estudo 01 · prioridade A
Onde o Brasil produz, emprega, exporta, desenha e captura valor?
Fonte primária: ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025 · abimovel.com/capa/dados-do-setor. Fonte estrutural: Master do Observatório do Mobiliário amano, v1.1.
A pergunta que organiza este estudo é a mesma registrada na Agenda de Estudos Proprietários e no Plano Mestre do Observatório: onde o Brasil produz, emprega, exporta, desenha e captura valor no mobiliário?
Essa pergunta única se decompõe em cinco perguntas de segunda ordem, cada uma amarrada a uma camada de dado diferente do modelo do Observatório:
DESIGN_DENS) mas ainda não calculada: o cruzamento entre desenho industrial e território/empresas está listado como lacuna aberta (GAP-DESIGN-001).Este estudo não é um ranking de estados, municípios ou empresas. É uma primeira leitura territorial consolidada, construída para (a) estabelecer a linha de base factual que os estudos 2, 3 e 4 da Agenda vão aprofundar, e (b) declarar com precisão o que ainda não pode ser respondido com os dados hoje disponíveis, para que nenhuma lacuna seja preenchida por estimativa não verificada.
Quatro motivos tornam este o momento correto para a primeira versão do estudo:
O ano-base de 2025 está fechado. A ABIMÓVEL publicou a série completa de 2025 (empresas ativas, produção física, faturamento, empregos e exportações), permitindo tratar 2025 como ano de referência estável em vez de dado preliminar. Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025 · https://abimovel.com/capa/dados-do-setor/.
O comércio exterior de 2026 já mostra sinal de desaceleração que precisa de leitura territorial. Entre janeiro e maio de 2026, as exportações de móveis e colchões prontos somaram US$ 284,8 milhões, 6,9% abaixo do mesmo período de 2025. Antes de qualquer leitura de causa, é preciso saber onde essa queda se concentra geograficamente, o que ainda não está disponível neste pacote em recorte 2026 por UF (ver Seção 9). Fonte: ABIMÓVEL · https://abimovel.com/exportacoes-de-moveis-recuam-enquanto-suprimentos-produtivos-avancam-no-acumulado-do-ano/.
Paraná está em movimento antes do estudo dedicado. O estado é, entre os quatro maiores exportadores, o que mais cresceu tanto no comparativo 2024-2025 (+10,1%) quanto na taxa composta 2023-2025 (CAGR de 10,1% ao ano). Isso justifica que a leitura territorial geral (este estudo) preceda o aprofundamento monográfico já previsto na Agenda ("Paraná: nova potência exportadora?").
O Observatório está em transição de fase de projeto para fase de operação. O Master registra as fases 0 a 6 como concluídas ou em operação estrutural, a fase 7 (arquitetura editorial) como protótipo funcional, e a fase 10 (estudos) como "Concluída v1, agenda inicial priorizada". Publicar o primeiro estudo completo é o passo que transforma a agenda priorizada em produto editorial real, testando o método antes de replicá-lo nos estudos seguintes. Fonte: Master do Observatório, aba 01_STATUS_FASES.
A Movelsul Brasil 2026 ocorreu entre 17 e 20 de agosto de 2026, com mais de 200 marcas em cinco pavilhões, e o Observatório preparou uma lista de campo com 50 alvos prioritários. Até o fechamento desta versão, a coleta de campo (21_MOVELSUL_ALVOS) permanece com status "Não iniciado" em todas as entradas verificadas no master, portanto nenhum dado de campo do evento foi incorporado a este estudo. Fonte: Movelsul Brasil · https://www.movelsul.com.br/imprensa/noticias/o-que-aguarda-visitantes-na-movelsul-brasil/.
O Observatório separa três perímetros, e este estudo trabalha apenas com o Perímetro A:
| Perímetro | Nome | Entra no KPI núcleo? | Uso |
|---|---|---|---|
| A | Núcleo estatístico da indústria do mobiliário (CNAE Divisão 31) | Sim | KPIs setoriais |
| B | Cadeia ampliada de suprimentos | Não | Ecossistema e comercial |
| C | Design brasileiro (INPI/Locarno + curadoria) | Não | Editorial, inovação e design |
Fonte: Master do Observatório, aba 03_ESCOPO_TAXONOMIA.
O núcleo estatístico (Perímetro A) é formado por quatro classes da CNAE Divisão 31: fabricação de móveis com predominância de madeira (31.01-2), de metal (31.02-1), de outros materiais exceto madeira e metal (31.03-9), e fabricação de colchões (31.04-7). Mobiliário médico/odontológico (NCM 9402) fica explicitamente fora do núcleo, tratado como benchmark adjacente.
A Prodlist-Indústria 2025 do IBGE/CONCLA contém 40 códigos operacionais na Divisão 31, que o Observatório classifica em 29 bens acabados, sete partes/componentes e quatro serviços. Essa tabela ("Rosetta Stone" no Master) é o que conecta a atividade industrial (CNAE), o produto físico (Prodlist) e o comércio exterior (NCM), e é a base pela qual qualquer leitura de exportação por produto neste estudo deve ser rastreada. Fonte: Master do Observatório, aba 04_PRODLIST31, a partir de IBGE/CONCLA, Prodlist-Indústria 2025.
Por regra do Observatório, mantida integralmente neste estudo:
Essas três distinções significam que, quando este estudo cita "Minas Gerais" como UF exportadora, isso não equivale a dizer "Ubá exportou X", e quando cita o polo "Bento Gonçalves / Serra", isso não equivale ao município de Bento Gonçalves isoladamente. Fonte: Master do Observatório, aba 09_MODELO_DADOS, e Manual Mestre de Observatórios Setoriais da AMANO, v1.0, agosto de 2026.
| KPI | Definição | Status no pacote | Uso neste estudo |
|---|---|---|---|
EMPRESAS_ATIVAS |
Empresas ativas no universo setorial | Ativo | Sim, série nacional 2017-2025 |
PROD_PECAS |
Peças produzidas | Ativo | Sim, série nacional |
FAT_NOMINAL |
Faturamento nominal | Ativo | Sim, série nacional, sem deflacionamento |
EMPREGOS |
Vínculos/empregos | Ativo | Sim, série nacional, com ressalva de comparabilidade em 2021 |
EXP_FOB |
Valor exportado (FOB) | Em construção | Sim, recorte estadual 2023-2025 e por destino 2025 |
IMP_FOB |
Valor importado (FOB) | Em construção | Não usado (série 2025 não publicada na fonte-síntese consultada) |
FOB_KG |
Valor médio aparente por kg | Em construção | Não calculado neste estudo |
DEST_HHI |
Concentração de destinos (índice de Herfindahl-Hirschman) | Planejado | Não calculado; requer série completa por país no Comex Stat |
TOP1_DEP |
Dependência do maior destino | Planejado | Não calculado no sentido formal; discutido qualitativamente na Seção 4 |
QL_MOB |
Quociente locacional municipal | Planejado | Não calculado; requer RAIS/CEMPRE por município, ainda não ingeridas |
DESIGN_DENS |
Densidade de desenho industrial (Locarno) por 100 empresas | Experimental | Não calculado; requer integração BADEPI, listada como lacuna aberta |
Fonte: Master do Observatório, aba 06_KPIS.
O Observatório mantém uma lista seed de 117 empresas, marcas e grupos (12_EMPRESAS_RADAR), construída a partir de polos, entidades, feiras e relevância aparente, não como amostra probabilística do universo de 22.843 empresas ativas. Neste estudo, a distribuição geográfica dessa lista é usada apenas como leitura descritiva complementar, e não como evidência independente de concentração territorial, precisamente porque os polos prioritários que orientaram a curadoria da lista são os mesmos que este estudo está descrevendo (ver Seção 5, sobre esse risco de circularidade).
| Fonte | Papel | Cobertura usada | Status/corte |
|---|---|---|---|
| ABIMÓVEL, Dados do Setor | Canônica síntese | Série nacional 2017-2025, exportação por UF 2023-2025, destinos 2025 | 2025 |
| ABIMÓVEL, "Desaceleração no 2º semestre..." | Corroborativa | Tabela de exportação por UF | 2025 |
| ABIMÓVEL, "Exportações de móveis recuam..." | Corroborativa | Jan-mai 2026 | mai/2026 |
| MDIC/SECEX, Comex Stat | Canônica oficial | Não ingerida em série própria neste estudo; citada como fonte futura | jul/2026 |
| IBGE/CONCLA, Prodlist-Indústria 2025 | Canônica de taxonomia | Ponte CNAE/Prodlist/NCM | 2025 |
| IBGE, CEMPRE/SIDRA | Canônica oficial | Não ingerida neste estudo | 2024 |
| MTE, RAIS/CAGED | Canônica oficial | Não ingerida neste estudo | 2025/2026 |
| INPI, BADEPI | Canônica de PI | Não ingerida neste estudo | 2000-2024 |
| SIMA, Sindmóveis, Sindusmobil, Intersind, Sindimol | Fontes territoriais institucionais | Definição dos seis territórios prioritários | Ver Seção 4.5 |
Fonte: Master do Observatório, aba 05_FONTES.
| Ano | Empresas | Produção (mi peças) | Faturamento (R$ bi) | Exportações (US$ mi) | Empregos (mil) |
|---|---|---|---|---|---|
| 2017 | 19.568 | 431,8 | 62,18 | 553,3 | 268,8 |
| 2018 | 18.967 | 435,8 | 67,02 | 633,5 | 268,2 |
| 2019 | 18.592 | 437,5 | 69,61 | 644,0 | 270,3 |
| 2020 | 18.088 | 431,6 | 71,45 | 628,1 | 266,2 |
| 2021 | 17.954 | 443,2 | 79,76 | 937,9 | 275,3* |
| 2022 | 19.300 | 402,6 | 76,90 | 830,7 | 268,6 |
| 2023 | 21.700 | 405,0 | 81,70 | 735,4 | 270,0 |
| 2024 | 22.300 | 439,9 | 91,60 | 763,0 | 282,7 |
| 2025 | 22.843 | 434,7 | 92,10 | 769,3 | 287,2 |
* O próprio Master sinaliza que o emprego de 2021 é "rotulado de forma potencialmente não comparável" na página histórica da ABIMÓVEL e não deve ser usado sem QA adicional.
Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor · https://abimovel.com/capa/dados-do-setor/ (Master, aba 22_SERIE_BRASIL).
Lidos de ponta a ponta (2017 a 2025), os cinco indicadores não se movem juntos: empresas ativas cresceram 16,7%, faturamento nominal cresceu 48,1%, exportações cresceram 39,0%, empregos cresceram 6,8% e a produção física cresceu apenas 0,7%, praticamente estável em oito anos. Isso significa que o setor hoje tem mais empresas ativas e mais faturamento nominal do que em 2017, produzindo essencialmente a mesma quantidade física de peças. O número de empresas ativas também não é monotônico: caiu de 19.568 (2017) para um piso de 17.954 (2021) e depois subiu 27,2% até 2025, um movimento de reconfiguração setorial que, com os dados disponíveis, não pode ser atribuído a uma causa única.
No recorte mais recente, 2024 para 2025, a produção física recuou 1,2% (de 439,9 para 434,7 milhões de peças) enquanto o faturamento nominal avançou 0,5% (de R$ 91,6 para R$ 92,1 bilhões). Como já registrado no Panorama Executivo, esse contraste não deve ser lido como ganho de produtividade ou de valor agregado sem decomposição de preço, mix de produto e estrutura de custos, decomposição que este pacote não contém (ver Seção 5 e Seção 9). Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025.
| UF | 2023 (US$ mil) | 2024 (US$ mil) | 2025 (US$ mil) | Variação 24→25 | Participação 2025 | CAGR 23→25 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Santa Catarina | 250.376 | 248.903 | 255.084 | +2,5% | 33,2% | +0,9% |
| Rio Grande do Sul | 229.798 | 250.065 | 242.865 | -2,9% | 31,6% | +2,8% |
| Paraná | 118.700 | 130.601 | 143.804 | +10,1% | 18,7% | +10,1% |
| São Paulo | 102.614 | 103.777 | 102.796 | -0,9% | 13,4% | +0,1% |
| Minas Gerais | 15.870 | 14.563 | 10.915 | -25,0% | 1,4% | -17,1% |
| Espírito Santo | 3.324 | 3.070 | 3.312 | +7,9% | 0,4% | -0,2% |
| Pernambuco | 3.030 | 3.071 | 3.198 | +4,1% | 0,4% | +2,7% |
| Bahia | 3.604 | 2.922 | 2.420 | -17,2% | 0,3% | -18,1% |
| Rio de Janeiro | 2.744 | 3.417 | 2.295 | -32,8% | 0,3% | -8,5% |
| Pará | 2.063 | 825 | 438 | -46,9% | 0,1% | -53,9% |
| Outros | 3.254 | 1.837 | 2.189 | +19,2% | 0,3% | -18,0% |
| Total | 735.376 | 763.052 | 769.317 | +0,8% | 100% | +2,3% |
Fonte: ABIMÓVEL/IEMI · https://abimovel.com/desaceleracao-no-2o-semestre-marcou-fechamento-de-2025-na-cadeia-de-moveis/ (Master, aba 07_EXPORT_ESTADOS). Recorte: móveis e colchões prontos; partes e assentos de aeronaves/automóveis excluídos.
Três leituras decorrem diretamente da tabela, sem inferência adicional:
| Destino | Participação 2025 | Grupo | Leitura publicada |
|---|---|---|---|
| Estados Unidos | 23,5% | América do Norte | Maior destino; concentração relevante |
| Uruguai | 12,1% | América do Sul | Segundo maior destino |
| Chile | 7,4% | América do Sul | Terceiro maior destino |
| Argentina | 5,9% | América do Sul | Top 5 em 2025 |
| Paraguai | 5,7% | América do Sul | Top 5 em 2025 |
Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025 · https://abimovel.com/capa/dados-do-setor/ (Master, aba 08_DESTINOS).
Somados, os quatro destinos sul-americanos do Top 5 (Uruguai, Chile, Argentina, Paraguai) já representam 31,1% do valor exportado em 2025, mais do que a participação isolada dos Estados Unidos (23,5%). Isso é compatível com a hipótese em teste no Observatório de uma internacionalização mais latino-americana do móvel brasileiro, mas não a confirma: a tabela publicada cobre apenas os cinco maiores destinos de um único ano (2025), que juntos somam 54,6% do valor total exportado, deixando 45,4% do valor em destinos não detalhados nesta base. Não há, neste pacote, uma série por país para 2023 e 2024 que permita afirmar que a participação sul-americana está crescendo ao longo do tempo; existe apenas a fotografia de um ano. A confirmação ou rejeição da hipótese depende da série canônica do Comex Stat por país, produto e UF, incluindo concentração Top 1/3/5 e HHI, tal como o próprio Master já registra.
| Território | UF | Recorte conhecido | Hipótese de leitura | Pendência metodológica |
|---|---|---|---|---|
| Arapongas / Norte PR | PR | Arapongas + território SIMA de 41 municípios | Escala e mercado nacional | Normalização CEMPRE/RAIS pendente; números institucionais de universos distintos (GAP-GEO-008) |
| Bento Gonçalves / Serra | RS | Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira, Santa Tereza | Ecossistema, marca e design | Perímetro institucional bem definido, mas ainda sem normalização CEMPRE/RAIS |
| São Bento do Sul / Planalto Norte | SC | São Bento do Sul, Campo Alegre, Rio Negrinho | Tradição exportadora | Separar núcleo CNAE 31 da cadeia madeira ampliada |
| Ubá / Zona da Mata | MG | Ubá + território Intersind | Densidade regional de fabricantes | Comparar município x polo de 22 municípios |
| Linhares / Norte ES | ES | Linhares + região de influência | Polo regional com fabricantes seriados | Fotografia estatística recente e homogênea ainda não localizada (GAP-GEO-009) |
| Votuporanga / Noroeste SP | SP | A delimitar | Cluster paulista a redimensionar | Perímetro final em investigação |
Fonte: Master do Observatório, aba 11_POLOS, a partir de SIMA, Sindmóveis, Sindusmobil, Intersind e Sindimol.
Nenhum desses seis territórios tem, neste pacote, produção física, faturamento ou emprego próprios e verificados: o que existe é a hipótese de leitura registrada pela entidade institucional de cada polo, mais a UF em que ele está localizado. Não é possível, a partir dos dados disponíveis, atribuir a um polo específico a variação de exportação da UF onde ele está (por exemplo, não é possível dizer que a queda de exportação de Minas Gerais é "a queda de Ubá"; ver Seção 3.3 e Seção 5).
Como leitura complementar e explicitamente não representativa, a distribuição geográfica das 117 empresas/marcas do radar comercial do Observatório mostra a seguinte concentração por UF: Rio Grande do Sul (49 entradas, 41,9% da lista), Paraná (20, 17,1%), Santa Catarina (19, 16,2%), Espírito Santo (10, 8,5%), Minas Gerais (8, 6,8%), São Paulo (7, 6,0%) e Rio de Janeiro (1, 0,9%). Fonte: Master do Observatório, aba 12_EMPRESAS_RADAR. Como a lista foi construída a partir dos próprios polos, entidades e feiras aqui descritos, essa distribuição não deve ser lida como confirmação independente da geografia produtiva (ver Seção 5).
A Divisão 31 da CNAE forma o núcleo estatístico do Observatório: móveis com predominância de madeira (31.01-2), de metal (31.02-1), de outros materiais (31.03-9) e colchões (31.04-7). A Prodlist-Indústria 2025 detalha essas quatro classes em 40 códigos operacionais, classificados pelo Observatório em:
Por material predominante entre os 40 códigos: 25 códigos referenciam madeira, 10 referenciam metal e 5 referenciam colchões (a categoria "outros materiais", como plástico, vime e bambu, aparece nos códigos mas está classificada no Master sob o material "Madeira" por proximidade funcional, uma convenção da própria tabela que deve ser lida com essa ressalva). Por função de mercado AMANO, a categoria mais numerosa é "Assentos" (15 dos 40 códigos), seguida de "Outros" (8), "Armazenamento" (4) e "Colchões" (4). Fonte: Master do Observatório, aba 04_PRODLIST31, a partir de IBGE/CONCLA, Prodlist-Indústria 2025.
O desenho industrial registrado no INPI, especialmente na Classe 06 de Locarno, está definido no catálogo de KPIs do Observatório como indicador experimental (DESIGN_DENS, densidade de desenhos Locarno por 100 empresas do núcleo), mas seu cálculo depende da integração entre a base BADEPI do INPI e o cadastro de empresas/território, integração listada como lacuna aberta (GAP-DESIGN-001, status "pendente extração"). Isso significa que, nesta versão do estudo, a pergunta "onde o Brasil desenha" não pode ser respondida com dado verificado, apenas registrada como uma linha de pesquisa ativa. Qualquer afirmação hoje sobre "polo mais criativo" ou "estado com mais design" não teria lastro no pacote e não é feita neste estudo.
Não existe, no catálogo de KPIs do Observatório, um indicador direto de "captura de valor" territorial; o conceito está reservado, de forma correta, para o estudo dedicado "Produzir não é capturar valor". O que este estudo pode oferecer, com os dados disponíveis, são apenas proxies parciais e não conclusivos:
Esta seção documenta tensões entre dados do próprio pacote, não opiniões. Cada contradição é seguida da causa mais provável, quando conhecida, e do gap correspondente quando não é possível resolvê-la com o dado disponível.
Faturamento sobe enquanto produção física cai, tanto no curto quanto no longo prazo. Entre 2024 e 2025, a produção recuou 1,2% e o faturamento nominal subiu 0,5%; entre 2017 e 2025, a produção cresceu apenas 0,7% no total do período enquanto o faturamento nominal cresceu 48,1%. Isso pode refletir inflação de preços, mudança de mix de produto para itens de maior valor unitário, ou os dois combinados; o pacote não contém uma série deflacionada nem decomposição de preço e mix que permita distinguir essas hipóteses. Ver GAP-MET-005 e a nota geral do Master de que "a série não deve ser confundida com crescimento real sem deflacionamento".
A série de empregos tem uma quebra de comparabilidade reconhecida pela própria fonte, mas embutida em uma série aparentemente contínua. A ABIMÓVEL sinaliza que o dado de emprego de 2021 (275,3 mil) é rotulado de forma potencialmente não comparável e não deve ser usado sem QA adicional, enquanto os demais anos da série (2017-2020, 2022-2025) não trazem essa mesma ressalva. Isso significa que qualquer leitura de tendência de emprego que atravesse 2021 sem tratamento específico corre risco metodológico. Fonte: Master, aba 22_SERIE_BRASIL, nota de comparabilidade.
Concentração agregada estável esconde realocação interna intensa. Os quatro maiores estados exportadores mantiveram, juntos, uma participação de aproximadamente 97% tanto em 2023 quanto em 2025, mas essa estabilidade agregada convive com crescimento de dois dígitos no Paraná (CAGR +10,1%) e quedas de dois dígitos em Minas Gerais (-17,1%) e Pará (-53,9%). Uma leitura que olhasse apenas para o número agregado ("a concentração no topo não mudou") esconderia a movimentação real dentro do próprio topo e nas margens.
O polo descrito como de maior densidade fabril entre os territórios monitorados está na UF com a pior trajetória exportadora entre os quatro maiores estados historicamente relevantes. O Master descreve o polo de Ubá / Zona da Mata (MG) com a hipótese de leitura "densidade regional de fabricantes". No mesmo período, Minas Gerais, a UF onde esse polo está localizado, teve a segunda pior variação de exportação entre todos os estados nomeados (-25,0% de 2024 para 2025) e a pior CAGR entre os estados historicamente relevantes na série 2023-2025 (-17,1%), atrás apenas do Pará. Isso não permite concluir que Ubá "produz sem exportar": por regra de método (Seção 3.3), UF produtora não é o mesmo que polo, e a exportação de Minas Gerais pode ser dominada por empresas fora do polo de Ubá, ou pelo contrário. A tensão é real nos dados publicados, mas sua causa exige desagregação municipal/polo que este pacote não tem; é exatamente a pergunta que o estudo dedicado "Produzir não é capturar valor" precisa responder com rigor, não uma conclusão deste estudo.
A distribuição geográfica do radar de empresas não é uma confirmação independente da concentração territorial. A lista de 117 empresas tem 41,9% de suas entradas no Rio Grande do Sul e mais 17,1% e 16,2% no Paraná e em Santa Catarina, respectivamente, ranking muito parecido com o dos territórios prioritários definidos pelo próprio Observatório. Isso é esperado e não é evidência adicional, porque a lista foi curada a partir desses mesmos polos e entidades territoriais (Seção 3.5); citar essa coincidência como "confirmação" seria um erro de circularidade metodológica.
A hipótese central do Observatório sobre latino-americanização roda à frente do dado disponível. O Panorama Executivo já registra essa hipótese como "em teste", e este estudo confirma, com o detalhamento da Seção 4.4, que ela hoje só pode ser sustentada por uma leitura de corte único (2025) e por informação parcial (Top 5 de destinos, 54,6% do valor total), não por uma série temporal por país. A tese é razoável e vale a pena investigar, mas tratá-la como tendência comprovada nesta fase seria ir além do que os dados publicados permitem.
Esta seção descreve o que cada peça visual mostraria e com qual dado seria construída; nenhuma imagem é gerada nesta versão do estudo. Cada item indica se é construível agora com o dado deste pacote ou se depende de ingestão futura.
1. Mapa coroplético do Brasil por UF exportadora, 2025. Unidades federativas coloridas por participação no valor exportado de móveis e colchões prontos (Seção 4.3), com rótulo de valor absoluto e variação 2024→2025. Evidenciaria visualmente a concentração no Sul/Sudeste (SC, RS, PR, SP) e o vazio nas demais regiões. Construível agora com 07_EXPORT_ESTADOS.
2. Série de duplo eixo, 2017-2025: faturamento nominal x produção física. Duas linhas (faturamento em R$ bi à esquerda, peças produzidas em milhões à direita) sobre o mesmo eixo do tempo, com marcação visual explícita da nota de comparabilidade de 2021 (emprego, não faturamento/produção, mas mantida como anotação de contexto) e uma marcação separada, em nota de rodapé do gráfico, de que a ruptura metodológica da PIA a partir de 2024 não afeta diretamente esta série (que é ABIMÓVEL/IEMI, não PIA) mas deve constar como referência cruzada obrigatória sempre que a PIA for citada ao lado. Evidenciaria a divergência descrita na Seção 4.2 e 5. Construível agora com 22_SERIE_BRASIL.
3. Gráfico de barras "corrida estadual", 2023 a 2025. Barras agrupadas por UF (as dez UFs nomeadas mais "Outros"), uma barra por ano, com anotação de CAGR 2023-2025 ao lado de cada estado. Evidenciaria o contraste entre a estabilidade dos três maiores e o colapso de Pará, Bahia e Rio de Janeiro. Construível agora com 07_EXPORT_ESTADOS.
4. Gráfico de participação por destino, 2025, com bloco agregado. Cinco fatias nomeadas (Estados Unidos, Uruguai, Chile, Argentina, Paraguai) mais uma fatia "demais destinos" de 45,4%, com uma anotação separada somando o bloco sul-americano nomeado (31,1%) versus os Estados Unidos (23,5%), rotulada explicitamente como "leitura de um único ano, não tendência". Construível agora com 08_DESTINOS, com a ressalva de rótulo obrigatória descrita na Seção 4.4.
5. Mapa dos seis territórios prioritários. Marcadores aproximados sobre os seis polos da Seção 4.5, com um ícone de status de normalização (concluído / pendente CEMPRE-RAIS / em pesquisa) e, como camada opcional e claramente rotulada como não representativa, o número de entradas do radar comercial por UF. Este mapa não deve, em nenhuma versão, usar tamanho de bolha para sugerir "importância econômica" do polo, porque essa magnitude não está medida neste pacote. Construível agora, com rótulo de ressalva obrigatório na camada do radar.
6. Quadrante "Escala Industrial x Internacionalização" por polo. Eixo X de escala industrial (proxy ainda a definir: número de empresas ou emprego por polo) e eixo Y de internacionalização (proxy: participação exportadora da UF, ou idealmente do polo). Este é o gráfico-conceito do estudo "Produzir não é capturar valor" e não é construível agora: depende de CEMPRE/RAIS por município e de uma regra clara de atribuição de exportação a polo, nenhuma das duas disponível neste pacote (GAP-DATA-001, GAP-GEO-001).
7. Mapa de densidade de desenho industrial (Locarno 06) por território. Coroplético ou mapa de bolhas com desenhos industriais registrados por território, cruzados com número de empresas locais (indicador DESIGN_DENS). Não é construível agora: depende da integração BADEPI/território ainda pendente (GAP-DESIGN-001).
As implicações abaixo são organizadas pelas seis frentes de atuação já definidas no Plano Mestre do Observatório (Ofício, Essência, Conexões, Inteligência, Conteúdo, Experiência), e cada uma é amarrada a um dado específico desta versão, não a uma leitura genérica de mercado.
Inteligência. A queda de 6,9% nas exportações entre janeiro e maio de 2026 ainda não tem decomposição territorial neste pacote (Seção 9). Antes de qualquer leitura de causa (câmbio, demanda externa, tarifa, capacidade), a prioridade operacional imediata é ingerir o Comex Stat 2026 por UF e por país para saber se a queda é generalizada ou concentrada em um ou dois estados, o que mudaria completamente a leitura estratégica. Da mesma forma, a hipótese de latino-americanização (Seção 4.4) precisa de série multianual por país antes de orientar qualquer decisão comercial de expansão regional.
Ofício e Essência. A divergência entre faturamento nominal em alta e produção física estagnada (Seção 4.2 e 5) é um alerta editorial e estratégico: qualquer comunicação, interna ou de mercado, que celebre "crescimento do setor" a partir do faturamento nominal precisa, no mínimo, qualificar que a produção física não acompanha esse movimento. Para empresas e para o próprio Observatório, isso sugere que a agenda de pesquisa sobre mix de produto, preço e produtividade (já registrada no Panorama) é hoje mais urgente do que uma narrativa de expansão.
Conexões e Conteúdo. A concentração de 96,8% do valor exportado em quatro estados (SC, RS, PR, SP) significa que qualquer estratégia de relacionamento internacional, especificação ou conteúdo editorial sobre exportação brasileira de móveis tem, hoje, um território natural de partida bem definido. Ao mesmo tempo, a trajetória do Paraná (única UF grande em crescimento consistente) sugere que esse território de partida está mudando de composição interna, e que ignorar essa mudança em favor de uma narrativa fixa sobre "os três estados do Sul" já estaria desatualizado em relação ao próprio dado de 2025.
Risco regional como sinal, não como diagnóstico. Estados com queda acentuada de exportação (Minas Gerais, Pará, Bahia, Rio de Janeiro) merecem investigação qualitativa de campo antes de qualquer leitura pública de declínio estrutural, porque o dado agregado por UF pode esconder heterogeneidade de polo e de município (Seção 3.3 e 5). Uma leitura editorial apressada de "Minas Gerais em declínio" seria metodologicamente frágil sem desagregação por polo.
Design. Enquanto o indicador DESIGN_DENS não for calculado (Seção 4.7), o Observatório e a AMANO devem evitar qualquer afirmação editorial ou comercial que hierarquize territórios por "vocação de design" ou "polo mais criativo". A frente Essência da casa pode continuar operando com curadoria qualitativa, mas não deve se apoiar em um indicador quantitativo que ainda não existe.
Todas as afirmações desta seção são hipóteses comerciais explícitas, não diagnósticos. Nenhuma delas deve ser comunicada como conclusão sem validação qualitativa adicional (contato, visita de campo, entrevista), conforme a regra do Observatório de que nenhuma hipótese de white space é tratada como diagnóstico sem evidência.
H1. Minas Gerais / Ubá como possível caso de "escala sem captura internacional equivalente". O estado combina, na leitura institucional do próprio Master, a hipótese de "densidade regional de fabricantes" (polo de Ubá) com a pior trajetória exportadora entre as UFs historicamente relevantes na série 2023-2025 (CAGR de -17,1%). Se essa combinação se confirmar, no nível do polo e não apenas da UF, ela seria um caso de manual para o estudo "Produzir não é capturar valor". Hoje, é apenas uma hipótese a validar com dados municipais/de polo que este pacote não contém.
H2. Paraná como eixo de valor exportável ainda sem narrativa de marca proporcional. O Paraná é a única UF grande com crescimento consistente de exportação no período (CAGR +10,1%, maior variação 2024-2025 entre os quatro maiores estados), mas o radar comercial do Observatório tem, proporcionalmente, menos presença associada a esse estado (17,1% das 117 entradas) do que ao Rio Grande do Sul (41,9%), historicamente mais associado a marca, design e eventos do setor. A hipótese é que exista, no Paraná, competência industrial em expansão ainda não convertida, proporcionalmente, em construção de marca, design ou especificação, o que a Agenda já reservou para o estudo "Paraná: nova potência exportadora?".
H3. Bloco sul-americano de destinos como possível redesenho de rota comercial. A soma das quatro maiores participações sul-americanas do Top 5 de destinos em 2025 (31,1%) já supera a participação isolada dos Estados Unidos (23,5%). Isso pode indicar uma reorientação comercial em curso, mas, como já registrado na Seção 4.4 e 5, é uma leitura de um único ano e não uma tendência comprovada. A hipótese central da Agenda ("A Latino-americanização do Móvel Brasileiro") existe exatamente para testar isso com rigor multianual antes de qualquer comunicação comercial sobre "nova geografia de exportação".
H4. Linhares / Norte ES como possível "polo invisível" nas bases nacionais atuais. O Master descreve esse território com a hipótese de "polo regional com fabricantes seriados", mas reconhece explicitamente (GAP-GEO-009) que não há fotografia estatística recente e homogênea localizada para ele. Se a hipótese institucional do Sindimol se confirmar com dados RAIS/CEMPRE, Linhares pode ser um território relevante hoje subrrepresentado na conversa nacional sobre o setor, precisamente por falta de dado, não por falta de escala. Essa é uma hipótese que só a reconstrução de dados (já listada como pendência no próprio Master, "reconstrução recente e uniforme de Linhares e de outros polos emergentes") pode resolver.
Esta seção reúne, de forma explícita, tudo o que os dados disponíveis não permitem responder com rigor nesta versão do estudo, cada item referenciado ao registro correspondente de lacuna (10_GAPS) quando aplicável.
Fonte: Master do Observatório, aba 10_GAPS, "Lacuna é dado: nada é ocultado por falta de informação".
01_STATUS_FASES, 03_ESCOPO_TAXONOMIA, 04_PRODLIST31, 05_FONTES, 06_KPIS, 07_EXPORT_ESTADOS, 08_DESTINOS, 09_MODELO_DADOS, 10_GAPS, 11_POLOS, 12_EMPRESAS_RADAR, 21_MOVELSUL_ALVOS, 22_SERIE_BRASIL).Ver Seção 4.1. Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor · Master, aba 22_SERIE_BRASIL.
Ver Seção 4.3. Fonte: ABIMÓVEL/IEMI · Master, aba 07_EXPORT_ESTADOS.
Ver Seção 4.4. Fonte: ABIMÓVEL, Dados do Setor 2025 · Master, aba 08_DESTINOS.
Ver Seção 4.5. Fonte: Master, aba 11_POLOS.
| Classe CNAE | Descrição | Códigos Prodlist |
|---|---|---|
| 31.01-2 | Fabricação de móveis com predominância de madeira | 15 |
| 31.02-1 | Fabricação de móveis com predominância de metal | 10 |
| 31.03-9 | Fabricação de móveis de outros materiais, exceto madeira e metal | 10 |
| 31.04-7 | Fabricação de colchões | 5 |
| Total | 40 códigos operacionais (29 bens acabados, 7 partes/componentes, 4 serviços) |
Fonte: Master, aba 04_PRODLIST31, a partir de IBGE/CONCLA, Prodlist-Indústria 2025.
RS: 49 (41,9%) · PR: 20 (17,1%) · SC: 19 (16,2%) · ES: 10 (8,5%) · MG: 8 (6,8%) · SP: 7 (6,0%) · RJ: 1 (0,9%) · sem UF registrada: 3 (2,6%).
Fonte: Master, aba 12_EMPRESAS_RADAR. Ver ressalva de circularidade na Seção 3.5 e Seção 5.
Regra de publicação do Observatório, mantida integralmente neste estudo: gap não é escondido, estimado ou preenchido com fonte mais fraca quando a base canônica não está disponível. O Observatório explicita o que sabe, o que ainda não sabe e o que precisa ser atualizado.