempo; existe apenas a fotografia de um ano. A confirmação ou rejeição da hipótese depende da série canônica do Comex Stat por país, produto e UF, incluindo concentração Top 1/3/5 e HHI, tal como o próprio Master já registra.

4.5 Território: seis polos prioritários, sem modelo único

Território UF Recorte conhecido Hipótese de leitura Pendência metodológica
Arapongas / Norte PR PR Arapongas + território SIMA de 41 municípios Escala e mercado nacional Normalização CEMPRE/RAIS pendente; números institucionais de universos distintos (GAP-GEO-008)
Bento Gonçalves / Serra RS Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira, Santa Tereza Ecossistema, marca e design Perímetro institucional bem definido, mas ainda sem normalização CEMPRE/RAIS
São Bento do Sul / Planalto Norte SC São Bento do Sul, Campo Alegre, Rio Negrinho Tradição exportadora Separar núcleo CNAE 31 da cadeia madeira ampliada
Ubá / Zona da Mata MG Ubá + território Intersind Densidade regional de fabricantes Comparar município x polo de 22 municípios
Linhares / Norte ES ES Linhares + região de influência Polo regional com fabricantes seriados Fotografia estatística recente e homogênea ainda não localizada (GAP-GEO-009)
Votuporanga / Noroeste SP SP A delimitar Cluster paulista a redimensionar Perímetro final em investigação

Fonte: Master do Observatório, aba 11_POLOS, a partir de SIMA, Sindmóveis, Sindusmobil, Intersind e Sindimol.

Nenhum desses seis territórios tem, neste pacote, produção física, faturamento ou emprego próprios e verificados: o que existe é a hipótese de leitura registrada pela entidade institucional de cada polo, mais a UF em que ele está localizado. Não é possível, a partir dos dados disponíveis, atribuir a um polo específico a variação de exportação da UF onde ele está (por exemplo, não é possível dizer que a queda de exportação de Minas Gerais é "a queda de Ubá"; ver Seção 3.3 e Seção 5).

Como leitura complementar e explicitamente não representativa, a distribuição geográfica das 117 empresas/marcas do radar comercial do Observatório mostra a seguinte concentração por UF: Rio Grande do Sul (49 entradas, 41,9% da lista), Paraná (20, 17,1%), Santa Catarina (19, 16,2%), Espírito Santo (10, 8,5%), Minas Gerais (8, 6,8%), São Paulo (7, 6,0%) e Rio de Janeiro (1, 0,9%). Fonte: Master do Observatório, aba 12_EMPRESAS_RADAR. Como a lista foi construída a partir dos próprios polos, entidades e feiras aqui descritos, essa distribuição não deve ser lida como confirmação independente da geografia produtiva (ver Seção 5).

4.6 Produtos e materiais

A Divisão 31 da CNAE forma o núcleo estatístico do Observatório: móveis com predominância de madeira (31.01-2), de metal (31.02-1), de outros materiais (31.03-9) e colchões (31.04-7). A Prodlist-Indústria 2025 detalha essas quatro classes em 40 códigos operacionais, classificados pelo Observatório em:

  • 29 bens acabados (produtos prontos para uso ou revenda);
  • 7 partes/componentes (insumos e peças para montagem de móveis);
  • 4 serviços (produção sob encomenda/industrialização).

Por material predominante entre os 40 códigos: 25 códigos referenciam madeira, 10 referenciam metal e 5 referenciam colchões (a categoria "outros materiais", como plástico, vime e bambu, aparece nos códigos mas está classificada no Master sob o material "Madeira" por proximidade funcional, uma convenção da própria tabela que deve ser lida com essa ressalva). Por função de mercado AMANO, a categoria mais numerosa é "Assentos" (15 dos 40 códigos), seguida de "Outros" (8), "Armazenamento" (4) e "Colchões" (4). Fonte: Master do Observatório, aba 04_PRODLIST31, a partir de IBGE/CONCLA, Prodlist-Indústria 2025.

4.7 Onde o Brasil desenha: um indicador que ainda não existe

O desenho industrial registrado no INPI, especialmente na Classe 06 de Locarno, está definido no catálogo de KPIs do Observatório como indicador experimental (DESIGN_DENS, densidade de desenhos Locarno por 100 empresas do núcleo), mas seu cálculo depende da integração entre a base BADEPI do INPI e o cadastro de empresas/território, integração listada como lacuna aberta (GAP-DESIGN-001, status "pendente extração"). Isso significa que, nesta versão do estudo, a pergunta "onde o Brasil desenha" não pode ser respondida com dado verificado, apenas registrada como uma linha de pesquisa ativa. Qualquer afirmação hoje sobre "polo mais criativo" ou "estado com mais design" não teria lastro no pacote e não é feita neste estudo.

4.8 Onde o Brasil captura valor: proxies parciais, não uma métrica

Não existe, no catálogo de KPIs do Observatório, um indicador direto de "captura de valor" territorial; o conceito está reservado, de forma correta, para o estudo dedicado "Produzir não é capturar valor". O que este estudo pode oferecer, com os dados disponíveis, são apenas proxies parciais e não conclusivos:

  • O valor exportado por UF (Seção 4.3) mostra onde o valor de venda internacional é reconhecido do lado brasileiro, mas não mede margem, valor agregado por peça ou posição de marca.
  • O faturamento nominal nacional (Seção 4.1) mostra escala monetária agregada, mas sem desagregação territorial neste pacote.
  • Nenhuma das duas variáveis foi cruzada, neste estudo, com escala de produção ou emprego por território, porque essa camada (CEMPRE/RAIS por município) ainda não foi ingerida (GAP-DATA-001). Esse cruzamento é, precisamente, o que o estudo "Produzir não é capturar valor" fará.

5. Contradições

Esta seção documenta tensões entre dados do próprio pacote, não opiniões. Cada contradição é seguida da causa mais provável, quando conhecida, e do gap correspondente quando não é possível resolvê-la com o dado disponível.

Faturamento sobe enquanto produção física cai, tanto no curto quanto no longo prazo. Entre 2024 e 2025, a produção recuou 1,2% e o faturamento nominal subiu 0,5%; entre 2017 e 2025, a produção cresceu apenas 0,7% no total do período enquanto o faturamento nominal cresceu 48,1%. Isso pode refletir inflação de preços, mudança de mix de produto para itens de maior valor unitário, ou os dois combinados; o pacote não contém uma série deflacionada nem decomposição de preço e mix que permita distinguir essas hipóteses. Ver GAP-MET-005 e a nota geral do Master de que "a série não deve ser confundida com crescimento real sem deflacionamento".

A série de empregos tem uma quebra de comparabilidade reconhecida pela própria fonte, mas embutida em uma série aparentemente contínua. A ABIMÓVEL sinaliza que o dado de emprego de 2021 (275,3 mil) é rotulado de forma potencialmente não comparável e não deve ser usado sem QA adicional, enquanto os demais anos da série (2017-2020, 2022-2025) não trazem essa mesma ressalva. Isso significa que qualquer leitura de tendência de emprego que atravesse 2021 sem tratamento específico corre risco metodológico. Fonte: Master, aba 22_SERIE_BRASIL, nota de comparabilidade.

Concentração agregada estável esconde realocação interna intensa. Os quatro maiores estados exportadores mantiveram, juntos, uma participação de aproximadamente 97% tanto em 2023 quanto em 2025, mas essa estabilidade agregada convive com crescimento de dois dígitos no Paraná (CAGR +10,1%) e quedas de dois dígitos em Minas Gerais (-17,1%) e Pará (-53,9%). Uma leitura que olhasse apenas para o número agregado ("a concentração no topo não mudou") esconderia a movimentação real dentro do próprio topo e nas margens.

O polo descrito como de maior densidade fabril entre os territórios monitorados está na UF com a pior trajetória exportadora entre os quatro maiores estados historicamente relevantes. O Master descreve o polo de Ubá / Zona da Mata (MG) com a hipótese de leitura "densidade regional de fabricantes". No mesmo período, Minas Gerais, a UF onde esse polo está localizado, teve a segunda pior variação de exportação entre todos os estados nomeados (-25,0% de 2024 para 2025) e a pior CAGR entre os estados historicamente relevantes na série 2023-2025 (-17,1%), atrás apenas do Pará. Isso não permite concluir que Ubá "produz sem exportar": por regra de método (Seção 3.3), UF produtora não é o mesmo que polo, e a exportação de Minas Gerais pode ser dominada por empresas fora do polo de Ubá, ou pelo contrário. A tensão é real nos dados publicados, mas sua causa exige desagregação municipal/polo que este pacote não tem; é exatamente a pergunta que o estudo dedicado "Produzir não é capturar valor" precisa responder com rigor, não uma conclusão deste estudo.

A distribuição geográfica do radar de empresas não é uma confirmação independente da concentração territorial. A lista de 117 empresas tem 41,9% de suas entradas no Rio Grande do Sul e mais 17,1% e 16,2% no Paraná e em Santa Catarina, respectivamente, ranking muito parecido com o dos territórios prioritários definidos pelo próprio Observatório. Isso é esperado e não é evidência adicional, porque a lista foi curada a partir desses mesmos polos e entidades territoriais (Seção 3.5); citar essa coincidência como "confirmação" seria um erro de circularidade metodológica.

A hipótese central do Observatório sobre latino-americanização roda à frente do dado disponível. O Panorama Executivo já registra essa hipótese como "em teste", e este estudo confirma, com o detalhamento da Seção 4.4, que ela hoje só pode ser sustentada por uma leitura de corte único (2025) e por informação parcial (Top 5 de destinos, 54,6% do valor total), não por uma série temporal por país. A tese é razoável e vale a pena investigar, mas tratá-la como tendência comprovada nesta fase seria ir além do que os dados publicados permitem.


6. Mapas e gráficos proprietários

Esta seção descreve o que cada peça visual mostraria e com qual dado seria construída; nenhuma imagem é gerada nesta versão do estudo. Cada item indica se é construível agora com o dado deste pacote ou se depende de ingestão futura.

1. Mapa coroplético do Brasil por UF exportadora, 2025. Unidades federativas coloridas por participação no valor exportado de móveis e colchões prontos (Seção 4.3), com rótulo de valor absoluto e variação 2024→2025. Evidenciaria visualmente a concentração no Sul/Sudeste (SC, RS, PR, SP) e o vazio nas demais regiões. Construível agora com 07_EXPORT_ESTADOS.

2. Série de duplo eixo, 2017-2025: faturamento nominal x produção física. Duas linhas (faturamento em R$ bi à esquerda, peças produzidas em milhões à direita) sobre o mesmo eixo do tempo, com marcação visual explícita da nota de comparabilidade de 2021 (emprego, não faturamento/produção, mas mantida como anotação de contexto) e uma marcação separada, em nota de rodapé do gráfico, de que a ruptura metodológica da PIA a partir de 2024 não afeta diretamente esta série (que é ABIMÓVEL/IEMI, não PIA) mas deve constar como referência cruzada obrigatória sempre que a PIA for citada ao lado. Evidenciaria a divergência descrita na Seção 4.2 e 5. Construível agora com 22_SERIE_BRASIL.

3. Gráfico de barras "corrida estadual", 2023 a 2025. Barras agrupadas por UF (as dez UFs nomeadas mais "Outros"), uma barra por ano, com anotação de CAGR 2023-2025 ao lado de cada estado. Evidenciaria o contraste entre a estabilidade dos três maiores e o colapso de Pará, Bahia e Rio de Janeiro. Construível agora com 07_EXPORT_ESTADOS.

4. Gráfico de participação por destino, 2025, com bloco agregado. Cinco fatias nomeadas (Estados Unidos, Uruguai, Chile, Argentina, Paraguai) mais uma fatia "demais destinos" de 45,4%, com uma anotação separada somando o bloco sul-americano nomeado (31,1%) versus os Estados Unidos (23,5%), rotulada explicitamente como "leitura de um único ano, não tendência". Construível agora com 08_DESTINOS, com a ressalva de rótulo obrigatória descrita na Seção 4.4.

5. Mapa dos seis territórios prioritários. Marcadores aproximados sobre os seis polos da Seção 4.5, com um ícone de status de normalização (concluído / pendente CEMPRE-RAIS / em pesquisa) e, como camada opcional e claramente rotulada como não representativa, o número de entradas do radar comercial por UF. Este mapa não deve, em nenhuma versão, usar tamanho de bolha para sugerir "importância econômica" do polo, porque essa magnitude não está medida neste pacote. Construível agora, com rótulo de ressalva obrigatório na camada do radar.

6. Quadrante "Escala Industrial x Internacionalização" por polo. Eixo X de escala industrial (proxy ainda a definir: número de empresas ou emprego por polo) e eixo Y de internacionalização (proxy: participação exportadora da UF, ou idealmente do polo). Este é o gráfico-conceito do estudo "Produzir não é capturar valor" e não é construível agora: depende de CEMPRE/RAIS por município e de uma regra clara de atribuição de exportação a polo, nenhuma das duas disponível neste pacote (GAP-DATA-001, GAP-GEO-001).

7. Mapa de densidade de desenho industrial (Locarno 06) por território. Coroplético ou mapa de bolhas com desenhos industriais registrados por território, cruzados com número de empresas locais (indicador DESIGN_DENS). Não é construível agora: depende da integração BADEPI/território ainda pendente (GAP-DESIGN-001).


7. Implicações para indústria, design e mercado

As implicações abaixo são organizadas pelas seis frentes de atuação já definidas no Plano Mestre do Observatório (Ofício, Essência, Conexões, Inteligência, Conteúdo, Experiência), e cada uma é amarrada a um dado específico desta versão, não a uma leitura genérica de mercado.

Inteligência. A queda de 6,9% nas exportações entre janeiro e maio de 2026 ainda não tem decomposição territorial neste pacote (Seção 9). Antes de qualquer leitura de causa (câmbio, demanda externa, tarifa, capacidade), a prioridade operacional imediata é ingerir o Comex Stat 2026 por UF e por país para saber se a queda é generalizada ou concentrada em um ou dois estados, o que mudaria completamente a leitura estratégica. Da mesma forma, a hipótese de latino-americanização (Seção 4.4) precisa de série multianual por país antes de orientar qualquer decisão comercial de expansão regional.

Ofício e Essência. A divergência entre faturamento nominal em alta e produção física estagnada (Seção 4.2 e 5) é um alerta editorial e estratégico: qualquer comunicação, interna ou de mercado, que celebre "crescimento do setor" a partir do faturamento nominal precisa, no mínimo, qualificar que a produção física não acompanha esse movimento. Para empresas e para o próprio Observatório, isso sugere que a agenda de pesquisa sobre mix de produto, preço e produtividade (já registrada no Panorama) é hoje mais urgente do que uma narrativa de expansão.

Conexões e Conteúdo. A concentração de 96,8% do valor exportado em quatro estados (SC, RS, PR, SP) significa que qualquer estratégia de relacionamento internacional, especificação ou conteúdo editorial sobre exportação brasileira de móveis tem, hoje, um território natural de partida bem definido. Ao mesmo tempo, a trajetória do Paraná (única UF grande em crescimento consistente) sugere que esse território de partida está mudando de composição interna, e que ignorar essa mudança em favor de uma narrativa fixa sobre "os três estados do Sul" já estaria desatualizado em relação ao próprio dado de 2025.

Risco regional como sinal, não como diagnóstico. Estados com queda acentuada de exportação (Minas Gerais, Pará, Bahia, Rio de Janeiro) merecem investigação qualitativa de campo antes de qualquer leitura pública de declínio estrutural, porque o dado agregado por UF pode esconder heterogeneidade de polo e de município (Seção 3.3 e 5). Uma leitura editorial apressada de "Minas Gerais em declínio" seria metodologicamente frágil sem desagregação por polo.

Design. Enquanto o indicador DESIGN_DENS não for calculado (Seção 4.7), o Observatório e a AMANO devem evitar qualquer afirmação editorial ou comercial que hierarquize territórios por "vocação de design" ou "polo mais criativo". A frente Essência da casa pode continuar operando com curadoria qualitativa, mas não deve se apoiar em um indicador quantitativo que ainda não existe.


8. White spaces

Todas as afirmações desta seção são hipóteses comerciais explícitas, não diagnósticos. Nenhuma delas deve ser comunicada como conclusão sem validação qualitativa adicional (contato, visita de campo, entrevista), conforme a regra do Observatório de que nenhuma hipótese de white space é tratada como diagnóstico sem evidência.

H1. Minas Gerais / Ubá como possível caso de "escala sem captura internacional equivalente". O estado combina, na leitura institucional do próprio Master, a hipótese de "densidade regional de fabricantes" (polo de Ubá) com a pior trajetória exportadora entre as UFs historicamente relevantes na série 2023-2025 (CAGR de -17,1%). Se essa combinação se confirmar, no nível do polo e não apenas da UF, ela seria um caso de manual para o estudo "Produzir não é capturar valor". Hoje, é apenas uma hipótese a validar com dados municipais/de polo que este pacote não contém.

H2. Paraná como eixo de valor exportável ainda sem narrativa de marca proporcional. O Paraná é a única UF grande com crescimento consistente de exportação no período (CAGR +10,1%, maior variação 2024-2025 entre os quatro maiores estados), mas o radar comercial do Observatório tem, proporcionalmente, menos presença associada a esse estado (17,1% das 117 entradas) do que ao Rio Grande do Sul (41,9%), historicamente mais associado a marca, design e eventos do setor. A hipótese é que exista, no Paraná, competência industrial em expansão ainda não convertida, proporcionalmente, em construção de marca, design ou especificação, o que a Agenda já reservou para o estudo "Paraná: nova potência exportadora?".

H3. Bloco sul-americano de destinos como possível redesenho de rota comercial. A soma das quatro maiores participações sul-americanas do Top 5 de destinos em 2025 (31,1%) já supera a participação isolada dos Estados Unidos (23,5%). Isso pode indicar uma reorientação comercial em curso, mas, como já registrado na Seção 4.4 e 5, é uma leitura de um único ano e não uma tendência comprovada. A hipótese central da Agenda ("A Latino-americanização do Móvel Brasileiro") existe exatamente para testar isso com rigor multianual antes de qualquer comunicação comercial sobre "nova geografia de exportação".

H4. Linhares / Norte ES como possível "polo invisível" nas bases nacionais atuais. O Master descreve esse território com a hipótese de "polo regional com fabricantes seriados", mas reconhece explicitamente (GAP-GEO-009) que não há fotografia estatística recente e homogênea localizada para ele. Se a hipótese institucional do Sindimol se confirmar com dados RAIS/CEMPRE, Linhares pode ser um território relevante hoje subrrepresentado na conversa nacional sobre o setor, precisamente por falta de dado, não por falta de escala. Essa é uma hipótese que só a reconstrução de dados (já listada como pendência no próprio Master, "reconstrução recente e uniforme de Linhares e de outros polos emergentes") pode resolver.


9. Limitações

Esta seção reúne, de forma explícita, tudo o que os dados disponíveis não permitem responder com rigor nesta versão do estudo, cada item referenciado ao registro correspondente de lacuna (10_GAPS) quando aplicável.

  • Não há série de comércio exterior 2026 desagregada por UF ou por país neste pacote (GAP-DATA-001, "Séries brutas 2026 ainda não ingeridas no master local"). A queda de 6,9% em janeiro-maio de 2026 discutida na Seção 2 e 7 é conhecida apenas em valor agregado nacional; sua distribuição territorial não pode ser respondida aqui.
  • Não há cesta canônica completa de NCM de oito dígitos com de-para histórico (GAP-NCM-001), o que limita a granularidade de qualquer leitura futura de produto no comércio exterior além do que a ABIMÓVEL já publica de forma sintética.
  • Não há separação sistemática entre bem acabado, parte e componente em todas as séries (GAP-COMP-001), o que exige cautela ao comparar valores de exportação entre anos ou fontes que possam tratar esse recorte de forma diferente.
  • O Comex municipal, quando vier a ser incorporado, chegará apenas ao nível de SH4 (GAP-GRAN-004), "limitação estrutural pública" segundo o próprio Master; isso significa que uma leitura de produto detalhado por município exportador não será possível mesmo depois da ingestão dessa base.
  • Há uma ruptura metodológica confirmada na PIA a partir de 2024 (GAP-MET-001), que não afeta diretamente as séries ABIMÓVEL/IEMI usadas neste estudo, mas deve ser marcada visualmente sempre que a PIA for citada em estudos futuros que cruzem essas fontes.
  • Os seis polos usam perímetros institucionais diferentes entre si e ainda não normalizados por CEMPRE/RAIS (GAP-GEO-001), o que impede qualquer comparação de escala entre polos nesta versão.
  • Arapongas tem números institucionais publicados em anos e universos distintos (GAP-GEO-008), o que impede tratar os dados hoje disponíveis sobre esse polo como uma série única e comparável sem reconstrução via CEMPRE/RAIS.
  • Linhares não tem fotografia estatística recente e homogênea localizada (GAP-GEO-009), conforme já discutido na Hipótese H4.
  • Existem referências conflitantes sobre a posição global do Brasil na produção mundial de móveis (GAP-FONTE-006); por isso, este estudo não posiciona o Brasil em nenhum ranking internacional de produção.
  • A vinculação entre desenho industrial (Locarno) e território/empresas ainda não foi extraída (GAP-DESIGN-001), o que torna a Seção 4.7 uma lacuna declarada, não uma seção de dado.
  • A receita individual de empresas privadas não é publicamente comparável (GAP-EMPRESA-001); nenhuma comparação de porte entre empresas nomeadas é feita neste estudo.
  • O radar comercial de 117 empresas é uma seed list de curadoria, não uma amostra probabilística (Seção 3.5); sua distribuição geográfica é descritiva e não deve ser lida como medição independente da concentração produtiva real do setor.
  • A coleta de campo da Movelsul Brasil 2026 (50 alvos prioritários) permanece com status "não iniciado" em todas as entradas verificadas no master até o fechamento desta versão; nenhum dado observacional de campo foi incorporado a este estudo.
  • Não existe, no catálogo de KPIs do Observatório, um indicador direto de captura de valor territorial (Seção 4.8); o que este estudo oferece são proxies parciais, e a resposta completa à quinta pergunta da Seção 1 depende do estudo dedicado "Produzir não é capturar valor".

Fonte: Master do Observatório, aba 10_GAPS, "Lacuna é dado: nada é ocultado por falta de informação".


10. Fontes e anexos

10.1 Fontes citadas neste estudo

  • ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025. https://abimovel.com/capa/dados-do-setor/
  • ABIMÓVEL, "Desaceleração no 2º semestre marcou fechamento de 2025 na cadeia de móveis". https://abimovel.com/desaceleracao-no-2o-semestre-marcou-fechamento-de-2025-na-cadeia-de-moveis/
  • ABIMÓVEL, "Exportações de móveis recuam enquanto suprimentos produtivos avançam no acumulado do ano". https://abimovel.com/exportacoes-de-moveis-recuam-enquanto-suprimentos-produtivos-avancam-no-acumulado-do-ano/
  • MDIC/SECEX, Comex Stat / dados abertos (fonte canônica futura, não ingerida em série própria nesta versão). https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/comercio-exterior/estatisticas/base-de-dados-bruta
  • IBGE/CONCLA, Prodlist-Indústria 2025. https://cnae.ibge.gov.br/classificacoes/download-concla/8265-download
  • IBGE, CEMPRE / SIDRA (fonte canônica futura, não ingerida nesta versão). https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/comercio/9016-estatisticas-do-cadastro-central-de-empresas.html
  • IBGE, PIA Empresa e PIA Produto (fonte canônica futura, não ingerida nesta versão). https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/industria/9042-pesquisa-industrial-anual.html · https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/industria/9044-pesquisa-industrial-anual-produto.html
  • MTE, RAIS 2025 e Novo Caged (fonte canônica futura, não ingerida nesta versão). https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/estatisticas-trabalho/rais/rais-2025 · https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/estatisticas-trabalho/microdados-rais-e-caged
  • INPI, BADEPI (fonte canônica futura, não ingerida nesta versão). https://www.gov.br/inpi/pt-br/inpi-data/dados-e-series-temporais/badepi
  • Movelsul Brasil 2026. https://www.movelsul.com.br/imprensa/noticias/o-que-aguarda-visitantes-na-movelsul-brasil/ · Lista de expositores: https://www.movelsul.com.br/expositores-2026/
  • SIMA (Arapongas). https://www.sima.org.br/arapongas.html
  • Sindmóveis (Bento Gonçalves). https://www.sindmoveis.com.br/
  • Sindusmobil (São Bento do Sul). https://sindusmobil.com.br/
  • Intersind (Ubá). https://www.intersind.com.br/
  • Sindimol (Linhares). https://www.sindimol.com.br/
  • AMANO, Manual Mestre de Observatórios Setoriais, v1.0, agosto de 2026 (fonte metodológica interna).
  • AMANO, Panorama Executivo 2026 do Observatório do Mobiliário Brasileiro, v1.1 (fonte editorial interna, tese de abertura e hipótese em teste).
  • AMANO, Master do Observatório do Mobiliário Brasileiro, v1.1 (fonte de dados estruturada interna; abas citadas: 01_STATUS_FASES, 03_ESCOPO_TAXONOMIA, 04_PRODLIST31, 05_FONTES, 06_KPIS, 07_EXPORT_ESTADOS, 08_DESTINOS, 09_MODELO_DADOS, 10_GAPS, 11_POLOS, 12_EMPRESAS_RADAR, 21_MOVELSUL_ALVOS, 22_SERIE_BRASIL).

10.2 Anexo A. Série histórica estrutural, 2017-2025 (tabela completa)

Ver Seção 4.1. Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor · Master, aba 22_SERIE_BRASIL.

10.3 Anexo B. Exportações por UF, 2023-2025 (tabela completa)

Ver Seção 4.3. Fonte: ABIMÓVEL/IEMI · Master, aba 07_EXPORT_ESTADOS.

10.4 Anexo C. Destinos internacionais, 2025 (Top 5)

Ver Seção 4.4. Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025 · Master, aba 08_DESTINOS.

10.5 Anexo D. Seis territórios prioritários e status de normalização

Ver Seção 4.5. Fonte: Master, aba 11_POLOS.

10.6 Anexo E. Prodlist-Indústria 2025, CNAE Divisão 31, resumo de classificação

Classe CNAE Descrição Códigos Prodlist
31.01-2 Fabricação de móveis com predominância de madeira 15
31.02-1 Fabricação de móveis com predominância de metal 10
31.03-9 Fabricação de móveis de outros materiais, exceto madeira e metal 10
31.04-7 Fabricação de colchões 5
Total 40 códigos operacionais (29 bens acabados, 7 partes/componentes, 4 serviços)

Fonte: Master, aba 04_PRODLIST31, a partir de IBGE/CONCLA, Prodlist-Indústria 2025.

10.7 Anexo F. Distribuição geográfica do radar comercial (117 entidades), leitura não representativa

RS: 49 (41,9%) · PR: 20 (17,1%) · SC: 19 (16,2%) · ES: 10 (8,5%) · MG: 8 (6,8%) · SP: 7 (6,0%) · RJ: 1 (0,9%) · sem UF registrada: 3 (2,6%).

Fonte: Master, aba 12_EMPRESAS_RADAR. Ver ressalva de circularidade na Seção 3.5 e Seção 5.


Regra de publicação do Observatório, mantida integralmente neste estudo: gap não é escondido, estimado ou preenchido com fonte mais fraca quando a base canônica não está disponível. O Observatório explicita o que sabe, o que ainda não sabe e o que precisa ser atualizado.