série · léxico · antes chamada China Word of the Week
Não dá para ler a China com o vocabulário do Brasil.
72 termos que aparecem o tempo todo em relatório setorial chinês, em briefing de marca e em conversa de feira, e que não têm tradução direta. 情绪价值 não é "valor emocional" do jeito que o marketing brasileiro usa. 国潮 não é nacionalismo. 新中式 não é estilo oriental.
Este léxico é a série mais antiga do observatório e a que mais precisava sair do formato de artigo. Verbete não é post: ele se consulta, não se lê de cabo a rabo. Por isso ele virou índice filtrável, com o estado de cada termo declarado.
estado da série
o que é ficha
Termo com pinyin, tradução, território, estágio de adoção e nível de evidência registrados na base. Falta o texto das três leituras.
Nota metodológica · três entradas estavam duplicadas na base, porque o artigo redigido e a pauta do mesmo termo tinham registros separados. 情绪价值, 国潮 e 新中式 foram fundidos. Em 13 de agosto de 2026 o léxico incorporou vinte verbetes redigidos, edições 33 a 52, dos quais dezenove eram termos novos: o léxico passou de 53 para 72 termos e de 3 para 72 verbetes escritos. Dois dos novos não têm tradução registrada na fonte e aparecem assim, sem tradução inventada.
o léxico
Os 72 termos
Ordenados por estado: primeiro os escritos, depois os que têm ficha, depois a pauta. Busque por caractere, por pinyin, por tradução ou por território.
verbetes escritos
Como um verbete fica quando está pronto
Cada verbete escrito traz explicação, caso, as três leituras e uma camada de ação. São 72 de 72 termos. Os seis primeiros aparecem abertos; os outros 66 estão listados abaixo e seguem a mesma estrutura.
verbete escrito · evidência 39
存量焕新
Cúnliàng huànxīn
renovação do estoque existente
Com o mercado imobiliário chinês em transformação — menos construção nova, mais atenção ao existente — o "存量焕新" (renovação do estoque existente) emergiu como um dos principais motores do setor de arquitetura e design em 2026. O conceito é simples: em vez de construir novos prédio
território
Plataformas de IA chinesas, governo chinês
estágio do termo
não classificado
próxima validação
não definida
explicação
Com o mercado imobiliário chinês em transformação — menos construção nova, mais atenção ao existente — o "存量焕新" (renovação do estoque existente) emergiu como um dos principais motores do setor de arquitetura e design em 2026.
O conceito é simples: em vez de construir novos prédios, o foco está em renovar, reformar e requalificar o que já existe. Isso inclui desde a reforma de apartamentos antigos em centros urbanos até a conversão de fábricas desativadas em lofts, escritórios criativos e espaços culturais.
O governo chinês deu o impulso inicial com o conceito de "好房子" (boas casas) no relatório de trabalho de 2025, e o "十五五" (15º Plano Quinquenal) de 2026 consolidou a direção: "安全、舒适、绿色、智慧" (seguro, confortável, verde, inteligente).
caso
- A Feira de Construção de Guangzhou (广州建博会) de 2026 dedicou uma seção inteira ao "存量焕新", com empresas apresentando soluções para reformas rápidas e intervenções de baixo impacto
- O conceito de "轻量模式" (modelo leve) está redesenhando o mercado de reformas: em vez de obras longas e caras, soluções modulares e de rápida instalação
- Empresas de materiais de construção estão lançando linhas dedicadas à renovação, com produtos que não exigem quebra de paredes ou reformas estruturais
como a China lê
O "存量焕新" é uma resposta a três realidades: (1) o estoque imobiliário chinês é enorme — muitas cidades têm mais imóveis do que pessoas; (2) a população está envelhecendo — idosos precisam de adaptações em suas casas; (3) os jovens não querem mais casas grandes — preferem espaços menores, bem localizados e com design de qualidade. O mercado de construção nova está encolhendo, mas o mercado de reforma e requalificação está crescendo. É uma mudança de paradigma: de "construir mais" para "construir melhor".
como o Brasil lê
No Brasil, o "存量焕新" é uma realidade há décadas — cidades como São Paulo e Rio têm vasto estoque de imóveis antigos esperando reforma. Mas o que a China está fazendo é industrializar e escalar esse processo. Enquanto no Brasil a reforma ainda é vista como um problema (caro, demorado, burocrático), na China está sendo vista como uma oportunidade de negócio — com produtos, serviços e modelos de financiamento dedicados. A lição para o Brasil é: profissionalizar o mercado de reformas pode ser tão lucrativo quanto o mercado de construção nova.
como a amano lê
Oportunidade para o Brasil: O "存量焕新" chinês aponta para um novo mercado de serviços para arquitetos, designers e incorporadoras brasileiras. Se o Brasil seguir o mesmo caminho da China (e tudo indica que sim, dado o envelhecimento da população e a saturação do mercado imobiliário em grandes cidades), a demanda por soluções de reforma inteligentes vai explodir. Isso inclui: (1) design de interiores para reformas, (2) materiais de rápida instalação, (3) consultoria de acessibilidade e conforto, (4) gestão de obras de pequeno porte. Quem se preparar agora vai liderar esse mercado na próxima década.
---
camada de ação
- Quem deveria prestar atenção: Incorporadoras, arquitetura, materiais, reforma, móveis planejados.
- O que observar agora: Produtos e serviços para retrofit leve, reforma rápida e atualização de imóveis ocupados.
- Ação possível no Brasil: Criar oferta específica para renovação do estoque existente, separada do mercado de obra nova.
verbete escrito · evidência C1 + C4
反向海淘
Fǎnxiàng hǎitáo
compras no exterior reversas
O "反向海淘" (compras no exterior reversas) é um fenômeno que ganhou força em 2026 com a ampliação do visto-free para estrangeiros na China. Turistas estrangeiros estão chegando à China com malas vazias para voltar com produtos chineses — de eletrônicos a roupas, de cosméticos a iten
território
China Consumer · Digital China · China Cities
estágio do termo
CONSUMER / MEDIA TERM · emergente
próxima validação
não definida
explicação
O "反向海淘" (compras no exterior reversas) é um fenômeno que ganhou força em 2026 com a ampliação do visto-free para estrangeiros na China. Turistas estrangeiros estão chegando à China com malas vazias para voltar com produtos chineses — de eletrônicos a roupas, de cosméticos a itens de decoração.
Nas redes sociais estrangeiras, termos como "带着空箱子去中国" (viajar para a China com mala vazia), "必买清单" (lista de compras obrigatórias) e "离境退税指南" (guia de reembolso de impostos na saída) tornaram-se virais. O fenômeno é alimentado por três fatores: (1) a qualidade dos produtos chineses, que deixou de ser associada a "cópia barata"; (2) o preço competitivo mesmo com a valorização do renminbi; e (3) a exclusividade — muitos produtos disponíveis apenas no mercado chinês.
caso
- Shein e Temu já eram gigantes do e-commerce global, mas o "反向海淘" é diferente: é uma experiência física de compra, com curadoria, toque e prova
- Lojas de departamento como SKP em Pequim e MixC em Shenzhen criaram seções dedicadas a turistas estrangeiros com serviço de reembolso de impostos integrado
- Marcas de cosméticos chinesas como Florasis e Perfect Diary tornaram-se itens obrigatórios em listas de compras de turistas asiáticos e europeus
como a China lê
O "反向海淘" é um sintoma de uma mudança maior: a China deixou de ser apenas "fábrica do mundo" para ser também "vitrine do mundo". O país que por décadas exportou produtos agora atrai consumidores globais para comprar no local. É o reconhecimento de que a indústria chinesa não é mais apenas sobre volume, mas sobre design, inovação e qualidade. O governo chinês tem incentivado ativamente o turismo de compras como parte da estratégia de consumo doméstico.
como o Brasil lê
Para o brasileiro, a ideia de viajar para a China para fazer compras ainda parece distante — afinal, a distância e o custo da viagem são proibitivos. Mas o fenômeno revela algo importante: produtos chineses de qualidade estão disputando o mercado global não apenas por preço, mas por desejo. Marcas brasileiras que querem competir com a China precisam entender que o "feito na China" já não é mais um estigma — é, em muitos casos, um selo de qualidade e inovação.
como a amano lê
Oportunidade para o Brasil: O "反向海淘" aponta para uma nova geografia do consumo global. Se estrangeiros estão indo à China para comprar, isso significa que o consumo não é mais apenas digital — o contato físico com o produto e com a cultura do país de origem agrega valor. Para marcas brasileiras, isso sugere que investir em experiências de compra imersivas (seja no Brasil, seja em feiras internacionais) pode ser mais eficaz do que apenas vender online. A China está mostrando que o showrooming (experimentar na loja, comprar depois) está vivo e forte — e que a experiência de compra pode ser, ela mesma, um produto turístico.
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camada de ação
- Quem deveria prestar atenção: Varejo, marcas brasileiras com ambição internacional, turismo e shopping centers.
- O que observar agora: Produtos chineses que passam de compra por preço para compra por desejo e experiência física.
- Ação possível no Brasil: Revisar como showroom, loja e experiência de origem podem aumentar valor percebido.
verbete escrito · evidência C1 + C3
好房子
Hǎo fángzi
boa casa
O "好房子" (boa casa) é o conceito que está redefinindo o mercado imobiliário chinês. Introduzido no Relatório de Trabalho do Governo de 2025 e consolidado no "十五五" (15º Plano Quinquenal) de 2026, o "好房子" estabelece um novo padrão para habitação: "安全、舒适、绿色、智慧" (seguro, confortável,
território
China Home · China Cities · Material China · China Innovation
estágio do termo
POLICY / HOUSING TERM · estratégico
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não definida
explicação
O "好房子" (boa casa) é o conceito que está redefinindo o mercado imobiliário chinês. Introduzido no Relatório de Trabalho do Governo de 2025 e consolidado no "十五五" (15º Plano Quinquenal) de 2026, o "好房子" estabelece um novo padrão para habitação: "安全、舒适、绿色、智慧" (seguro, confortável, verde, inteligente).
O que isso significa na prática? Não se trata mais de metros quadrados — trata-se de qualidade. Uma "boa casa" não é a maior casa, mas a casa que cuidado: que é segura (estruturalmente e em termos de saúde), confortável (acústica, térmica, lumínica), verde (sustentável, com baixo consumo de energia) e inteligente (integrada, adaptativa, conectada).
caso
- O conceito de "好房子" está sendo usado como critério para novos projetos residenciais — e para a renovação de projetos existentes
- A indústria de materiais de construção está se alinhando ao padrão "好房子", desenvolvendo produtos que atendem aos quatro critérios
- O setor imobiliário está migrando de "vender apartamentos" para "vender qualidade de vida" — e o "好房子" é o selo dessa qualidade
como a China lê
O "好房子" é a resposta do governo chinês à crise de qualidade no mercado imobiliário. Após décadas de construção acelerada (muitas vezes com qualidade duvidosa), o governo está dizendo: "chega" . O futuro não é sobre construir mais, mas sobre construir melhor. É uma mudança de quantidade para qualidade — e é também uma oportunidade para a indústria se reinventar.
como o Brasil lê
O Brasil tem um déficit habitacional enorme — milhões de famílias sem moradia adequada. Mas o "好房子" chinês pergunta: adequada para quê? Não basta ter "um teto" — é preciso ter qualidade. O Brasil precisa pensar em padrões — não apenas de tamanho, mas de conforto, sustentabilidade e inteligência. A lição é: qualidade não é luxo — é direito. E o mercado pode (e deve) atendê-lo.
como a amano lê
Oportunidade para o Brasil: O "好房子" chinês é um padrão que pode ser adaptado ao Brasil. Os quatro pilares — seguro, confortável, verde, inteligente — são universais. Empresas brasileiras de construção, arquitetura, design e materiais que adotarem esse padrão proativamente estarão à frente da curva — não apenas para atender ao mercado chinês (que pode importar soluções), mas para liderar a transformação do mercado brasileiro. O "好房子" não é apenas uma política chinesa — é uma filosofia de design que pode (e deve) ser global.
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camada de ação
- Quem deveria prestar atenção: Incorporadoras, construtoras, arquitetura, materiais, smart home e políticas urbanas.
- O que observar agora: Conforto, segurança, sustentabilidade e inteligência como pacote integrado de qualidade.
- Ação possível no Brasil: Criar um checklist brasileiro de 'boa casa' aplicável a produto imobiliário e especificação.
verbete escrito · evidência C4
精神SPA
Jīngshén SPA
SPA espiritual
O "精神SPA" (SPA espiritual) é o termo que os chineses estão usando para descrever a terceira fase do turismo chinês. Se a primeira fase foi sobre "ver" (pontos turísticos), e a segunda sobre "fazer" (atividades), a terceira é sobre "ser" — uma experiência que transforma interiorme
território
China Hospitality · China Wellness · Contemporary Chinese Culture
estágio do termo
MEDIA / CONSUMER PHRASE · sinal cultural
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não definida
explicação
O "精神SPA" (SPA espiritual) é o termo que os chineses estão usando para descrever a terceira fase do turismo chinês. Se a primeira fase foi sobre "ver" (pontos turísticos), e a segunda sobre "fazer" (atividades), a terceira é sobre "ser" — uma experiência que transforma interiormente.
O "精神SPA" combina três elementos: "国潮旅拍" (fotografia de viagem com tema chinês contemporâneo), "中式康养" (bem-estar ao estilo chinês) e "乡村文旅" (turismo cultural rural). O turista não quer mais apenas "se impressionar" — quer "se conectar" : com a cultura, com a natureza, consigo mesmo.
caso
- O "China Travel 3.0" está sendo definido pelo "精神SPA" — turistas estrangeiros estão trocando os grandes centros urbanos por vilarejos rústicos, retiros espirituais e experiências culturais autênticas
- Destinos como Província de Yunnan (com suas minorias étnicas) e Província de Sichuan (com seus templos e montanhas) estão vendo aumento de turistas em busca de "精神SPA"
- Hotéis boutique estão oferecendo pacotes de "SPA espiritual" que incluem meditação, ioga, cerimônias do chá, caligrafia e outras práticas de conexão interior
como a China lê
O "精神SPA" reflete uma mudança profunda na psicologia do viajante chinês. Depois de anos de consumo materialista e turismo de "checklist" (visitar o máximo de lugares no menor tempo possível), os chineses estão descobrindo que a verdadeira viagem é a que muda quem você é. É uma resposta ao vazio do consumismo — uma busca por significado em um mundo de excessos.
como o Brasil lê
O Brasil, com sua diversidade cultural e natural, é um destino perfeito para "精神SPA" — mas precisa se posicionar como tal. O turista chinês em busca de "精神SPA" não quer uma "experiência turística" — quer uma jornada espiritual. Isso exige curadoria: guias que entendam de meditação, hospedagem que ofereça silêncio, atividades que promovam conexão. O Brasil tem o cenário — falta o script.
como a amano lê
Oportunidade para o Brasil: O "精神SPA" chinês é uma oportunidade de reposicionamento do turismo brasileiro. Em vez de vender "praias" ou "florestas", venda "jornadas de transformação" . Crie pacotes que combinem: (1) contato com a natureza (Amazônia, Pantanal, praias), (2) imersão cultural (ritmos, culinária, artesanato), (3) práticas de bem-estar (ioga, meditação, terapias), (4) silêncio e desconexão. O viajante chinês de "精神SPA" está disposto a pagar mais por uma experiência que o transforme. O Brasil pode oferecer isso — se projetar a experiência, não apenas deixar acontecer.
---
camada de ação
- Quem deveria prestar atenção: Destinos, resorts, cultura, turismo de natureza e wellness.
- O que observar agora: Linguagem de propósito, ritual, introspecção e desconexão na comunicação turística.
- Ação possível no Brasil: Testar uma narrativa de destino brasileiro centrada em transformação, sem reduzir cultura a exotismo.
verbete escrito · evidência 52
空间智能
Kōngjiān zhìnéng
inteligência espacial
O "空间智能" (inteligência espacial) é o próximo passo na evolução da automação residencial e predial na China. Não se trata mais de "单品智能" (inteligência de produto individual) — uma geladeira que avisa quando falta leite, ou uma lâmpada que acende quando você entra — mas de "空间智能" (
território
Lojas imersivas
estágio do termo
não classificado
próxima validação
não definida
explicação
O "空间智能" (inteligência espacial) é o próximo passo na evolução da automação residencial e predial na China. Não se trata mais de "单品智能" (inteligência de produto individual) — uma geladeira que avisa quando falta leite, ou uma lâmpada que acende quando você entra — mas de "空间智能" (inteligência do espaço como um todo).
O que é um "espaço inteligente"? É um ambiente onde todos os sistemas (iluminação, climatização, segurança, entretenimento, saúde) estão integrados e coordenados — e onde o espaço aprende com o usuário e se adapta automaticamente às suas necessidades e preferências.
caso
- A Feira de Construção de Guangzhou (广州建博会) de 2026 destacou a transição de "单品智能" para "空间智能" como uma das principais tendências
- Empresas de tecnologia estão lançando plataformas de "espaço inteligente" que integram dispositivos de diferentes marcas em um sistema único
- O setor imobiliário está começando a oferecer apartamentos "inteligentes por design" — onde a inteligência não é um "extra" mas parte fundamental do projeto arquitetônico
como a China lê
O "空间智能" é a aplicação prática do "数实融合" no ambiente construído. Não se trata mais de "colocar tecnologia na casa", mas de projetar a casa com tecnologia integrada desde o início. É uma mudança de paradigma: a tecnologia não é um acessório que se adiciona depois; é parte da estrutura do espaço. E, como tudo na China, está sendo feito em escala — não apenas para casas de luxo, mas para habitação de massa.
como o Brasil lê
No Brasil, a "casa inteligente" ainda é vista como luxo ou novidade. A China está mostrando que pode ser padrão — e que, em breve, uma casa sem inteligência espacial será vista como obsoleta. A lição para o Brasil é: a inteligência espacial não é sobre gadgets — é sobre design. É sobre projetar espaços que respondem às pessoas, que se adaptam, que cuidam. E isso começa no projeto arquitetônico, não na instalação de dispositivos.
como a amano lê
Oportunidade para o Brasil: O "空间智能" chinês abre um novo campo para arquitetos e designers brasileiros: projetar espaços que são inteligentes por natureza, não por acréscimo. Isso exige conhecimento de tecnologia, mas também de comportamento humano — como as pessoas usam os espaços, o que precisam, o que sentem. Arquitetos brasileiros que dominarem essa intersecção entre design e tecnologia estarão prontos não apenas para o mercado chinês, mas para o mercado global. E, claro, há oportunidades de exportar soluções de "空间智能" — especialmente em parceria com empresas chinesas de tecnologia.
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camada de ação
- Quem deveria prestar atenção: Arquitetos, incorporadoras, integradores, smart home, iluminação e mobiliário.
- O que observar agora: Integração entre sensores, IA, iluminação, clima, segurança e comportamento.
- Ação possível no Brasil: Definir desde o briefing arquitetônico quais decisões o ambiente deverá tomar ou sugerir sozinho.
verbete escrito · evidência C1 + C2 + C5
疗愈度假
Liáoyù dùjià
férias de cura
O "疗愈度假" (férias de cura) é a evolução natural do "治愈系旅行" — não mais apenas uma viagem com elementos de bem-estar, mas um produto turístico inteiramente dedicado à cura. Segundo a EHL (École hôtelière de Lausanne), em seu relatório de 2026 sobre hospitalidade na China, as instala
território
China Hospitality · China Wellness
estágio do termo
HOSPITALITY SECTOR TERM · emergente
próxima validação
não definida
explicação
O "疗愈度假" (férias de cura) é a evolução natural do "治愈系旅行" — não mais apenas uma viagem com elementos de bem-estar, mas um produto turístico inteiramente dedicado à cura.
Segundo a EHL (École hôtelière de Lausanne), em seu relatório de 2026 sobre hospitalidade na China, as instalações de bem-estar estão se tornando o motor central de receita dos hotéis (康养设施成为核心营收引擎). A demanda por terapias termais, ioga, meditação, alimentação saudável e desconexão digital está se espalhando por todas as faixas etárias.
O "疗愈度假" não é um "plus" no hotel — é a razão de ser do hotel. Os hóspedes não estão ali para "descansar" (passivo), mas para "se curar" (ativo). E esperam que o hotel seja um facilitador desse processo, não apenas um provedor de cama e café.
caso
- O Grupo Bay Hotels (海湾酒管集团) está posicionando o "疗愈度假" como o novo padrão da hospitalidade chinesa — uma transição de "consumo de espaço" para "reconfiguração de valor身心" (reconfiguração do valor mente-corpo)
- Hotéis estão integrando terapias tradicionais chinesas (acupuntura, fitoterapia, massagem tui na) em seus pacotes de bem-estar
- O setor de hospitalidade está migrando de "atender necessidades funcionais" para "fornecer valor emocional e experiência de estilo de vida"
como a China lê
O "疗愈度假" reflete uma mudança no significado do luxo. Na China de 2026, luxo não é mais sobre ostentação — é sobre cuidado. Um hotel de luxo não é aquele com o maior lobby ou o restaurante mais caro; é aquele que cuidou de você — que te fez dormir melhor, comer melhor, sentir melhor. É uma revolução silenciosa na hospitalidade: de "servir" para "cuidar".
como o Brasil lê
O Brasil tem ativos naturais incomparáveis para o "疗愈度假" — praias, florestas, montanhas, fontes termais. Mas o que falta é a curadoria e a infraestrutura de bem-estar. Um resort brasileiro que queira atrair o viajante chinês de "cura" precisa oferecer programas estruturados — não apenas "praia e sol", mas jornadas de bem-estar com começo, meio e fim. A boa notícia é que o brasileiro tem calor humano — e isso é um ativo valioso em qualquer programa de cura.
como a amano lê
Oportunidade para o Brasil: O "疗愈度假" chinês é uma oportunidade de reposicionamento para o turismo brasileiro. Em vez de competir no mercado de "sol e praia" (onde o Caribe e o Sudeste Asiático são mais próximos da China), o Brasil pode competir no mercado de "cura e transformação" — onde a distância se torna um ativo (é longe, é diferente, é uma jornada) e a natureza exuberante é o cenário perfeito para a redescoberta pessoal. Hotéis e resorts brasileiros precisam investir em bem-estar — não como amenidade, mas como produto principal.
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camada de ação
- Quem deveria prestar atenção: Hotéis, resorts, spas, incorporadoras de destinos e wellness.
- O que observar agora: Receita de programas de bem-estar, integração de terapias e duração da jornada do hóspede.
- Ação possível no Brasil: Converter amenities isoladas em um produto de wellness com começo, meio, fim e métricas.
Os outros 66 verbetes escritos
| Termo | Pinyin | Tradução | Territórios |
|---|---|---|---|
| 六零工厂 | Liù líng gōngchǎng | fábrica seis zeros | Material China · China Innovation · China Pulse |
| NPC经济 | NPC jīngjì | economia NPC | China Consumer · Digital China · Contemporary Chinese Culture |
| 情绪经济 | Qíngxù jīngjì | economia da emoção | China Consumer · China Wellness · China Luxury |
| 情绪治愈型软装 | Qíngxù zhìyù xíng ruǎnzhuāng | decoração macia de cura emocional | Marcas de luxo, plataformas de e-commerce |
| 轻高定 | Qīng gāodìng | alta customização leve | Governo chinês (国务院), Xangai, Shenzhen |
| 适老化家居 | Shì lǎohuà jiājū | design de interiores adaptado ao envelhecimento | 海湾酒管集团 (Bay Hotels Group) |
| 适我主义 | Shì wǒ zhǔyì | tradução não registrada na fonte | China Home · China Consumer · New Chinese Aesthetic · China Wellness |
| 数实融合 | Shù-shí rónghé | fusão digital-real | Digital China · China Innovation · AI China |
| Token经济 | Token jīngjì | economia de tokens | AI China · Digital China · China Innovation |
| 新兴支柱产业 | Xīnxīng zhīzhù chǎnyè | tradução não registrada na fonte | China Pulse · China Innovation · AI China · Digital China |
| 以竹代塑 | Yǐ zhú dài sù | substituir plástico por bambu | Material China · China Design · Craft + Heritage |
| 智能经济 | Zhìnéng jīngjì | economia inteligente | China Pulse · China Innovation · AI China · Digital China |
| 治愈系旅行 | Zhìyù xì lǚxíng | viagem estilo cura | China Hospitality · China Wellness · China Consumer |
| 出海 | chūhǎi | internacionalização | Outbound |
| 东方美学 | dōngfāng měixué | estética oriental | Design / Culture |
| 非遗 | fēiyí | patrimônio cultural imaterial | Craft |
| 国潮 | guó cháo | onda nacional | Culture / Consumer |
| 跨境电商 | kuàjìng diànshāng | e-commerce transfronteiriço | Trade / Digital |
| 康养 | kāng yǎng | saúde, cuidado e bem-estar | Wellness |
| 情绪价值 | qíngxù jiàzhí | valor emocional | Consumer |
| 情绪消费 | qíngxù xiāofèi | consumo emocional | Consumer |
| 适老化 | shì lǎo huà | adaptação ao envelhecimento | Ageless / Design |
| 首发经济 | shǒufā jīngjì | economia do primeiro lançamento | China Consumer · China Luxury · China Cities |
| 文创 | wén chuàng | cultura + criatividade | Craft / Creative Economy |
| 文旅 | wén lǚ | cultura + turismo | Hospitality / Culture |
| 新中式 | xīn zhōng shì | novo estilo chinês | Design |
| 悦己消费 | yuè jǐ xiāofèi | consumo para si | Consumer |
| 银发经济 | yínfà jīngjì | economia prateada | Ageless |
| 银发旅游 | yínfà lǚyóu | turismo prateado | Ageless / Hospitality |
| 养生 | yǎng shēng | nutrir a vida | Wellness / Culture |
| 以旧换新 | yǐ jiù huàn xīn | trocar o velho pelo novo | Consumer / Home |
| 质价比 | zhì jià bǐ | relação qualidade-valor | Consumer |
| 智能家居 | zhìnéng jiājū | smart home | Home / AI |
| 本土品牌 | běntǔ pǐnpái | marca local | Consumer / Brand |
| 传统工艺 | chuántǒng gōngyì | ofícios tradicionais | Craft |
| 场景消费 | chǎngjǐng xiāofèi | consumo por cenários | Consumer / Retail |
| 产业集群 | chǎnyè jíqún | cluster industrial | Clusters |
| 定制家具 | dìngzhì jiājù | mobiliário sob medida | Furniture |
| 低碳 | dītàn | baixo carbono | Materials / Policy |
| 国风 | guó fēng | estilo nacional contemporâneo | Culture / Design |
| 高端消费 | gāoduān xiāofèi | consumo high-end | Luxury |
| 工业设计 | gōngyè shèjì | design industrial | Design |
| 健康养老 | jiànkāng yǎnglǎo | saúde e longevidade | Ageless / Wellness |
| 建筑陶瓷 | jiànzhù táocí | cerâmica arquitetônica | Materials |
| 家居 | jiājū | casa e seus objetos | Home |
| 家装 | jiāzhuāng | reforma residencial | Home |
| 精品酒店 | jīngpǐn jiǔdiàn | hotel boutique | Hospitality |
| 零售设计 | língshòu shèjì | design de varejo | Retail |
| 绿色制造 | lǜsè zhìzào | manufatura verde | Materials / Industry |
| 人工智能 | réngōng zhìnéng | inteligência artificial | AI |
| 柔性制造 | róuxìng zhìzào | manufatura flexível | Furniture / Industry |
| 数字人 | shùzì rén | humano digital / avatar digital | AI / Digital |
| 生成式人工智能 | shēngchéngshì réngōng zhìnéng | IA generativa | AI |
| 生活场景 | shēnghuó chǎngjǐng | cenários de vida | Digital / Consumer |
| 生活方式 | shēnghuó fāngshì | estilo de vida | Culture |
| 生活品质 | shēnghuó pǐnzhì | qualidade de vida | Wellness |
| 天然石材 | tiānrán shícái | pedra natural | Materials |
| 体验消费 | tǐyàn xiāofèi | consumo de experiência | Consumer |
| 外观设计专利 | wàiguān shèjì zhuānlì | patente de design | Design / IP |
| 文化创意产业 | wénhuà chuàngyì chǎnyè | indústria cultural e criativa | Creative Economy |
| 新材料 | xīn cáiliào | novos materiais | Materials / Innovation |
| 新消费 | xīn xiāofèi | novo consumo | Consumer |
| 养老 | yǎng lǎo | cuidado e vida na maturidade | Ageless |
| 照明 | zhàomíng | iluminação | Lighting |
| 智慧家庭 | zhìhuì jiātíng | casa inteligente integrada | Home / AI |
| 自主品牌 | zìzhǔ pǐnpái | marca própria | Business |
método
Por que o léxico deixou de ser artigo
A série nasceu como China Word of the Week, no formato de post semanal. O formato criava dois problemas. O primeiro é que verbete se consulta: quem precisa saber o que é 质价比 precisa achar em segundos, não rolar um arquivo cronológico. O segundo é que post envelhece e verbete não: um termo do léxico só sai quando cai em desuso na China, o que é informação, não obsolescência.
A mudança é de layout e de estado. O índice inteiro é publicável hoje, porque 72 termos com pinyin, tradução e território já são conteúdo útil. O que falta é o texto das três leituras, e isso está declarado termo a termo em vez de escondido.
Nota metodológica · nenhum termo deste léxico foi traduzido a partir do inglês. A tradução parte do caractere chinês, e quando o termo tem uso corrente diferente do sentido literal, o verbete registra os dois. Termo sem uso verificável em fonte chinesa não entra, mesmo que circule em relatório de consultoria estrangeira.
como ler
Três leituras, nunca uma tradução
Um verbete do léxico nunca entrega só a tradução. Ele entrega três camadas, e a terceira é a que justifica o observatório existir.
camada 01
Como a China usa
O sentido que o termo tem dentro da China, com o contexto em que ele aparece. Fonte chinesa primeiro, sempre.
camada 02
Onde o Brasil erra
A leitura brasileira mais comum e por que ela falha. Não é correção de estilo: é a diferença que faz alguém tomar a decisão errada.
camada 03
O que muda na prática
A implicação para design, mobiliário, pedra, hotelaria e craft. Se o termo não muda nenhuma decisão, ele não entra no léxico.
O estágio de adoção. Vinte termos já têm estágio classificado na base: Growing, Mainstream e assim por diante. Isso importa porque um termo em ascensão e um termo já assimilado pedem estratégias diferentes de quem chega. Usar vocabulário que já virou lugar-comum na China soa datado; usar vocabulário que ainda não pegou soa forçado.