números do comércio · janeiro a julho de 2026 · Comex Stat MDIC e SECEX
O Brasil vende matéria para a China e compra projeto de volta.
Nos sete primeiros meses de 2026 o Brasil embarcou US$ 69,03 bi para a China e trouxe US$ 44,96 bi de volta. O saldo é favorável em US$ 24,06 bi. A frase que fecha a conta não está no saldo, está no preço: a mesma pedra brasileira sai a US$ 288 por tonelada quando vai para a China e a US$ 1344 quando vai para os Estados Unidos.
Essa diferença não é geológica. É a diferença entre vender bloco e vender chapa acabada, e ela se repete, com outros nomes, em cada linha desta página.
período
janeiro a julho de 2026
fonte
Comex Stat, MDIC e SECEX, base atualizada em 6 de agosto de 2026, consulta em 12 de agosto de 2026
estado
dado primário
Nota metodológica · os quatro minigráficos acima percorrem 2023, 2024, 2025 e o parcial de 2026. O último ponto de cada um cobre sete meses, não doze, e por isso os minigráficos servem para ler direção, nunca magnitude.
a trajetória
Quatro anos, duas curvas que não se encontram
A linha cheia liga anos fechados. O trecho tracejado leva ao parcial de 2026, que cobre sete meses. Comparar a altura do último ponto com a dos anteriores é o erro mais fácil de cometer nesta página, e é por isso que ele está tracejado.
a importação subiu todo ano. a exportação oscilou.
comércio Brasil e China · US$ bilhões · 2023 a 2026
A leitura. Entre 2023 e 2025 a importação brasileira vinda da China subiu de US$ 53,18 para US$ 70,92 bilhões, um avanço contínuo. A exportação caiu em 2024 e só voltou a subir em 2025, sem recuperar o patamar de 2023. O saldo brasileiro encolheu de US$ 51,15 para US$ 29,02 bilhões no mesmo intervalo.
A ressalva. O ponto de 2026 é de sete meses. Ele não indica queda: indica que o ano não terminou.
a dependência da China cresceu, e o parcial de 2026 é o ponto mais alto.
participação da China no total exportado pelo Brasil · %
A leitura. A fatia caiu de 30,71% em 2023 para 28,00% em 2024, voltou a 28,70% em 2025 e está em 31,58% no parcial de 2026. Uma economia que manda quase um terço do que exporta para um único destino tem uma exposição que não é possível diversificar no curto prazo.
a concentração
De um lado três produtos, do outro uma indústria inteira
três produtos brasileiros valem 76,96% da pauta. os três primeiros chineses valem 12,43%.
concentração das dez primeiras posições de cada lado · jan a jul de 2026
A leitura. Soja, petróleo e minério de ferro respondem por 76,96% de tudo que o Brasil manda para a China. Do lado chinês, as três maiores posições somam 12,43%, e as dez maiores não chegam a 20,48%. Não é que a China venda pouco de cada coisa: é que ela vende muitas coisas diferentes. Concentração de um lado, diversidade do outro. Essa assimetria é a estrutura da relação, não um acidente do período.
a carteira
Os setores que interessam à amano
Fora das commodities, o recorte que importa para arquitetura, material e casa. À esquerda, a fatia da China no que o Brasil vende. À direita, a fatia da China no que o Brasil compra.
a China compra a pedra bruta e ignora a beneficiada.
fatia da China no total exportado pelo Brasil, por NCM
A leitura. 87,00% do granito bruto brasileiro vai para a China. Da rocha já trabalhada, 0,90%. O revestimento cerâmico marca zero absoluto: não é ausência de dado, é venda que não existiu, contra US$ 221,1 milhões vendidos ao resto do mundo no mesmo período.
na volta, a China é quase o único fornecedor.
fatia da China no total importado pelo Brasil, por NCM
A leitura. Louça sanitária 91,96%, luminária 81,85%, vidro decorativo 67,10%. Em três das categorias mais visíveis de um projeto de interiores, a origem chinesa deixou de ser uma opção e virou o padrão.
| Setor | Valor | Fatia da China | Variação | Leitura |
|---|---|---|---|---|
| o que o Brasil vende | ||||
| Granito e pedra bruta NCM 2516 | US$ 102,2 mi | 87,00% | +30,20% | a China compra 87% de todo o granito bruto exportado pelo Brasil |
| Quartzito NCM 2506 | US$ 58,6 mi | 53,30% | +72,80% | saltou de 39,6% para 53,3% de participação em um ano |
| Rocha trabalhada NCM 6802 | US$ 3,5 mi | 0,90% | -26,40% | menos de 1% da pedra beneficiada; a relação é de extração |
| Revestimento cerâmico NCM 6907 | US$ 0 | 0,00% | — | zero absoluto, contra US$ 221,1 milhões vendidos ao resto do mundo |
| Madeira, capítulo NCM 44 | US$ 50,3 mi | 2,80% | -40,50% | o único setor da carteira em que a China recuou com força |
| Compensado NCM 4412 | US$ 3,8 mil | 0,00% | -84,40% | o produto de maior valor do capítulo não entra na China |
| o que o Brasil compra | ||||
| Louças sanitárias NCM 6910 | US$ 31,6 mi | 91,96% | +30,70% | peso importado subiu 64,7% contra valor de 30,7%: entrou produto mais barato |
| Luminárias NCM 9405 | US$ 192,0 mi | 81,85% | +7,10% | monopólio de origem já consolidado |
| Vidro de mesa e decoração NCM 7013 | US$ 86,4 mi | 67,10% | +9,10% | dois terços da oferta importada |
| Vidro de segurança NCM 7007 | US$ 30,9 mi | 61,20% | +29,60% | saltou de 51,7% para 61,2% em um ano |
| Outros móveis NCM 9403 | US$ 63,6 mi | 56,91% | +65,30% | o setor da carteira que muda mais rápido agora |
| Assentos NCM 9401 | US$ 197,3 mi | 43,10% | +42,80% | |
| Obras de pedra NCM 68 | US$ 173,0 mi | 47,80% | — | o Brasil vende bloco e compra pedra trabalhada |
| Torneiras e válvulas NCM 8481 | US$ 300,3 mi | 24,30% | +4,10% | a exportação brasileira no mesmo item caiu 78,8% |
| Tintas NCM 3208 | US$ 12,7 mi | 15,00% | +4,00% | o setor mais equilibrado da carteira, razão de 3,5 para 1 |
Nota metodológica · zero em revestimento cerâmico é zero medido, não ausência de dado. A distinção importa: o observatório usa estado não localizado quando a informação não foi encontrada, e só escreve zero quando a fonte registra zero. Compensado aparece com US$ 3,8 mil, valor real e minúsculo, arredondado para US$ 0,0 milhões em qualquer tabela em milhões. Por isso ele aparece aqui em milhares.
o preço
O mesmo produto, dois preços, dois papéis
Pedra ornamental brasileira, janeiro a julho de 2026. A China leva quase o dobro do volume que os Estados Unidos levam, e paga menos de um quarto por tonelada.
preço médio por tonelada.
pedra ornamental exportada pelo Brasil · US$ por tonelada
volume embarcado.
pedra ornamental exportada pelo Brasil · mil toneladas
O que os dois gráficos dizem juntos. A China é o maior comprador em peso e um dos menores em valor por tonelada. Os Estados Unidos são o contrário. A China compra bloco para serrar em casa; os Estados Unidos compram chapa pronta. O valor que a China não paga na tonelada é exatamente o valor que a indústria chinesa captura ao beneficiar. Enquanto a pedra brasileira sair como bloco, a diferença entre US$ 288 e US$ 1344 continuará sendo receita de outro país.
A contrapartida honesta. O volume embarcado para a China cresceu 31,30% no período, e o embarcado para os Estados Unidos caiu 14,40%. Quem defende o eixo chinês tem um argumento real: é o mercado que está crescendo. A discussão não é se vender para a China, é em que estágio da cadeia vender.
Nota metodológica · a ABIROCHAS publica para o mesmo período um total de US$ 705,0 milhões e um preço médio China de US$ 283 por tonelada, contra os US$ 288 calculados a partir do Comex Stat. A divergência vem do recorte de NCM de cada levantamento. Nenhum dos dois foi descartado: os dois estão registrados, e a diferença de US$ 5 por tonelada é a margem de incerteza declarada deste indicador.
o investimento
US$ 6,10 bilhões confirmados, e quase nada em cadeia criativa
O investimento chinês anunciado no Brasil em 2025 somou US$ 6,10 bilhões em 52 projetos, alta de 45% em valor e 33% em número de projetos. A distribuição setorial diz para onde esse dinheiro vai, e não é para a indústria da casa.
energia, mineração e mobilidade elétrica levam 74,30% do valor confirmado.
investimento chinês confirmado no Brasil em 2025 · % do valor
A ausência que importa. Não há linha de mobiliário, material de acabamento, iluminação ou varejo de casa nesta distribuição. O capital chinês entra no Brasil pela infraestrutura e pela energia, não pela cadeia que o observatório acompanha. Isso significa que a relação nessa cadeia continua sendo comercial, e não societária: importa-se produto, não se instala fábrica.
forma de entrada
60,90% greenfield
Contra 31,70% em fusões e aquisições e 7,40% em joint ventures. A maior parte é projeto novo, não compra de ativo existente.
efetivação
54% se efetivam
Do acumulado histórico de US$ 85,50 bilhões em 355 projetos, pouco mais da metade virou operação. Anúncio não é investimento.
dispersão
20 estados
O capital chinês está presente em vinte unidades da federação. É mais disperso geograficamente do que a nossa base de empresas chinesas é dentro da China.
as pautas
As dez primeiras posições de cada lado
O que o Brasil vendeu
| # | Produto | Valor | Fatia | Var. |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Soja NCM 12019000 | US$ 24,36 bi | 35,29% | +6,80% |
| 2 | Óleos brutos de petróleo NCM 27090010 | US$ 18,06 bi | 26,16% | +59,90% |
| 3 | Minério de ferro NCM 26011100 | US$ 10,71 bi | 15,52% | +5,60% |
| 4 | Carne bovina congelada NCM 02023000 | US$ 5,34 bi | 7,74% | +31,00% |
| 5 | Pasta química de madeira NCM 47032900 | US$ 2,23 bi | 3,23% | -6,50% |
| 6 | Ferro-nióbio NCM 72029300 | US$ 813,4 mi | 1,18% | +11,80% |
| 7 | Pasta para dissolução NCM 47020000 | US$ 643,4 mi | 0,93% | +42,00% |
| 8 | Algodão NCM 52010020 | US$ 615,0 mi | 0,89% | +145,40% |
| 9 | Sulfetos de cobre NCM 26030010 | US$ 559,9 mi | 0,81% | +34,80% |
| 10 | Asas de galinha NCM 02071413 | US$ 554,0 mi | 0,80% | +101,80% |
O que o Brasil comprou
| # | Produto | Valor | Fatia | Var. |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Veículos híbridos NCM 87036000 | US$ 2,79 bi | 6,22% | +99,30% |
| 2 | Veículos elétricos NCM 87038000 | US$ 2,04 bi | 4,54% | +321,10% |
| 3 | Suportes gravados NCM 85249100 | US$ 754,0 mi | 1,68% | -14,50% |
| 4 | Partes de telefone NCM 85177900 | US$ 700,0 mi | 1,56% | +0,20% |
| 5 | Células fotovoltaicas NCM 85414300 | US$ 589,0 mi | 1,31% | -38,30% |
| 6 | Sulfato de amônio NCM 31022100 | US$ 562,0 mi | 1,25% | +25,50% |
| 7 | Outros híbridos NCM 87034000 | US$ 539,0 mi | 1,20% | +219,70% |
| 8 | Herbicidas NCM 38089329 | US$ 433,0 mi | 0,96% | +11,80% |
| 9 | Baterias de lítio NCM 85076000 | US$ 432,0 mi | 0,96% | +60,20% |
| 10 | Pneus NCM 40111000 | US$ 362,0 mi | 0,81% | +34,50% |
A leitura das duas tabelas lado a lado. Na coluna da esquerda, oito das dez posições são produto primário. Na direita, sete das dez são manufatura de alta complexidade, e as duas primeiras são veículos: híbridos com alta de 99,3% e elétricos com alta de 321,1%. Móveis, no capítulo 94 inteiro, fecham a conta mais dura desta página: o Brasil importou US$ 556,8 milhões e exportou US$ 570,3 mil. A razão é de 976 para 1.
método
De onde vem cada número desta página
Todos os valores de comércio vêm do Comex Stat, sistema do MDIC e da SECEX, base atualizada em 6 de agosto de 2026, consulta em 12 de agosto de 2026. Nenhum número foi estimado, projetado ou rateado. Quando a fonte não desagrega, a página diz que a fonte não desagrega, e não distribui o valor por conta própria.
As fatias percentuais são calculadas sobre o total brasileiro do mesmo NCM e do mesmo período, nunca sobre o total do capítulo. Um percentual só é comparável a outro quando o denominador é o mesmo, e por isso o denominador está declarado em cada legenda.
Sobre a série de quatro anos. Três pontos são de anos fechados e um é de sete meses. A alternativa seria omitir 2026, o que esconderia a informação mais recente, ou anualizar o parcial, o que inventaria cinco meses que ainda não aconteceram. A terceira via, adotada aqui, é mostrar o parcial e marcá-lo no desenho: traço interrompido, legenda de eixo declarando o recorte, e nota em cada gráfico.
Nota metodológica · a diferença entre o preço médio calculado a partir do Comex Stat e o publicado pela ABIROCHAS está registrada na seção do preço e não foi resolvida escolhendo uma das fontes. Divergência entre fontes primárias é informação, não erro a ser escondido.
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